Cotidiano
Supremo barraco: os riscos do bate-boca entre Gilmar Mendes e Barroso
Se continuar nesse nível, as palavras dos ministros valerão tanto quanto os pronunciamentos de Aécio Neves ou as palavras de Lula nas caravanas pelo sertão
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Por: Renan Barbosa
Os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), bateram boca ao vivo, em sessão plenária transmitida para todo o país, nesta quinta-feira (26). Mendes foi chamado de mentiroso, politiqueiro, odiento, irracional, desarticulado, raivoso, inconsistente e correligionário de criminosos de colarinho branco. Barroso fez ainda alusão ao estado natal do ministro, Mato Grosso, remetendo ao caso em que Joaquim Barbosa, em 2009, também no plenário, insinuou que Mendes era chefe de “capangas do Mato Grosso”.
As comunidades políticas sempre intuíram a distância entre suas práticas quotidianas e os ideais que as norteiam. Por isso, a fim de evitar que a crítica política e dos costumes se tornasse cativa apenas dos profetas e dos desgraçados, transformando-se assim em elemento de instabilidade, trataram de permitir o uso da palavra na forma de sermões, exortações e admoestações que ecoassem de dentro dos próprios meandros do poder. O sistema político romano incorporou o Tribunato da Plebe. A resplendorosa França de Luís XIV tinha seu Jacques Bossuet; o pequeno Portugal de Afonso VI, seu Antônio Vieira.
No Brasil contemporâneo, essa distância tem se tornado um fosso e o Poder Judiciário vem se transformando, para o bem e para o mal, em consciência moral e tribunato da nação. Se bem exercida, coisa que passou longe da atitude de Barroso, não há mal nessa função. O Judiciário, que já foi chamado de o menos perigoso dos poderes – não tem exército, não tem polícia, não cobra impostos –, colhe legitimidade da sua capacidade argumentativa, do seu respeito pela lei e pelo precedente, da sua eficácia em resolver conflitos com fundamento nas normas acordadas, enfim, de sua capacidade de apresentar, sob a melhor luz, as aspirações morais da nação, sedimentadas nas leis, em cada caso que julga.
Quando a TV Justiça começou a transmitir ao vivo as sessões plenárias, em agosto de 2002, juristas mais prudentes avisaram que não se deveria açular a vaidade demasiadamente humana dos ministros do Supremo. Seria difícil negar que ontem Barroso estava jogando para a torcida, imbuído da nova ética da “lacração” na internet. Assumindo o papel de tribuno, emprestou para si a autoridade do plenário, de que tanto depende a missão institucional do Supremo, para ao final exceder-se. Nada que Gilmar Mendes já não tenha feito, às vezes pior. Vários são os ministros que têm se sentido por demais à vontade para roubar nacos do capital político do Supremo, degradando-lhe a imagem e, no limite, a capacidade de ação.
A intensa participação do Judiciário na vida política nacional não é nova. Ela é contemporânea da República. O Supremo, às vezes mais ativo, às vezes manietado, sempre esteve às turras com os demais poderes para cumprir as promessas, tantas vezes traídas, de nossas Constituições. O que é novo é o imenso protagonismo político da corte em rede nacional, sob a égide de uma Constituição democrática que lhe garantiu meios de ação inéditos, em um país cujos outros Poderes estão profundamente desacreditados e cuja corporação militar parece ter, depois de 1985, felizmente desistido de cumprir o papel de poder moderador de facto que lhe coube ao longo de toda a República.
Os juízes brasileiros têm hoje consigo a estranha competência de ser um tanto Luís XIV, um tanto Bossuet; um tanto Afonso VI, um tanto Antônio Vieira. Nenhum brasileiro assiste aos pronunciamentos de senadores e deputados no parlatório em busca de uma bússola moral. Chamados, porém, a descer à lama da mais renhida crise política da história brasileira, alguns ministros do Supremo parecem afogar-se na ubíqua vaidade, dando voz não às mais nobres aspirações da comunidade moral brasileira, mas a sentimentos intestinos de ressentimento, impróprios à dignidade da função que exercem. Em uma democracia, não é saudável que os juízes deixem de ser o tempero de moderação aristocrática que falta ao agito da disputa político-partidária.
O risco nas declarações de Barroso – e nas atitudes de Gilmar Mendes, frise-se – é óbvio: que a palavra do Supremo passe a valer tanto quanto os pronunciamentos de Aécio Neves no plenário do Senado ou as bravatas de Lula da Silva em suas caravanas.
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Governo desmente notícia de que arroz importado é de plástico ou contaminado
BRASÍLIA – O Ministério da Agricultura desmentiu nesta quarta-feira, 29, em nota, uma notícia falsa de que o arroz importado está contaminado ou é de plástico. Segundo a pasta, as alegações são mentirosas. “O Ministério da Agricultura fiscaliza alimentos que entram no País, e o edital da Conab especifica o tipo de arroz a ser adquirido”, esclarece a pasta.
O ministério lembrou que a autorização do governo para a importação de até 1 milhão de toneladas de cereal beneficiado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) visa garantir o abastecimento alimentar em todo o território nacional, que poderia ser comprometido pelos impactos das enchentes à produção gaúcha.
“Diante dessas medidas, produtores de desinformação criaram narrativas inverídicas sobre o produto a ser importado. Dentre esses boatos, existe a alegação de que o arroz importado seria contaminado por vermes, vírus ou outros parasitas nocivos ao ser humano. A legislação brasileira e os acordos internacionais para o trânsito de produtos vegetais e insumos agrícolas entre países estabelecem regras para garantia da qualidade, segurança e conformidade dos produtos, bem como a avaliação do risco de disseminação de pragas”, esclareceu o ministério.
A governo ressaltou que, no Brasil, a fiscalização e o controle são feitos por meio do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura. “Os procedimentos e exigências fitossanitárias são específicos para cada tipo de mercadoria, incluindo sementes e mudas, bebidas, alimentos e insumos agropecuários”, acrescentou.
Segundo o ministério, também é mentira que o arroz importado seria “de plástico”. “O aviso de compra pública divulgado pela Conab para aquisição do grão é explícito ao especificar como objeto ‘arroz beneficiado, polido, longo fino, tipo 1, safra 2023/2024′?, diz a nota.
A oferta de arroz no País, segundo o governo, é regulamentada pela instrução normativa 6/2009. A norma reconhece apenas grãos provenientes da espécie Oryza sativa L. e classifica o produto em dois grupos: arroz em casca (natural ou parbolizado) e arroz beneficiado (integral, polido, parbolizado integral e parbolizado polido).
Supermercados
O governo federal estima que o arroz que será importado pela Conab deve chegar às gôndolas dos supermercados em até 40 dias, segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
“O tempo de chegada vai depender do local do fornecedor do arroz, porque, se vier da Ásia, demora um pouco mais que o dos players do Mercosul. Acredito que em 30 a 40 dias esse arroz estará nas gôndolas dos supermercados ao consumidor”, disse Fávaro, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro da EBC.
O arroz importado pelo governo será comercializado a R$ 20 por pacote de 5kg, com identificação do governo federal, embalado na origem e preço tabelado, segundo Fávaro. O arroz a ser comprado será o agulhinha tipo 1.
“A medida provisória do Executivo autorizou compra de até 1 milhão de toneladas. Iremos comprar somente o necessário até o mercado se estabilizar mantendo níveis razoáveis de preço ao consumidor”, afirmou. Segundo ele, não haverá racionamento na quantidade de venda por consumidor.
O ministro refutou a ideia de que a medida para importação do arroz pelo governo seja intervenção estatal. “O governo não quer intervir no mercado, mas o mercado deve voltar logo ao preço justo com o combate à especulação. Estamos longe de qualquer intervenção, até porque se o Brasil produz em torno de 10,5 milhões de toneladas de arroz, 300 mil toneladas não farão intervenção”, defendeu.
Ele também disse que o governo não planeja afrontar os produtores com a medida. “Sabemos que o Rio Grande do Sul tem estoque suficiente e não há risco de desabastecimento, mas o governo precisa coibir a especulação. O preço do arroz subiu de 30% a 40% em um mês, o que é inconcebível. Não precisaríamos importar se tivesse situação normal”, disse.
“MSN”

