O escoamento de soja mato-grossense até setembro de 2023 superou em 6,99% o volume total embarcado durante todo o ano de 2022. Em nove meses o estado enviou para o mercado externo 26,49 milhões de toneladas do grão, dos quais 59,95% tiveram a China como destino principal
Exportações de soja em Mato Grosso já superam envios totais de 2022
AGRONEGÓCIOS
Em 2022, entre janeiro e dezembro, o estado enviou para o mercado externo 24,76 milhões de toneladas de soja, segundo dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex), divulgados ontem (9) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Já entre janeiro e setembro haviam sido 23,43 milhões de toneladas.
Na semana passada o Imea divulgou as expectativas de exportações de soja em Mato Grosso para 2023. As projeções apontavam que 27,74 milhões de toneladas do grão produzido na safra 2022/23 devem ser escoadas.
Entre os motivos para a alta demanda da oleaginosa estão as quebras de produção nos principais países produtores, diante de problemas climáticos.
O grão mato-grossense entre janeiro e setembro teve 41 países como destino. Somente para a China foram embarcadas 15,88 milhões de toneladas, incremento de 18,86% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para a Espanha 1,29 milhões de toneladas e o México 1,12 milhão de toneladas.
Ainda conforme o levantamento da Secex, a Argentina, que sofreu com quebra de produção em decorrência ao clima, adquiriu 1,03 milhão de toneladas de soja de Mato Grosso. Já a Turquia 810,08 mil toneladas.
Embarques mensais de soja
No que diz respeito aos embarques mensais, em setembro foram escoadas 444,62 mil toneladas de soja, volume abaixo do verificado em agosto de 1,02 milhão de toneladas.
Envios de farelo crescem
Em relação ao farelo de soja, entre janeiro e setembro foram escoados 5,80 milhões de toneladas em 2023. Alta de 6,06% no comparativo com as 5,47 milhões de toneladas enviadas no período o ano passado.
A Tailândia e a Indonésia foram os principais compradores do coproduto, representando juntas 54,15% da demanda. Para a Tailândia foram enviadas 1,90 milhão de toneladas de soja, enquanto para a Indonésia 1,24 milhão de toneladas.
“Por fim, o cenário de exportação para o óleo de soja está diferente do dos demais produtos do complexo soja (grão e farelo), e de janeiro a setembro de 2023 foram exportados 434,80 mil toneladas, recuo de 1,09% ante o mesmo período de 2022”, diz o Imea em seu boletim semanal.
Dados da Secex revelam ainda que em setembro de 2022 haviam sido 496,93 mil toneladas exportadas.
“Agência UDOP de Notícias”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

