Meio Ambiente
MPE investiga 13 fazendeiros por fraudes na Sema; um deles em Itaúba, veja os alvos
Donos de imóveis rurais prestam depoimentos aos promotores do Meio Ambiente
Meio Ambiente
Por Rodivaldo Ribeiro/Folha Max
Ministério Público Estadual (MPE) abriu inquérito civil para investigar os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) concedidos de maneira supostamente ilegal aos proprietários de 13 fazendas espalhadas por Mato Grosso e cujo esquema foi alvo da Operação Polygonum, deflagrada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (DEMA) e pelo próprio MPE. A primeira audiência com os investigados foi realizada no dia 04 de abril; a última será nesta sexta-feira (12).
Segundo os promotores Marcelo Caetano Vacchiano e Joelson de Campos Maciel, do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição de Danos Ambientais, do MPE, foram apuradas diversas formas de fraudes, a principal delas por meio do deslocamento de polígonos. Nesta, o engenheiro contratado pelo proprietário apresenta informações falsas para o órgão ambiental, no caso a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), deslocando a localização do imóvel rural já desmatado para um local onde a floresta ainda não foi tocada.
Os promotores Marcelo Caetano Vacchiano e Joelson de Campos Maciel Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição de Danos Ambientais (Nupia Ambiental), das 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural, explicaram que para realizar o procedimento, servidores da Sema portadores de logins entravam no sistema eletrônico da secretaria e lá informavam que a situação da área estava em plena legalidade e o CAR era aprovado. Era a hora deles expedirem a Autorização Provisória de Funcionamento (APF), corroborando uma falsa regularidade ambiental.
Esse documento tem valor monetário, pois com ele os proprietários conseguiam, por exemplo, financiamentos bancários, dispensa de pagamentos de reposição florestal e anistia de multas (de R$ 5 mil por hectare em área amazônica) por desmatamentos ilegais.
De acordo com os dados do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) do Incra, há algo em torno de 155 mil imóveis rurais em Mato Grosso. Dentre estes, pelo menos 80 mil apresentaram o CAR em 2018 (o prazo final para entrega sem incidência de multa era o dia 31 de dezembro). A Sema analisa, pela via legal, algo em torno de mil CARs por mês. Grande parte destes acaba voltando com pendências.
O MPE também explicou que outro meio de fraude era o desmembramento de propriedades, já que no Código Florestal consta que imóveis com menos de quatro módulos fiscais não precisam reconstituir desmatamentos ilegais em determinadas situações. Por isso, grandes propriedades eram divididas em diversas áreas menores, de forma a receber dispensa nas obrigações ambientais.
A Sema autoriza fazendas com várias matrículas a terem os CARs individualizados para cada uma delas e cada um desses é analisado individualmente. Isso propiciava aos donos de grandes propriedades de terra receberem incentivos e benefícios restritos apenas a pequenos produtores, como áreas de preservação permanente reduzidas em margens de rios e córregos, desobrigação de manutenção de áreas florestadas nas sedes e as já citadas anistias de multas por infrações ambientais.
Participam da Operação Polygonum 12 delegados, 40 investigadores, 8 escrivães, 3 promotores de justiça. Peritos da Politec e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também atuam em apoio a operação. O nome da operação, Polygonum, faz referências a medidas geométricas de áreas, referenciadas em dados de propriedades, terrenos e cálculos de desmatamento pelos promotores de Justiça.
Foram denunciados os CARs relativos à Fazendas Reunidas I a IV, no município de Ribeirão Cascalheira (distante 880 km de Cuiabá), de propriedade de Nicole Perondi.
No mesmo município, está também a São Sebastião, de Vilmondes Sebastião Tomain; Vó Constância, em Feliz Natal (distante 516 km da capital), de propriedade de Ian Zibetti Francio, Alvorada III – Lote IX, de Márcio José Dias Lopes, e Barra Verde, de Edson Keller, situada em Sinop (distante 480 km); Gameleira I, situado no município de Confresa (distante 1.586 km), Dimas Poltronieri; Bela Vista, Itaúba (distante 598 km) de Jair Edson Marques e Maria Aparecida Grimas Marques; Fazenda Araguaia, em Colniza (distante 1.066 km), de Jean Fábio Costa, Liciana Andréa Meinerz e Lissandra Meinerz; 9 de Julho', situada em Brasnorte (distante 575 km), Aldo Rezende Telles; Aldeia da Serra – lote 24 e 26, em Rondonlândia (distante 1.146 km), de Valdir Taffarel; Estância Mara, situado no município de Porto Esperidião (distante 322 km), de propriedade da Agropecuária MJ Ltda; Fazenda Messias, situado em Rosário Oeste (distante 322 km), de propriedade da LL Administradora de Imóveis Ltda ME; e Fazenda Guariba/Santa Clara/Condão, em Vila Rica (1.263 km), de Alcides Augusto da Costa Aguiar.
Meio Ambiente
Quente? Onda de calor não vai embora tão cedo, diz previsão
Nesta época do ano, o calor costuma ser menos intenso devido à menor incidência de radiação solar e aos dias mais curtos
Por Gabriel Azevedo
Desde o último dia 22 de abril, o Brasil enfrenta uma onda de calor fora do comum, e as previsões indicam que essa condição se estenderá até pelo menos o dia 10 de maio de 2024.
- Impactos
No sábado, Cuiabá, no Mato Grosso, registrou uma temperatura impressionante de 37,2°C.
Já no Rio de Janeiro, Jacarepaguá marcou 36°C e Diamante do Norte, no Paraná, alcançou 35,3°C, segundo dados do Inmet.
No domingo, a situação se repetiu, com o Rio de Janeiro novamente liderando o ranking das temperaturas mais altas do país, com diversas regiões superando os 38°C.
Calor
Essa é a quarta onda de calor a atingir o Brasil recentemente e ela promete se intensificar ainda mais, persistindo até o dia 10 de maio.
O sistema de alta pressão em médios níveis da atmosfera continua bloqueando o avanço das chuvas sobre as áreas afetadas, além de intensificar a circulação do ar, o que impede a formação de nuvens de chuva intensas e eleva ainda mais as temperaturas.
Nesta época do ano, o calor costuma ser menos intenso devido à menor incidência de radiação solar e aos dias mais curtos.
No entanto, essa onda de calor está trazendo temperaturas típicas de verão para o outono brasileiro, desafiando as expectativas climatológicas usuais para o mês de maio.
Recomendações
O Inmet alerta para os riscos à saúde que a onda de calor pode causar, como desidratação, exaustão e insolação.
- Beber bastante água ao longo do dia, mesmo que não sinta sede
- Evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes do dia (entre 10h e 16h)
- Usar roupas leves e frescas de cores claras
- Manter as casas ventiladas
- Cuidar dos idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde, que são os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor
“Canalrural”

