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MP 1.182 não propõe legalizar bingos e cassinos no país, mas regular apostas esportivas

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A medida provisória 1.182, publicada em 25 de julho de 2023 pelo governo federal, não autoriza “jogos de azar” em bingos e cassinos no país, como afirmam usuários. Publicações com essa alegação foram compartilhadas centenas de vezes nas redes sociais desde então. Mas a MP em questão faz parte do projeto do governo federal de regulação dos sites de apostas esportivas, conhecidos como “bets”, e não abrange no texto original bingos e cassinos, proibidos desde 1946 no Brasil.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou projeto de lei e medida provisória (MP) que autoriza o funcionamento dos jogos de azar no Brasil. A medida libera a abertura de casas de Cassinos e Bingos como acontece nos Estados Unidos”, diz o trecho de uma das publicações compartilhadas por usuários no Facebook, no TikTok, no Kwai, no Instagram e no Twitter, agora chamado X.

Captura de tela feita em 26 de julho de 2023 de uma publicação no Facebook

Captura de tela feita em 26 de julho de 2023 de uma publicação no Facebook© Fornecido por AFP Fact Check

Apesar dos diferentes formatos, todas as publicações associam a suposta autorização à MP 1.182, publicada no Diário Oficial da União em 25 de julho de 2023. 

Uma busca por palavras-chave no Google levou ao documento original da medida. No texto, de coautoria dos ministérios da Fazenda e do Esporte, são estabelecidas normas para a taxação e regulação do mercado de apostas esportivas.

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Segundo a proposta, as empresas, conhecidas como “bets”, terão que pagar uma taxa de 18% sobre o Gross Gaming Revenue (GGR), que é a receita obtida com todos os jogos após o pagamento dos prêmios aos apostadores, além de 30% de taxação sobre o prêmio recebido pelo apostador.

A medida, de acordo com o Ministério da Fazenda, pretende dar mais transparência e segurança aos apostadores, além de aumentar a arrecadação do governo federal.

Mas em nenhum momento no documento é mencionado que a medida vai abranger a legalização dos “jogos de azar” em bingos e cassinos, proibidos desde 1946 no país.

O perfil oficial do Ministério da Fazenda também desmentiu a alegação.

Apostas esportivas x jogos de azar

As publicações  confundem ao igualar os termos “apostas esportivas” e “jogos de azar”, afirmou à AFP o coordenador do curso de Direito na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em Direito Digital, Marcelo Crespo. 

“A MP cria uma modalidade de jogo denominada ‘aposta de quota fixa’, portanto não é qualquer jogo. A medida pretende a regulação desse mercado”, indicou.

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Segundo Daniel Dias, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, estas apostas de quota fixa são “referentes à competição esportiva, em que o jogador efetua o prognóstico relativo ao resultado da competição, sabendo de antemão qual o prêmio receberá caso seu prognóstico se confirme”.

De acordo com Dias, essa diferença tem relevância, na medida em que “há uma técnica, baseada em estatísticas, que não deixaria o apostador dependente apenas da sorte, como em uma roleta, por exemplo”

“Jogos de azar e apostas esportivas têm definições diferentes e a MP assinada regulamenta apenas apostas esportivas”, concluiu o professor.

As MPs passam a valer em todo o país a partir do momento em que são publicadas, mas o texto original segue para o Congresso Nacional, que tem o prazo de 120 dias para debater a proposta.

Crespo ainda alerta para os riscos de possíveis mudanças no texto original durante esse período. “O texto ainda pode mudar e passar a abranger outros jogos. Mas no texto original, publicado pelo governo, a intenção é a regulação do mercado de apostas esportivas”, concluiu.

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Encarada em Moraes e post do plenário: as reações de Bolsonaro durante julgamento no STF sobre denúncia do golpe

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Presente no plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro tem alternado momentos em que presta atenção no que dizem os ministros e conversas ao pé do ouvido com seus advogados. Logo no início da sessão que julga se ele se tornará réu por tentativa de golpe, ele postou em uma rede social uma crítica ao processo, comparando o caso a uma partida de futebol em que o juiz “apita contra antes mesmo do jogo começar”.

Durante a primeira parte da sessão, quando ocorreu a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Bolsonaro manteve o telefone celular guardado e manteve o olhar fixo no magistrado.

O ex-presidente acompanha o julgamento com a principal condecoração do Exército presa na lapela do terno, a do Pacificador com Palma – concedida a ele em 2018. De acordo com o site da força, a honraria é dada “a brasileiros que se destacam por atos de bravura, coragem e abnegação”.Bolsonaro com o advogado Celso Vilardi — Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ex-presidente sentou na área central do plenário da Primeira Turma, na primeira fileira da sala, de frente para o procurador-geral da República, Paulo Gonet e o ministro Cristiano Zanin, que preside a Turma. Moraes é o primeiro da esquerda.

Enquanto o relator narrava os crimes imputados a Bolsonaro e falou na organização criminosa liderada por ele, o ex-presidente fez breves comentários com seus dois advogados, sentados ao seu lado, Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno.

Após a leitura do relatório e da sustentação oral pela PGR, quando Vilardi levantou uma questão de ordem para que a sustentação oral da defesa de Mauro Cid fosse feita primeiro, antes das demais, Bolsonaro ajudou o advogado a vestir a toga.

No momento em que os ministros votaram na questão de ordem, Bolsonaro bocejou quando Flávio Dino começou a falar. O ex-presidente não manifestou reação após a negativa dos ministros para esse pedido.

” O globo 100″

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