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Trump é acusado de quatro crimes em invasão do Capitólio
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O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump deve ser processado por quatro crimes relacionados à invasão do Capitólio, sede do legislativo americano, segundo decisão de uma comissão parlamentar que investigou o ataque ao local em 6 de janeiro de 2021.
A comissão encaminhou ao Departamento de Justiça documentos e evidências recomendando que o republicano seja processado, mas o departamento não é obrigado a seguir a recomendação. O ex-presidente foi acusado de obstrução a procedimentos oficiais; conspiração para fraudar os Estados Unidos; conspiração para fazer alegações falsas; e insurreição.
Formada por sete democratas e dois republicanos, a comissão argumentou que Trump instigou o ataque por seus apoiadores e forneceu “auxílio e conforto” aos invasores.
“Nenhum dos acontecimentos do 6 de janeiro teriam acontecido sem ele”, diz um trecho do relatório final da comissão, composto por oito capítulos e divulgado nesta segunda-feira (19).
O grupo parlamentar escutou mais de mil testemunhas em sua investigação.
Se Trump for condenado pelos crimes apontados pelo comitê, ele poderia enfrentar multas com valores consideráveis, mais de 10 anos de prisão e o impedimento de participar de eleições.

Mas, segundo explica Anthony Zurcher, as implicações da decisão do comitê são muito mais políticas do que legais, dada a limitação para que as acusações dos parlamentares se tornem processos judiciais.
“As recomendações, no entanto, gerarão dias de cobertura negativa, já que as manchetes vão relatar o conteúdo das acusações e lembrar os americanos da violência do 6 de janeiro e dos esforços de Trump para contestar, por meses, sua derrota nas eleições”, analisa Zurcher.
Embora as recomendações da comissão em si talvez não tenham consequências legais diretas, o próprio Departamento de Justiça está coordenando suas próprias investigações sobre a invasão do Capitólio que podem chegar a pontos semelhantes aos apontados pelos parlamentares do comitê. No mês passado, o procurador-geral Merrick Garland nomeou um promotor especial para lidar com as investigações sobre o ex-presidente, Jack Smith.
Para a surpresa de poucos, Trump decidiu não cooperar com a comissão parlamentar e atacou políticos e testemunhas que dela participaram. Ele chamou a atividade do grupo como uma “caça às bruxas” com “motivação política”. Em outubro, o comitê intimou Trump, solicitando seu depoimento pessoalmente. O ex-presidente não atendeu à demanda e provavelmente não precisará fazê-lo, porque os republicanos assumirão o controle da Câmara dos Representantes no ano que vem.
“BBC News”
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

