Segundo Ucrânia, não há espaço para diálogo com país vizinho

Rússia amplia objetivos da guerra; retomada de gasoduto provoca tensão

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Os objetivos militares de Moscou na Ucrânia agora vão além da região de Donbass, no leste do país, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, nesta quarta-feira (20), enquanto as forças do Kremlin bombardearam o leste e o sul da Ucrânia. 

Lavrov disse à agência de notícias estatal RIA Novosti que as metas da Rússia serão expandidas ainda mais se o Ocidente continuar fornecendo a Kiev armas de longo alcance como os sistemas de artilharia de foguetes de alta mobilidade (HIMARS), fabricados nos EUA. 

Os comentários, que constituem o mais claro reconhecimento até agora de que os objetivos da Rússia se expandiram ao longo dos cinco meses de guerra, vieram após Washington anunciar que via sinais de que Moscou está se preparando para anexar formalmente o território que tomou do país vizinho. 

O ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que a Rússia rejeita a diplomacia e quer “sangue, e não conversa.”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enquanto isso, acusou a Rússia de “chantagear” a União Europeia com exportações de energia e anunciou um plano para reduzir a demanda por gás no bloco antes de um temido corte de fornecimento da Rússia com a chegada do inverno. 

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O presidente russo, Vladimir Putin, havia alertado anteriormente que o fornecimento de gás à Europa através do imenso gasoduto Nord Stream 1, que está fechado há 10 dias para manutenção, está em risco de ser reduzido ainda mais. 

Lavrov é a figura de mais alto escalão a falar abertamente sobre os objetivos da Rússia na guerra em termos territoriais, cinco meses após Putin iniciar a invasão, em 24 de fevereiro, negando a intenção da Rússia em ocupar seu país vizinho.

À época, Putin disse que seu objetivo era desmilitarizar e “desnazificar” a Ucrânia – declaração considerada por Kiev e pelo Ocidente como um pretexto para uma guerra imperialista de expansão.

Lavrov disse à RIA Novosti que a realidade geográfica havia mudado desde que os negociadores russos e ucranianos participaram de negociações de paz na Turquia no final de março, e que falharam em produzir avanços.

Naquele momento, disse, o foco era nas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk (RPD e RPL), entidades separatistas autodenominadas e apoiadas pelos russos no leste da Ucrânia e de onde Moscou já disse que quer expulsar as forças governamentais da Ucrânia.

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“Agora a geografia está diferente, longe de ser apenas a RPD e a RPL, também há as regiões de Kherson e Zaporizhzhia, e alguns outros territórios”, disse, se referindo a territórios muito além do Donbass e que as forças russas tomaram completa ou parcialmente.

“Esse processo continua de maneira lógica e persistente”, disse Lavrov, acrescentando que a Rússia pode pressionar ainda mais profundamente.

“EBC”

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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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