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Rússia corta gás à Europa em meio a guerra e disputa por preços

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A companhia disse que encontrou um vazamento de óleo em uma das turbinas do gasoduto Nord Stream 1, o que significa que ele ficará fechado por tempo indeterminado.

Os dutos já estavam interditados nos últimos três dias para, segundo a Gazprom, a realização de serviços de manutenção.

De acordo com o jornal Financial Times, a Gazprom já estava reduzindo o envio de gás pelo Nord Stream 1 desde junho. Nesses meses, o suprimento de gás chegou a ficar em apenas 20% do volume normal.

A notícia mais recente surge em meio a temores crescentes de que os moradores da União Europeia (UE) não poderão arcar com os custos do aquecimento durante o próximo inverno.

Os preços da energia dispararam desde que a Rússia invadiu a Ucrânia — e a escassez de suprimentos pode aumentar ainda mais as contas de energia.

Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia fornecia 40% do gás utilizado no resto do continente europeu.

A Europa está tentando encontrar novas alternativas à energia russa em um esforço para reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra.

Mas a transição para outros fornecedores pode não ocorrer com a rapidez necessária.

O presidente do Conselho da UE, Charles Michel, disse que o recente anúncio “infelizmente não é uma surpresa”.

“O uso do gás como arma não mudará a determinação da UE. Vamos acelerar o caminho para a independência energética. Nosso dever é proteger os cidadãos e apoiar a liberdade da Ucrânia”, escreveu no Twitter.

O governo russo nega usar o fornecimento de energia como uma espécie de arma econômica em retaliação às sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Moscou aponta que as sanções econômicas atrasaram a manutenção de rotina do Nord Stream 1. A UE, por sua vez, entende que essa justificativa é apenas um pretexto.

O regulador de rede da Alemanha, o Bundesnetzagentur, disse que o país está agora mais preparado para o fim do fornecimento de gás russo, mas pediu que cidadãos e empresas reduzam o consumo de energia nos próximos meses.

A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo

A Gazprom divulgou uma foto do vazamento de óleo© Gazprom

O anúncio da Gazprom veio logo depois que as nações do G7 concordaram em limitar o preço do petróleo russo como uma forma de apoio à Ucrânia.

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O G7 (Grupo dos Sete) é composto por Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.

A introdução de um teto de preços nesse setor significa que os países que adotarem essa política poderão comprar apenas produtos petrolíferos russos transportados por via marítima que sejam vendidos no limite do valor estipulado (ou abaixo dele).

A Rússia diz que não exportará petróleo para países que participarem dessa nova política.

O gasoduto Nord Stream 1 se estende da costa russa perto da cidade de São Petersburgo até o nordeste da Alemanha e pode transportar 170 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Essa imensa estrutura é operada pela empresa Nord Stream AG, cujo acionista majoritário é a Gazprom.

A Alemanha também já havia apoiado a construção de um gasoduto paralelo — o Nord Stream 2 — mas o projeto foi interrompido depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A Gazprom disse que a falha foi detectada na estação de compressores do terminal de Portovaya e a avaliação do problema aconteceu em parceria com técnicos da empresa Siemens.

Os representantes da estatal informaram que a correção de vazamentos de óleo nos principais motores só pode ser feita em oficinas especializadas, que foram prejudicadas pelas sanções econômicas anunciadas por vários países durante a guerra.

No entanto, a Siemens contrapôs que “tais vazamentos normalmente não afetam o funcionamento de uma turbina e podem ser vedados no próprio local”.

“É um procedimento de rotina dentro do escopo dos trabalhos de manutenção”, divulgou a empresa.

Esta não é a primeira vez desde a invasão da Ucrânia que o gasoduto Nord Stream 1 foi fechado.

Em julho, a Gazprom cortou completamente o fornecimento, alegando “uma pausa para manutenção”.

Os trabalhos foram reiniciados novamente dez dias depois, mas em um nível muito reduzido.

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Falando à BBC de Berna, na Suíça, a economista e analista de energia Cornelia Meyer avalia que a paralisação do suprimento de gás terá um grande impacto econômico.

“Esse anúncio tem enormes repercussões para o gás na Europa, que está cerca de quatro vezes mais caro do que era há um ano. A crise do custo de vida piorará, porque não é apenas o gás que aumenta de preço”, disse.

“O gás vira fertilizante e é usado em muitos processos industriais, então isso afetará os custos e os empregos.”

O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo

O corte no suprimento de gás acontece logo após o G7 anunciar uma política que limita o preço de venda do petróleo russo© Getty Images

Análise de Theo Leggett, correspondente de Negócios da BBC News

O fluxo de gás pelo Nord Stream 1 já havia sido reduzido a um “gotejamento relativo”. Agora, mais uma vez, foi interrompido completamente.

Tudo está relacionado a um vazamento de óleo, afirma a Gazprom — que anteriormente atribuiu os fluxos reduzidos nos meses anteriores a questões técnicas relacionadas às sanções econômicas.

A Europa, no entanto, acredita que o presidente Vladimir Putin utiliza o fornecimento de gás e limita deliberadamente os fluxos através do gasoduto para aumentar os preços, a fim de testar a determinação dos críticos da Rússia.

O resultado, como já vimos, é o aumento dos custos de energia — com empresas e consumidores pagando um preço muito alto.

O momento de mudança na Gazprom é certamente interessante. Ele ocorre no mesmo dia em que o G7 anunciou medidas para limitar o preço das exportações de petróleo da Rússia.

O anúncio também acontece logo após a Alemanha — que depende fortemente do gás russo — revelar que os estoques de inverno estavam enchendo mais rápido do que o esperado.

Um cínico poderia interpretar que esta era a última oportunidade de apertar o parafuso, com o objetivo de infligir o máximo de dano nos meses mais frios que virão pela frente.

“MSN”
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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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