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Hackers refutam criminalização feita por Sérgio Moro

Militantes longe de práticas criminosas consideram os vazamentos do The Intercept um clássico caso de “fogo amigo”

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Por João Negrão/Brasília

Um fantasma ronda o Brasil. É o fantasma do hacker. Todos os poderes da República de Curitiba se aliaram à extrema direita fascista nacional para uma caçada a este fantasma: o ex-juiz Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo ultradireitista de Jair Bolsonaro e seus filhos deslumbrados, o procurador-chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, os radicais de grupelhos ensandecidos pelo ódio, a Polícia Federal e os serviços reservados das Forças Armadas.

Numa palavra: onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários como um financiador de hacker, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reacionários, a recriminação estigmatizante de que apoiam e financiam um hacker?

Daqui concluímos duas coisas:

1 – O hacker já é reconhecido por todos os poderes do Brasil, não como um poder, mas uma ameaça aos poderosos.

2 – Já é tempo de os hackers exporem abertamente perante o país e mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objetivos, as suas tendências, e de contraporem à lenda do fantasma do hacker.

É o que se propõe esta matéria que aqui publicamos. A reportagem do Muvuca Popular reuniu na manhã desta sexta-feira (05.07) dois hackers que representam as mais diversas organizações espalhadas Brasil afora como clubes. Isto mesmo: clubes. Os hackers brasileiros, assim como de todo o mundo, são pessoas do povo, trabalhadores, profissionais liberais, moças, rapazes, senhores, senhoras e adolescentes que se organizam abertamente para cumprir a principal tarefa desta comunidade: compartilhar informações, promover o conhecimento e a solidariedade e tornar a vida das pessoas no mundo da tecnologia da informação bem mais fácil.

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Não há nada de clandestino e ilegal. E muito menos de criminoso. Nós fomos encontrá-los numa sala do subsolo do bloco B da quadra 310 Norte, no Plano Piloto de Brasília. Reparem: os hackers têm endereço, CNPJ, se comunicam abertamente com o mundo exterior. Muito diferente daquele estigma de pessoas e grupos clandestinos, às escuras roubando dados, informações e derrubando páginas de Internet. Um ambiente sombrio que o ministro Moro repete à exaustão em seus depoimentos no Senado da República e na Câmara dos Deputados e nas entrevistas que veículos de comunicação mal intencionados gostam de propagar.

Nestes momentos em que não consegue explicar as revelações do The Intercept Brasil e passeia por trilhas de contradições, ora negando as informações, ora considerando que elas seriam “normais”, o ministro da República Federativa do Brasil dispara seu suposto bote salva-vidas: “Foram hackers, pessoas criminosas, que invadem redes de autoridades para desmoralizar a Operação Lava Jato e favorecer outros criminosos por ela condenados”. Este se tornou o mantra de Moro, sempre fiel ao mídia training.

Na nossa conversa com os dois hackers é possível intuir muito do que está acontecendo com as revelações do The Intercepet Brasil e das reações moristas. No vídeo que você vai assistir abaixo eles explicam o que é um hacker e a cultura hacker, cujas características envolvem a curiosidade, a rebeldia diante dos limites estabelecidos pelas convenções tecnológicas, sociais e políticas, e o compartilhamento de informações. Democratização, em suma.

Um hacker de verdade não segura ou manipula informações a seu proveito próprio. Aqui um hacker é um ser humano que quer todo mundo sabendo o que está acontecendo no mundo da informação, em geral sub-reptícia do universo Web e dos plenos e supremos poderes. Ele quebra as regras e compartilha a outra verdade por detrás das convenções. Ele se rebela contra essas convenções e propõe uma nova ordem informática, que favoreça a todos.

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Sob essa ótica, nossos entrevistados estabelecem que ser um hacker não é tão somente ter domínio sobre a tecnologia da informação. O hacker, revelam, é toda pessoa que, em qualquer área do conhecimento humano, quebra os paradigmas e propõe uma nova ordem melhor para a sociedade.

Assim pode ser também qualquer pessoa que atua no mundo do Direito: advogados, juízes, magistrados em geral, juristas e legisladores, no caso, parlamentares de todo tipo. Essas pessoas que enxergam uma lei ou códigos que afrontam o estado democrático de direito e a dignidade humana e se revoltam contra elas, propondo novos caminhos, novos paradigmas, novas compreensões sobre a dinâmica social e política. E este é também um hacker.

Por suas experiências, os hackers Joenio e Rodrigo certificam que muito dificilmente as revelações obtidas pelos The Intercept Brasil tenham sido originadas de seus colegas. A segunda hipótese, que teriam sido extraídas dos servidores do Telegram na Rússia também é frágil, na opinião deles. A maior probabilidade, acreditam, é a tese do clássico “fogo amigo”. Alguém pode ter tido acesso aos computadores dos integrantes da Operação Lava Jato e copiado as mensagens. Em outra ponta, alguém que participasse dos grupos poderia ter resgatado todas as conversas e compartilhamentos e guardado para posterior divulgação.

Fonte: Muvuca Popular

Confira a entrevista:

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Conclave para eleição do sucessor do papa inicia em 7 de maio

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Conclave para eleição do sucessor do papa inicia em 7 de maio

Conclave para eleição do sucessor do papa Francisco começará em 7 de maio

O porta-voz do Vaticano informou a data, ao mesmo tempo que o Museu do Vaticano anunciou o fechamento da Capela Sistina, a majestosa sala adornada com os célebres afrescos de Michelangelo, situada no Palácio Apostólico.

Os cardeais participarão de uma missa solene na Basílica de São Pedro no Vaticano na quarta-feira da próxima semana, após a qual aqueles com direito a voto – os que têm menos de 80 anos – se reunirão a portas fechadas para votar em um processo secreto que pode durar vários dias.

O primeiro pontífice latino-americano foi enterrado no sábado, após uma cerimônia solene de despedida na presença de líderes internacionais e de 400.000 pessoas.

Os cardeais foram convocados a Roma para escolher o novo papa. Do total de 135 com direito a voto – porque têm menos de 80 anos -, 80% foram designados por Francisco. Eles vêm de todas as regiões do mundo e muitos não se conhecem.

“Personalidade aberta”

Patricia Spotti espera que o novo pontífice “seja como o papa que faleceu”. “Deve ter uma personalidade aberta para todos”, disse à AFP esta mulher de 68 anos que viajou de Milão a Roma para o Ano do Jubileu, celebrado em 2025.

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Muitos fiéis temem que o novo papa represente um passo atrás em relação ao legado do jesuíta argentino, marcado pela luta contra os abusos sexuais de menores de idade na Igreja, por mais espaço para mulheres e leigos e pela defesa dos pobres e migrantes.

“Nosso desejo é encontrar alguém que se pareça com Francisco, não que seja o mesmo, mas em continuidade”, declarou o cardeal argentino Ángel Sixto Rossi, de 66 anos.

“É difícil dizer como imaginamos o perfil do novo papa”, destacou o cardeal italiano Giuseppe Versaldi, de 83 anos, sem direito a voto. “Tem que haver continuidade, mas também avançar em frente, não apenas repetir o passado”.

O cardeal espanhol José Cobo disse ao jornal El País que não será “nada previsível”.

Como no filme?

O conclave provoca fascínio há vários séculos. O recente filme homônimo do diretor alemão Edward Berger, que venceu em março o Oscar de melhor roteiro adaptado, popularizou ainda mais o evento.

“Mais da metade de nós viveremos nosso primeiro conclave. É uma oportunidade para mostrar ao mundo que filmes como ‘Conclave’ e outros semelhantes não são a realidade”, disse o cardeal espanhol Cristóbal López Romero ao portal oficial Vatican News.

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O filme retrata o processo de eleição de um novo papa, em reuniões a portas fechadas. O relato fictício mostra as tensões entre diversas alas do Vaticano.

Mas as divisões dentro da Igreja não são uma ficção. As reformas impulsionadas por Francisco e seu estilo simples despertaram críticas entre os setores mais conservadores, que apostam em uma mudança mais focada na doutrina.

“Hoje, precisamos de união, não de divisão”, advertiu no domingo o cardeal do Mali Jean Zerbo, de 81 anos, após uma oração dos cardeais diante do túmulo de Francisco.

As apostas

O cardeal alemão Reinhard Marx espera um conclave de “poucos dias”.

Roberto Regoli, professor da Universidade Pontifícia Gregoriana, acredita que não será rápido. “Estamos em um período em que o catolicismo está enfrentando várias polarizações e os cardeais terão que encontrar alguém que saiba forjar uma unidade maior”, disse.

Com os conflitos e as crises diplomáticas no mundo, o italiano Pietro Parolin aparece como um dos favoritos. O cardeal atuou como secretário de Estado com Francisco, depois de ocupar o posto de núncio na Venezuela.

A casa de apostas britânica William Hill o coloca à frente do filipino Luis Antonio Tagle, seguido do cardeal ganês Peter Turkson e do também italiano Matteo Zuppi.

“ISTOÉ”

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