Materiais têm boa resistência à vassoura-de-bruxa e apresentam bom rendimento de polpa e amêndoas

Novos clones de cupuaçuzeiro garantem sanidade e alta produtividade

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Alta produtividade e boa resistência à vassoura-de-bruxa estão entre as principais características das novas cultivares cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) que a Embrapa lança no mês de maio. Composto por cinco clones, o kit denominado Cupuaçu 5.0 é um reforço tecnológico para o posicionamento de uma fruta com mercado em franca expansão nacional e internacional e com potencial de se tornar um importante ativo de bioeconomia e desenvolvimento local a partir da criação de novos produtos ou como insumos de alto valor agregado.

As novas cultivares, por serem clones, devem ser propagadas por meio de enxertia, seja para a formação de novos pomares ou ainda, para a substituição de copas de plantas improdutivas, por meio de outra tecnologia preconizada pela Embrapa, a Substituição de Copa do Cupuaçuzeiro, tornando o cultivo dessa espécie mais rentável e sustentável. Outra característica importante é o fato de ser um kit formado por cinco clones que se complementam e, portanto necessitam ser plantados simultaneamente, sendo as plantas arranjadas no campo de forma intercalada, para que possam expressar todo potencial produtivo.

É o que alerta e orienta o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental Rafael Moyses Alves, melhorista que assina as novas variedades. Ele revela que o kit “Cupuaçu 5.0 – coleção de clones de alta produtividade e resistente à vassoura de bruxa” – é composto pelas cultivares de cupuaçuzeiro BRS Careca, BRS Fartura, BRS Duquesa, BRS Curinga e BRS Golias.

O melhorista reforça que a propagação dos clones via enxertia traz segurança aos produtores, pois essa técnica permite manter nos clones as mesmas características genéticas das matrizes que os originaram. Alves lembra que o cupuaçuzeiro, embora seja uma planta de fácil manejo, exige uma certa variabilidade genética em campo para ser produtivo, pois não aceita a autogamia (autoferlização). “Para aumentar a eficiência da polinização e garantir alta produtividade, há necessidade que as plantas dos cinco clones sejam plantadas intercaladas no campo”, explica o pesquisador.

Kit Cupuaçu 5.0: garantia de maior produtividade e sanidade às plantas

Após dez anos avaliando 16 clones, Alves reuniu dados fenológicos, produtivos e sanitários que levaram à seleção das cinco melhores variedades para integrar o kit Cupuaçu 5.0.

Outra vantagem do Cupuaçu 5.0, é a expansão do período de safra, que passará de quatro para seis meses, visto que, há clones precoces, regulares e tardios. Essa característica permitirá um melhor escalonamento da produção, e facilitará a colheita e o respectivo processamento pela agroindústria, diminuindo os problemas decorrentes do excesso de fruto em um espaço curto de tempo das safras convencionais.

Campeão de produtividade 

O Cupuaçu 5.0 apresenta dupla aptidão, pois apresenta bom rendimento tanto de polpa quanto de amêndoas. Na comparação com as demais cultivares lançadas pela Embrapa Amazônia Oriental, o Cupuaçu 5.0 produz até 14 toneladas (t) de frutos por hectare (ha), enquanto que a BRS Carimbó, lançada em 2012, chega na média de 8 toneladas. E muito acima da média do estado do Pará, que é de apenas 2,5 t/ha, segundo levantamento realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – Sedap (LSPA – Cupuaçu/Belém, PA, 2018.).

A produtividade de amêndoas frescas é outro item no qual essa coleção de clones se destaca, conforme comemora o pesquisador. Valorizada no mercado tanto da gastronomia, por ser a base do cupulate, doce semelhante ao chocolate, quanto como insumo para a indústria de cosméticos, a produção desse segundo produto no Cupuaçu 5.0 chega a quase o dobro por hectare, se comparado à BRS Carimbó, com 1,9 t/ha e, exponencialmente acima da média estadual, com 0,4 t/ha.

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Versatilidade do cupuaçu conquista diferentes mercados

O cupuaçu é uma fruta perene, originária da Amazônia, e da qual tudo se aproveita. Da polpa, de sabor e aroma marcantes, fabricam-se em sorvetes, doces, sucos, geleias, licores e outros produtos diversos de confeitaria. A folha desidratada se transforma em embalagens, papel rústico e tudo mais que a criatividade do artesão permite. Até as cascas, após o processamento, são usadas no artesanato ou volta à terra como componente de adubo orgânico.

Outro leque se abre para um nicho de mercado entre os mais lucrativos é o da a indústria de cosméticos. Esse potencial está nas amêndoas, que além de produzir uma manteiga de qualidade superior e já presente nas principais marcas de cosméticos nacionais e internacionais, também é a base para outra potência, o cupulate, doce resultado do processamento das sementes, semelhante ao chocolate, e que, como o “primo” famoso, pode ser encontrado em lojas físicas e virtuais em forma de pó e barras finas, conquistando paladares mundo afora.

Cupuaçu ativo de bioeconomia e de preservação da floresta

A ciência brasileira conta com um vasto conhecimento ecológico e agronômico do cupuaçu, ser uma espécie nativa, com alto consumo local, o que a torna um importante frutífera para segurança alimentar e para economia regional. Ela também é uma espécie perene, com pouco tempo para produção inicial de frutos – de dois a quatro anos após plantio – e apresenta uma longa vida útil, mais de uma década de produção após primeira safra. Esse conjunto transformam o cupuaçu em um importante ativo da bioeconomia nacional. É o que afirma Roseli Mello, líder global de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do grupo Natura &Co (formado por Natura, Avon, The Body Shop e Aesop), uma gigante da cosmética mundial e que usa o cupuaçu como matéria-prima de diversos produtos da empresa.

Mello destaca que o cupuaçu apresenta benefícios de ordem ambiental, econômica e social, pois possui alto potencial para cultivo consorciado em larga escala, principalmente em sistemas agroflorestais, por se desenvolver melhor nesses ambientes, promovendo a diversificação da renda para pequenos agricultores e a restauração produtiva de áreas degradadas. “Com investimentos em tecnologia e pesquisa em bioeconomia, o potencial do Brasil para gerar riqueza por meio da sociobiodiversidade e ser um protagonista na agenda global de sustentabilidade e da economia de baixo carbono é imensurável”, analisa Roseli Melo.

Segundo o estudo Bioeconomia da Sociobiodiversidade do Pará, elaborado pela The Nature Conservancy, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Natura, a comercialização de 30 produtos extraídos da Amazônia no estado gerou uma renda total de R$ 5,4 bilhões em 2019. Nesse levantamento, o cupuaçu aparece entre os dez com maior potencial de exportação e agregação de valor.

O cupuaçu se destaca ainda, de acordo com o estudo, pelo markup, cálculo que demonstra o percentual de lucro, ao avaliar o preço de compra do produto primário até o preço de venda final após a agregação de valor ao longo da cadeia. Para esse fruto tão amazônico, se analisado somente a valoração da amêndoa, o markup é de quase 300%.

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Muita demanda para pouco produto gera oportunidade

O óleo e a manteiga extraídos da amêndoa do cupuaçu conquistam o mercado por apresentarem características físico-químicas apreciadas nas indústrias química e de cosméticos. A Amazon Oil , empresa instalada na região metropolitana de Belém, Pará, processa óleos e manteigas de produtos da sóciobiodiversidade da floresta amazônica e os comercializa para indústrias de alimentos, farmacêuticas e cosméticas no Brasil e exterior.

O alemão Ekkehard Gutjah, um dos sócios da empresa, enfatiza que a manteiga do cupuaçu oferece propriedades fantásticas para a indústria cosmética. “Ela possui alto poder de absorção de água, aproximadamente 240% superior à da lanolina, atuando como um substituto vegetal desse produto de origem animal, regula o equilíbrio hídrico e a atividade dos lipídeos da camada superficial da pele e pode ser usado ainda no tratamento de doenças”, afirma Gutjah.

O empresário acredita ainda que o cupuaçu tem potencial para ampliar e conquistar cada vez mais mercado. “Esse subproduto do cupuaçu foi uma das primeiras manteigas amazônicas a entrar no mercado internacional há cerca de 20 anos e, mesmo nesse curto espaço de tempo, já registra seu lugar na literatura mundial da indústria de cosméticos ao apresentar características superiores às manteigas de karité e lanolina, que ainda dominam o mercado mundial”, relata.

No entanto, a sua matéria-prima ainda esbarra na baixa produção e oferta de amêndoas. “Temos demanda crescente, mas não encontramos produto no mercado e nem formas organizadas de produção. É preciso fortalecer o mercado de polpa, para garantir o fornecimento de amêndoas”, recomenda o empresário, apresentando esse problema como um dos principais gargalos ao avanço do cupuaçu no mercado mundial.

Alta gastronomia e sorvete premiado na Itália

Seja pela polpa ou pela amêndoa, o cupuaçu tem conquistado também paladares ao redor do mundo, levando o nome da Amazônia e do Brasil a concursos internacionais. E um desses casos de sucesso ocorreu em 2021 com uma tradicional sorveteria paraense, a Cairu, com mais de 60 anos de história. O sorvete Carimbó, feito com castanha-do-brasil e doce de cupuaçu, ganhou o título de melhor sorvete do Brasil e representou o País em um dos mais tradicionais festivais do mundo, realizado na Itália, referência mundial da sobremesa. Infelizmente, a iguaria paraense não ganhou o prêmio mundial, mas ajudou a divulgar o sabor marcante do cupuaçu no Brasil e no mundo.

Hoje, o sorvete Carimbó está entre os três mais vendidos pela empresa. Armando Laiun, um dos sócios diz que comercializa cerca de três toneladas por mês somente de produtos com cupuaçu.

Outro empresário paraense que se rendeu ao fruto amazônico foi o chocolateiro César De Mendes. A empresa DeMendes fabrica chocolates e cupulate com registro de procedência e valorização das culturas e comunidades fornecedoras. Por meio da venda física, online e participação em feiras internacionais, De Mendes já levou a iguaria amazônica a vários estados do Brasil e diversos países e garante o cupulate fino a 70% que produz, divide as vendas com os tradicionais chocolates da marca.

“Portal do Agronegócio”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

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Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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