Ponto de vista
Offshores, o ‘jeitinho” de empresas de um país à beira de uma convulsão na economia
Ponto de vista
Sobre a abertura de offshores que também são chamadas de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial de contas no exterior não é uma operação ilegal.
Por Rafael Pio/ Cientista político
Desde que o saldo mantido fora do Brasil, seja declarado à Receita Federal e ao Banco Central. Mas, no caso de servidores públicos, a situação é bem diferente, porque no artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, instituído em 2000, proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais. A proibição não se refere a toda e qualquer política oficial, mas àquelas sobre as quais “a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função”. Como Paulo Guedes é Ministro da Economia, logo sua offshore configura conflito de interesse.
Outro ponto
Outro ponto a se recordar é que a desvalorização da nossa moeda sempre foi defendida pelo Ministro da Economia em suas entrevistas e pronunciamentos, além da interferência no projeto de reforma tributária, sugerindo a retirada de taxação de ganhos de capital no exterior que constava no texto original da Receita Federal, incluindo investimentos em paraísos fiscais, isso significou um enorme ganho para o Ministro.
Taxação
A taxação (cobrança) foi derrubada na Câmara dos Deputados sob a pressão de bancos, empresas e com o consentimento do Ministério da Economia. Deve ser por isso que Paulo Guedes dizia que “dólar alto é bom”, Infelizmente ele só não disse que era bom apenas para uma pequena parcela.
Absurdo
Milhares de brasileiros morrendo de fome com um salário mínimo que não supre a metade do mínimo, enquanto nossa economia afunda para favorecimento pessoal de altos escalões e agregados. Todo dia um mega absurdo, diferente do outro e ninguém é responsabilizado ou culpado por nada.
Rafael Pio – Bacharelando em Ciência Política pela Unopar (Universidade Norte do Paraná) e membro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).
Ponto de vista
A Urgente Necessidade de Reformulação dos Tribunais de Contas Estaduais
A atuação dos Tribunais de Contas dos Estados (TCEs), órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas, tem sido alvo de críticas e questionamentos crescentes. A falta de parâmetros técnicos objetivos na análise das contas, somada à forte influência política na composição e nas decisões desses tribunais, compromete a imparcialidade e a eficácia do controle externo.
A “dosimetria” das contas públicas, ou seja, a avaliação do impacto das decisões fiscais, é um processo complexo e subjetivo. A ausência de critérios uniformes e rígidos permite que cada TCE adote interpretações e metodologias distintas, abrindo espaço para decisões arbitrárias e politicamente motivadas.
A influência política nos TCEs é um problema endêmico. A nomeação de conselheiros, muitas vezes apadrinhados por políticos, compromete a independência e a imparcialidade dos julgamentos. Decisões técnicas são frequentemente submetidas a interesses partidários, resultando em análises tendenciosas e na impunidade de gestores públicos corruptos.
A falta de transparência e de mecanismos de controle social agrava o problema. As decisões dos TCEs são pouco divulgadas e raramente submetidas ao escrutínio público. A sociedade civil, que deveria ser a principal beneficiária do controle externo, é mantida à margem do processo.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), embora importantes, não são suficientes para garantir a objetividade e a imparcialidade dos TCEs. A falta de mecanismos eficazes de fiscalização e punição permite que os tribunais ajam com autonomia excessiva, sem prestar contas à sociedade.
Diante desse cenário, é urgente a necessidade de uma profunda reformulação dos TCEs. A criação de critérios técnicos objetivos e uniformes para a análise das contas, a adoção de mecanismos de controle social e a garantia da independência e da imparcialidade dos conselheiros são medidas essenciais para restaurar a credibilidade e a eficácia desses órgãos.
A sociedade brasileira não pode mais tolerar a ineficiência e a politização dos TCEs. A gestão responsável dos recursos públicos e o combate à corrupção exigem um controle externo rigoroso, transparente e imparcial. A reforma dos tribunais de contas é um passo fundamental para garantir a justiça e a eficiência na administração pública.
Rafael Pio é assessor parlamentar, sociólogo, bacharelando em Ciência Política e membro da ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política.

