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Ela teria acordado R$ 60 mil pela morte, mas dois intermediadores ficaram sem receber R$ 20 mil

Mulher suspeita de morte de marido deu calote em cúmplices

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MATO GROSSO

A representante comercial Ana Cláudia Flor, suspeita de ser a mandante do assassinato do próprio marido, Toni da Silva Flor, 38, deu calote de R$ 40 mil para duas pessoas que intermediaram a execução do crime, segundo informou a Polícia Civil de Mato Grosso.

A mulher teria acordado o valor de R$ 60 mil pela morte do empresário, por meio de videochamadas pelo WhatsApp, mas apenas o responsável pelos disparos recebeu o pagamento – dois intermediadores ficaram sem receber R$ 20 mil, prometidos para cada.

Ela e mais três pessoas estão presas investigadas por envolvimento no homicídio.

O delegado Marcel Oliveira, da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), disse que o crime foi encomendado pelo WhatsApp e que, ao todo, custaria R$ 60 mil, mas apenas o executor, Igor Espinosa, recebeu a parte dele, que foi R$ 20 mil.

Os demais não chegaram a receber os valores acordados, segundo a polícia, porque a trama foi descoberta.

“Além da dinâmica da morte do Toni, Igor acrescentou que houve uma videochamada entre ele, dois intermediários e Ana Cláudia para acertar o valor cobrado para a empreitada criminosa, que seria R$ 60 mil. Foram repassados R$ 20 mil a Diéliton, vulgo Maquê, pegos da mão de Ana Cláudia para o executor do crime. Os outros 40 mil não foram pagos”, explicou o delegado Oliveira.

 empresário Toni Flor tinha acabado de chegar a uma academia no dia 11 de agosto do ano passado, no bairro Santa Teresa, quando foi abordado por um homem que estava em frente ao estabelecimento, que o chamou pelo nome e disse “perdeu”.

Depois, ele foi atingido por cinco tiros de arma de fogo. Mesmo ferido, Toni conseguiu correr para dentro da academia, chegou a ser socorrido para o Hospital Municipal de Cuiabá, foi submetido a uma cirurgia, mas morreu dois dias depois.

Prisões

O homem apontado como autor material do homicídio, Igor Espinosa foi preso no dia 11 de agosto. A partir da prisão dele, que em oitiva deu detalhes da trama criminosa, a polícia conseguiu elucidar parte do crime e prender outras três pessoas, que estão sendo investigadas de participar no assassinato.

“Ele deu riqueza de detalhes que nos fizeram chegar a outros três envolvidos e, se a esposa está presa, é porque existem provas que não tínhamos antes quando suspeitávamos da participação dela. Desde o início ela era suspeita de ser a mandante. Outras pessoas estão sendo investigadas de participar do assassinato”, explicou o delegado.

No dia 19 de agosto, Ana Cláudia Flor e outras duas pessoas, que não tiveram os nomes informados, foram presas em cumprimento a mandado de prisão temporária expedido pela 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A mulher nega a participação no crime. Já os outros três presos, segundo a polícia, confessaram a participação no assassinato e apontaram Ana Cláudia como a mandante da morte do marido.

O delegado disse que, dois dias antes do empresário ser assassinado, o gerente do banco que ele tinha conta entrou em contato para confirmar a ordem de pagamento de um cheque no valor de R$ 20 mil, que seria o valor pago a Igor Espinosa. Toni Flor informou desconhecer o cheque e o pagamento não ocorreu.

“Teve uma discussão entre o casal por conta desse cheque, que seria compensado na conta da vítima. Ana Cláudia chegou a alegar que o cheque teria sido furtado por uma pessoa que estava fazendo reforma na casa do casal, mas o furto nunca foi registrado na polícia”, disse Oliveira.

Investigações apontaram ainda que Ana Cláudia estaria articulando o assassinato de Igor Espinosa, como “queima de arquivo”, mas o crime não chegou a se concretizar porque a polícia prendeu os investigados no assassinato do empresário.

Toni Flor tinha uma empresa de representação de produtos alimentícios para supermercados, a TF Representações. A empresa estava em expansão e rendia uma média salarial de R$ 25 mil mensais para ele. A polícia acredita que a mulher teria mandado matá-lo porque descobriu algumas traições e também para ficar com a herança sozinha.

Após a morte de Toni Flor, a empresa continua atuando no mercado em Cuiabá, gerida por Ana Cláudia Flor. O casal teve três filhas, de cinco, sete e dez anos, durante o relacionamento, que durou 15 anos.

O delegado Marcel Oliveira afirmou que Ana Cláudia ia regularmente à delegacia para saber como estavam as investigações e sempre perguntava se já havia sido descoberto o mandante do crime.

“Ela chegou a perguntar se a confissão de Igor Espinosa daria condenação a ele, como uma forma de tentar saber como proteger o preso confesso”, conta.

UOL tentou localizar a defesa dos envolvidos, na tarde de hoje, mas não conseguiu. O espaço está aberto para atualização assim que houver manifestação dos advogados dos investigados.

‘UOL’

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MATO GROSSO

População de Colíder se revolta após perito Lourival Alves, reprovar professor PCD em exame admissional

Publicados

em

Por Joel Teixeira

O professor Kleber Guimarães Miyaki, fez recentemente uma prova seletiva para ocupar uma vaga PCD – Pessoa com deficiência na Educação Pública Municipal de Colíder. Ele tem deficiência visual e é legitimado pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015.

O professor lecionaria na Escola Municipal Fábio Ribeiro da Cruz. Mas precisou passar por perícia médica para ser efetivado no cargo. Nessa quarta-feira (26) por volta das 13h, o perito médico Lourival Alves Frota, CRM 3451 matrícula 1407 atestou Kleber Miyaki como inapto para exercer o ofício pelo qual lutou por anos.

Em entrevista ao TV Notícias, o jovem professor mostrou-se triste e desapontado com o veto, ‘ontem, quando tive de esperar, e pela forma que fui tratado eu já previa o resultado e foi isso, quando cheguei à sala dele no SESP, o documento já estava pronto. Percebi um certo sarcasmo, quando ele me desejou boa sorte. 

O que diz a lei

O artigo 2º inciso 1º é bem claro, A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. No caso de Kleber, apenas um profissional o avaliou. Portanto há uma falha gritante no quesito de avaliação.

O direito do PCD e a discriminação

Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

  • 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.

Quem é Kleber Miyaki

Kleber Miyaki vem da extrema pobreza e fome. Tinha tudo para se tornar alguém fora da lei, ir para a marginalidade, pois a maioria da sociedade colidense, fechava os olhos para uma família de miseráveis, moradora no Bairro Celídio Marques, região periférica da cidade, onde ele morou desde garotinho franzino. De acordo com fontes locais, lá a Polícia costuma perseguir suspeitos pelas madrugadas, atira atrás de seus alvos, entra em casas de moradores, sem mandado judicial e pouco importa se o tiroteio assusta as crianças ou a quem quer se seja.

Violência na família

Kleber perdeu dois irmãos, mortos de forma bárbara há alguns anos. Crimes que não foram solucionados até hoje pela Justiça de Colíder, clara na seletividade. Casos como os dos irmãos dele, que estavam às margens da lei e possivelmente por isso foram executados, abarrotam a Delegacia de Polícia Civil Local.

Salvo pela Educação

Kleber, trilhou caminhos diferentes e, desembocou na Educação. Mesmo com muitas dificuldades, mas com a crença em dias melhores, ele não desistiu. Com a ajuda de poucos e muito esforço, cambaleando a pé pelas ruas da cidade, estudou, terminou a faculdade e chegou lá.

Chegou mesmo?

Ah, Kleber estava feliz! pronto para ser admitido e trabalhar no que ama, ensinar, lecionar, trazer o sustento para o seu filho Simon, com muita honra e dignidade. Mas nada é fácil para ele. O jovem professor PCD, precisa passar no exame admissional, feito por alguém que ao que tudo indica, está se lixando para toda a história que ele construiu e para o que diz a lei.

Kleber não aceita ir para a vala comum

 Parece que o pobre não pode vencer, ele tem que ser morto nas supostas trocas de tiros dos “faxineiros sociais”, aqueles que executam pessoas, de acordo com sua regra moral, ou imoral, agentes fora da lei, mas sob força do Estado.

O apoio popular

 Na terça-feira (25), ao perceber uma certa “rispidez” do perito que o examinou, Kleber procurou a nossa reportagem para desabafar e mostrar toda a sua indignação, pela forma que foi tratado. Fizemos o nosso papel, transcrevemos o desapontamento dele, contamos um pouco de sua história e publicamos. A população, imediatamente se revoltou com o que teria acontecido com o jovem recém-formado. São milhares de acessos à matéria e dezenas de expressões sobre o fato e de apoio a ele. Professores também engrossam o coro de apoio ao menino que só quer uma oportunidade para educar, talvez oferecer aos outros, o apoio que não teve em sua caminhada.

O grito

 “Eu não vou desistir de meus sonhos, de todo o meu esforço para chegar até aqui. Eu não vou desistir, os meus colegas já me chamam “professor” e eu quero respeito, eu quero dignidade, eu quero provar que a EDUCAÇÃO SALVA” diz Kleber Miyaki, o Dom Quixote de Colíder, lutando contra os moinhos de vento, que destroem sonhos que segregam e que oprimem.  

O TV Notícia tenta contato com o perito Lourival Alves Frota, mas até o fechamento dessa matéria, não conseguiu falar com ele.

 

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