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Homem que atirou contra casa em que havia família em cidade de MT é policial militar; testemunha diz que foi presa e apanhou muito

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 O fato aconteceu no sábado(4) e chocou Guarantã do Norte, cidade divisa com o estado do Pará 

Por Joel Teixeira 

Após acusações graves de moradores no bairro Jardim Araguaia Três,  que teriam sido vítimas de um atirador que sem motivo aparente deu uma rajada de tiros de pistola calibre 380 em direção a eles, o TV Notícias apurou que o suspeito seria um policial militar, buscamos repostas junto ao Comandante do 15º Comando Regional da Polícia Militar Ten. Cel. PM Fábio Mota de Souza, responsável pelo destacamento onde o investigado é lotado. Mota narrou a versão do PM envolvido, “ele estava jantando na casa de amigos e ao sair com a esposa e filha pequena dentro da caminhonete para manobrar em uma rua sem saída, percebeu que havia um homem apontando uma arma para ele, possivelmente desconfiou que o motorista era policial, diante disso o PM revidou, atirando. A família do policial ficou em pânico e ele resolveu sair do local.”

Comandante do 15º Comando Regional da Polícia Militar Ten. Cel. PM Fábio Mota de Souza 

“Supostas vítimas”

Fábio Mota disse que os denunciantes são “supostas vítimas” porque tem passagens pela polícia e um deles foi preso por tráfico de drogas dois dias seguintes ao fato, “o caso está sendo investigado pela Polícia Civil, porque o policial envolvido estava de folga no dia do fato, as duas supostas vítimas também vão responder por ameaça, porque após o fato, foram até a casa em que o policial estava jantando e ameaçaram os moradores. Os dois, suposta testemunha e suposta vítima tem passagens pela Polícia, inclusive há filmagens das ameaças que já foram entregues à Polícia Civil, a suposta testemunha foi presa hoje (segunda-feira, 4) por tráfico de drogas,” disse.

O nome do policial envolvido não foi divulgado à imprensa.

Testemunha diz que foi presa em casa nessa segunda-feira (4) e apanhou muito de três PMs

A testemunha Lucas Maia, 30 anos disse que após prestar depoimento na Delegacia, foi para casa e por volta das 14h30 ouviu alguém gritar “carteiro”, e ao atender foi dominado por três policiais que o levaram para dentro de casa e o espancaram, “minha mulher estava deitada porque tinha tomado calmantes devido a tudo o que aconteceu. Os caras entraram dentro de casa, bateram muito em mim, na cara, enforcamento, pontapé, chutes e aí falaram para mim que eu ia conversar com o delegado, debocharam de mim quando eu falei que já tinha falado com  o delegado. Eu tive problemas com a Justiça sim, mas vim para Guarantã do Norte para mudar de vida, para trabalhar, minha esposa é professora concursada do estado e está muito mal com tudo isso.Viram ela de roupa íntima e apontaram arma para a cara dela. E se ela tivesse algum tipo de reação e atirassem nela? Chegaram a dar uns empurrões nela e ficaram o tempo todo tentando tomar o celular dela.

Dois policiais me jogaram contra o muro, apertaram minha garganta e perguntavam por que eu fiz as filmagens, por que dei entrevistas para imprensa. Antes de chegar à delegacia eles jogaram drogas e balança de precisão em mim para forjar tráfico de drogas. Mas a Justiça entendeu que era armação e me liberou por volta das 18h30, disse.

Lucas Maia Carvalho, testemunha sobre o caso, afirma que foi  vítima de agressões policiais / foto: reprodução 

A esposa de Lucas, “J.P”  também falou para nossa reportagem. Ela confirma que estava dormindo sob efeitos de remédios porque sofre de depressão e, ficou muito abalada com os tiros disparados pelo policial e por toda a confusão gerada com o fato,”desde  sábado a gente não dorme direito. Eu venho de uma história de síndrome do pânico, depressão e desde essa historia toda voltaram os sintomas. Quando foi ontem eu tive que tomar remédio para tentar descansar, dormir, de repente chegam esses policiais. Entraram armados e eu escutei o Lucas gritando, eles gritando com ele; quando eu sai na porta da sala eles estavam empurando, batendo no Lucas. Eu estava de roupa de dormir, roupa íntima. Pegaram o meu celular, perguntando se eu não estava gravando nada, na verdade eu não estava nem entendo nada porque estava sob efeitos de remédios. Foi assustadora aquela situação, eles invadiram a nossa casa, de repente eles já estavam dentro de casa, mexendo nas coisas, perguntando onde que tava a droga, sendo que na minha casa não tem droga. Foi uma covardia total o que eles fizeram, uma falta de respeito total. Ontem foi uma outra etapa do inferno que a gente vive desde sábado.

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A hora em que eles estavam agredindo o Lucas, ele tinha falado para eles que tinha ido à delegacia e falado ao delegado, eles debocharam do delegado. Falaram, a é, você é amigo do delegado ? Após levarem o Lucas eu fui à delegacia e quando cheguei lá, encontrei a seguinte situação: Ele estava detido, eles implantaram drogas e outros objetos como se tivessem pego dentro de casa. Na verdade quando cheguei eu perguntei ao delegado o que estava acontecendo, porque os policiais já chegaram invadindo a minha casa, batendo. O Promotor de Justiça foi até a delegacia ouvir a situação e em seguida liberou o Lucas.”

Medo 

J.P disse ainda que está com muito medo de mais ações como as que teriam acontecido na casa dela, “nós estamos com muito medo porque tentaram incriminar o Lucas por conta de uma situação errada que eles agiram no sábado. Tentaram incriminar o Lucas sem que ele devesse, em minha casa não tem drogas e não entra drogas. O Lucas mudou de vida, ele tomou a decisão de mudar de vida, uma coisa é você pagar pelo que cometeu, outra coisa é implantar drogas. 

Porções de drogas e objetos apresentados pela Força Tática como flagrante de tráfico contra Lucas Maia 

Entenda o caso

Na noite de sábado (2) por volta das 23h, o senhor Francisco Ferreira Caldas, 39 anos, trabalhador em um frigorífico, voltava de um jantar em uma pizzaria em Guarantã do Norte, a 230 km de Sinop, ele estava acompanhado da esposa D.M.S de 28 anos e da filha I.S.C de 7 anos; conforme Francisco, quando chegaram à residência em que moram, na Rua 8, número 8 no Bairro Jardim Araguaia, havia pessoas em uma casa de um casal de bancários que são moradores recentes no bairro, eles estavam jantando. O trabalhador percebeu que ao abrir o portão os moradores e suas supostas visitas olhavam para ele e “ficavam comentando uns com os outros” algo que ele não conseguiu ouvir, de repente um homem saiu de lá, entrou em uma caminhonete cor prata, dirigiu-se até ele e passou a encará-lo com semblante intimidatório, “a rua ainda estava cheia de crianças, aí eu coloquei o meu carro para dentro de minha garagem e fui fechar o portão, de repente aquela Hilux parou rapidão na frente da minha casa e o motorista ficou olhando para minha cara, falei : Você perdeu alguma coisa aqui? Falei só isso para o cara e ele respondeu: Você pensa que sou vagabundo, ladrão? E rapidinho puxou uma pistola e deu rajada de tiros. A minha filha que ainda estava saindo do carro, ficou agoniada e com muito medo.”

O TV Notícias perguntou se o senhor Francisco reconhece a pessoa que atirou contra ele e a família dele, o trabalhador foi taxativo: “Sei, o delegado já está sabendo quem é. Amanhã vai ouvir o depoimento dele (acusado), os donos da casa em que o criminoso estava também vão dar o depoimento deles. Ela não quis falar quem é a pessoa, mas é conhecido deles, porque ninguém vai colocar uma pessoa desconhecida dentro de casa, convidada para jantar que seja desconhecida,” disse.

Nova suposta tentativa de intimidação

Francisco afirmou ao TV Notícias que nesse domingo (3) o suspeito voltou ao local do crime, “ele veio ali perto do forno e ficou olhando para cá, para ver se tinha câmeras, quando ele viu que eu abri o portão, saiu jogado, eu ainda o segui até no Delmoro (supermercado conhecido na cidade). Resolvi parar porque esse cara já atirou contra mim. Nem polícia pode fazer isso aí, chegar e dar rajada em você e sua família.”

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As capsulas colhidas pela PM  

 As vítimas afirmaram que contaram 22 capsulas de pistola calibre 380 dos projetis que atingiram a casa e ficaram espalhadas no local do crime,  “a Polícia Militar chegou aqui e recolheu as capsulas, mas isso era para a Politec e a Polícia Civil pegar, isso não é serviço da PM. Francisco disse que foi até a Polícia Judiciária Civil – PJC e relatou o fato para um investigador, “ele deu a rajada com pente alongado, o investigador até falou com o plantão da PM, para entregar as capsulas certinho, porque a gente desconfia que eles podem até trocar elas.”

 Possível vídeo do crime

Francisco afirma que é possível que toda a ação do criminoso tenha sido gravada por uma câmera de segurança de um vizinho dele, “o atirador veio aqui hoje só para ver se tinha uma câmera, com a mesma Hilux dele. A câmera deve ter registrado o exato momento em que ele atirou em nós. Do nada ele chegou e meteu bala, minha menina está em estado de choque, ela não está bem, minha esposa está muito assustada.

“Guarantã virou faroeste”

O TV Notícias ouviu vizinhos das vítimas, que se dizem assustados com a violência, Lucas Maia, recém-chegado à cidade, disse que está com muito medo, “ele atirou para matar. Era muito tiro, o cara estava com um “kit-rajada” na pistola dele, foram mais de 22 disparos. A casa do rapaz tem buraco de bala; ele saiu com a arma, andando e atirando. A cena que a gente viu foi de guerra, um monte de capsula no chão e a criança tremia, em estado de choque, a esposa também entrou em estado de choque.

 Aqui em Guarantã do Norte tá uma bagunça total, todo mundo anda armado aqui. É comum pessoas armadas que sequer tem porte de armas, “é muito CAC (caçadores, atiradores e colecionadores) andando armados aqui. Eles só têm autorização para ir com a arma até um clube de tiros. A vizinhança inteira presenciou o crime, havia aniversário de crianças, várias crianças brincando na rua, a caminhonete dele virou uma arma também, porque ele quase atropelou várias pessoas. Poderia ter atingido a minha casa, eu acabei de chegar à cidade e já estou horrorizado, minha mulher é professora e já pensa em ir embora de Guarantã, porque eu cheguei aqui e o que eu vejo é gente armada para todo lado e não é lugar para constituir minha família, muito menos ter uma casa”, desabafou.

Outro morador endossou a fala de Lucas, “vocês não têm ideia do quanto é perigoso morar hoje em Guarantã. Outro dia um cara armado chegou em um bar ali próximo à praça e disse de cara limpa que estava procurando um cara para matar, como não tinha achado, ia embora. É meu irmão, Guarantã virou faroeste”, disse.

O outro lado

O TV Notícias tenta localizar o casal de bancários que teriam recebido o policial na casa deles, mas não conseguiu falar com eles. Falamos com o delegado de Guarantã do Norte, Dr. Emerson Marques Lima, ele disse que estava em Cuiabá e ainda não sabia  sobre fato. Não conseguimos localizar o policial suspeito, nem a defesa dele, porém o comandante Ten. Cel. PM Fábio Mota de Souza falou conosco sobre  a conduta do PM que disparou; o relato está no início dessa matéria. Estamos à disposição de todos os citados para quaisquer informações que forem necessárias para atualização.

 

 

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Suspeito de agredir esposa e arremessar ventilador contra a vítima é preso pela Polícia Militar

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Militares localizaram envolvidos na região do Contorno Leste; mulher apresentava lesões
Suspeito de agredir esposa e arremessar ventilador contra a vítima é preso pela Polícia Militar -
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Policiais militares do 3º Batalhão prenderam em flagrante, na noite deste domingo (22.3), um homem, de 51 anos, suspeito de violência doméstica, em Cuiabá. A vítima, de 30 anos, denunciou ter sido agredida com socos e sofreu lesões, após o marido arremessar um ventilador contra ela. 

Por volta das 21 horas, as equipes foram acionadas, via Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após denúncia de violência doméstica, na região do Contorno Leste. 

Assim que os militares chegaram no local da ocorrência, a vítima relatou que foi agredida com socos e que o suspeito arremessou um ventilador contra o rosto dela, após uma discussão. A mulher apresentava lesões na região da cabeça e no olho direito.

Diante das informações e acompanhados pela vítima, os policiais militares identificaram o denunciado em um bar, na região. Ao ser abordado e questionado sobre a denúncia, o homem passou apresentar resistência e a agredir os policiais militares.

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Na ocasião, foi necessário o uso de um dispositivo de menor potencial ofensivo (dispositivo taser) para conter o indivíduo. Ele foi conduzido à delegacia para registro da ocorrência. 

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