Alan Diego dos Santos foi ouvido nesta quinta-feira na CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara do DF

Terrorista de MT diz ter sido obrigado a usar bomba: “Fui ameaçado”

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JUSTIÇA

O mato-grossense Alan Diego dos Santos foi ouvido nesta quinta-feira (29) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Ele foi condenado a 5 anos e 4 meses, em regime fechado, pela tentativa de explodir um caminhão-tanque perto do Aeroporto de Brasília, às vésperas do Natal de 2022. Alan está preso Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 16 de janeiro, quando se entregou à polícia.

Alan afirmou à comissão que saiu de Comodoro (MT) e pegou um ônibus de carona para Brasília para fazer turismo e realizar o “sonho” de conhecer a Capital Federal. Afirmou que não tinha como objetivo fazer qualquer ataque. “Vim para turismo, não para extremismo”, disse.

Ele ficou instalado em um “QG bolsonarista” em frente ao exército e depois em uma pousada. Lá, segundo Alan, ouviu “pessoas que queriam fazer o mal”, se referindo a possibilidade de um golpe de Estado.

Ele disse ter sido ameaçado a colocar o artefato explosivo próximo ao caminhão-tanque.

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“Eu poderia ter evitado de colocar o artefato lá, mas precisava colocar para manter minha família em segurança. […] Poderia não querer levar o artefato, e eles sumirem comigo e me matar, porque tentaram”, disse ele na sessão.

Inicialmente, o presidente da CPI Chico Vigilante (PT) insistiu para que Alan falasse o nome de quem teria o coagido a colocar o artefato. “Quantas pessoas? Foi mais de uma?”, questionou.

Eu vim passear, acabei vendo que era sério, umas pessoas falavam em intervenção federal, militar e AI-5

Alan se negou a responder o deputado, justificando que já havia falado os nomes à polícia. “Isso eu não vou falar”, disse por diversas vezes.

Outros deputados insistiram nas perguntas, mas Alan não respondeu. As negativas foram classificadas como “debochada e desrespeitosa”.

“É gravíssima a situação que o senhor está envolvido. É uma tentativa de colocar uma bomba em uma área central, aeroportuária de Brasília. É gravíssimo. O senhor tem uma postura debochada, desrespeitosa com essa comissão”, disse o deputado Fábio Feliz (Psol).

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Arrependido

Ainda no depoimento à CPI, Alan disse que se arrependeu de fazer parte do atentado.

“Eu vim passear, acabei vendo que era sério, umas pessoas falavam em intervenção federal, militar e AI-5. E observei que tinha pessoas que queriam fazer o mal e que iria acontecer uma cagada mesmo”, afirmou.

“Quando vi que ia acontecer a cagada, não conseguir ir embora. Perdi as caronas”, acrescentou.

Ele voltou a dizer que conheceu George Washington de Oliveira Sousa em Brasília. George foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por planejar o atentado no Aeroporto de Brasília.

“Mídia News”

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JUSTIÇA

8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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