Magistrado, no entanto, autorizou Nilton Borgato a ir a consultas médicas

Ex-secretário acusado de participar de organização criminosa pede para viajar por um mês, mas juiz nega

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JUSTIÇA

Ex-secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Nilton Borgato, teve o pedido negado pela Justiça para se deslocar por um mês da cidade de Cuiabá para tratamento de saúde.

Ele está em prisão domiciliar desde novembro do ano passado, quando conseguiu o relaxamento. Ex-gestor é acusado de participar de uma organização criminosa de tráfico internacional de cocaína.

No pedido, a defesa solicitava que ele permanecesse livre para poder se locomover a clínicas e hospitais entre 5 de junho até 5 de julho, já que teria um retorno médico no dia 5 de junho, e uma consulta odontológica no dia 24 de maio, devido à  um procedimento cirúrgico feito na segunda-feira (15). 

Porém, o Ministério Público Federal (MPF) opinou pelo deferimento parcial do pedido de autorização de deslocamento, manifestando-se favorável apenas para as datas em relação às quais foram comprovados os agendamentos de consultas médicas.

Em sua decisão, o juiz Paulo Cezar Sodré, da 7ª Vara Criminal Federal de Cuiabá lembrou que ele apenas acompanha a fiscalização da medida cautelar fixada em desfavor de Borgato e que tal autorização de deslocamento por prazo extenso, “além de implicar em alteração da natureza da medida cautelar (segregação domiciliar) aplicada ao réu, extrapola a competência deste juízo”.

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“Ante o exposto defiro em parte o pedido da defesa e autorizo o deslocamento de Nilton Borges Borgato, para tratamento dentário, no dia 24.05.2023, na clínica Santa Felicidade […], em Cuiabá-MT; para consulta médica, no dia 05.06.2023, na ‘Clínica Paula Cordeiro Dermatologia Integrada’, situada na Avenida Miguel Sutil, N. 8344, Ribeirão da Ponte, Cep 78040-400, Cuiabá/MT”, diz trecho da decisão dessa quinta-feira (18). 

 

Operação 

A Operação Descobrimento foi deflagrada no dia 19 de abril de 2022. Na ação, foram presos Borgato e o lobista Rowles Magalhães, dentre outras pessoas. A operação tem como base a apreensão de 595 kg de cocaína apreendidas dentro da fuselagem de uma aeronave em fevereiro de 2021, dentro do Aeroporto Internacional de Salvador. 

O jato Dassault Falcon 900, de uma empresa portuguesa de táxi aéreo, parou para abastecer e durante a inspeção, agentes encontraram a droga.   

 A partir das investigações, a polícia conseguiu identificar toda a estrutura criminosa atuante nos dois países, compostas por fornecedores de cocaína, mecânicos e auxiliares –responsáveis pela abertura da fuselagem do avião para esconder a droga -, transportadores – que eram responsáveis pelos voos – além dos doleiros – responsáveis pela movimentação financeira do grupo.

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Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 7 mandados de prisão preventiva na Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Pernambuco.  Houve também cumprimentos de 3 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em Portugal, nas cidades do Porto e Braga.

As medidas judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Salvados e pela Justiça Portuguesa. Foram decretadas ainda medidas de apreensão, sequestro e bloqueio de imóveis, bens e valores das contas usadas pelos investigados.

“Gazeta Digital”

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JUSTIÇA

8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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