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Bolsonaro ensaia discurso de vítima e deve recorrer ao STF contra inelegibilidade

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está inconformado com o processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que pode levar à sua inelegibilidade, segundo aliados.

A avaliação dele e de seu entorno é que a ação é política e, por esse motivo, a estratégia é adotar um discurso de “vítima do sistema” e recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) se a pena for confirmada na corte eleitoral.

Reverter a decisão no Supremo é algo considerado, por uma ala de aliados de Bolsonaro, ainda mais difícil do que conseguir placar favorável no TSE. Eles avaliam, no entanto, que a palavra final não será pelo tribunal eleitoral.

Outro grupo acredita que o STF pode ficar sensível a críticas de que tirar Bolsonaro da eleição seria agir politicamente e, por isso, devolvê-lo ao pleito.

Não descartam também, futuramente, quando a composição do TSE for alterada e o ministro Alexandre de Moraes tiver deixado a presidência, entrar com recursos contra uma decisão desfavorável.

Segundo a coluna da Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro continuará buscando reverter o cenário e não pretende se render nem indicar sucessor.

À Folha de S.Paulo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o pai será o “maior cabo eleitoral da história”, dando o tom da estratégia que será usada para mostrar o ex-presidente como vítima e fortalecer o bolsonarismo.

Na semana passada, a Procuradoria Eleitoral deu parecer favorável para que o ex-chefe do Executivo perca o direito de se candidatar pelos próximos oito anos. O julgamento pode ocorrer ainda em abril, segundo integrantes do tribunal e do entorno de Bolsonaro.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse à reportagem que o parecer do Ministério Público Eleitoral pedindo inelegibilidade é “absurdo”.

Aliados apontam como elemento para uma suposta perseguição o fato de, dentre 21 processos a ação na Justiça Eleitoral que pode torná-lo inelegível, ser o único que está correndo de forma célere.

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Além disso, citam a rapidez com que o processo andou –em comparação com o julgamento da ex-presidente Dilma Rousseff no passado, que demorou mais de dois anos até a decisão final, em 2017.

Outra evidência, acrescentam esses aliados, é o fato de terem sido acrescentadas informações novas sobre os ataques golpistas de 8 de janeiro, quando apoiadores de Bolsonaro insatisfeitos com o resultado eleitoral depredaram a sede dos três Poderes.

Nas alegações finais, a defesa de Bolsonaro defende a nulidade do processo, diz que não teria como uma reunião realizada com embaixadores no meio do ano passado ter levado aos atos golpistas de janeiro.

O documento de mais de 70 páginas é assinado pelo advogado e ex-ministro do TSE Tarcísio Vieira de Carvalho Neto e sua equipe.

Os advogados afirmam ainda que o ex-presidente nem sequer estava no Brasil quando se desenrolou o episódio –Bolsonaro viajou para os Estados Unidos em dezembro passado, antes do final do mandato, ignorando o rito democrático de passar a faixa para o sucessor.

Para interlocutores do Bolsonaro, o ideal era que o processo fosse julgado mais adiante, no segundo semestre, quando esperam que o clima político esteja menos tenso e mais distante dos atos golpistas de janeiro.

Porém a expectativa tanto no TSE como entre aliados de Bolsonaro é que o julgamento ocorra nas próximas duas semanas.

Se Moraes pautar já o processo, avaliam, é sinal de que o ex-presidente será mesmo condenado. Ainda que haja pedido de vista de algum ministro, seria por apenas 60 dias, e dificilmente haveria alguma mudança substancial no caso.

No entorno de Bolsonaro, trabalha-se por um placar de quatro votos favoráveis a Bolsonaro e três contrários. A maior dúvida gira em torno do voto do ministro Carlos Horbach, cujo mandato termina em maio. Ele pode ser reconduzido a depender do aval de Moraes.

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Em 2021, Horbach votou contra a cassação do mandato do então deputado estadual paranaense Fernando Francischini (à época no PSL) por propagação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas. Foi o único voto nesse sentido no TSE, o que levanta dúvidas se ele votaria por condenar Bolsonaro.

O problema, apontam aliados do ex-presidente, é ele dar um voto divergente em relação a Moraes, o que dificultaria o processo de recondução.

Aliados de Bolsonaro defendem que não há motivo jurídico para impedir que ele se candidate no futuro.

A ação que mira a inelegibilidade do ex-presidente foi movida pelo PDT no ano passado e argumenta que Bolsonaro usou a estrutura do Alvorada para atacar a integridade do sistema eleitoral na reunião com embaixadores.

Depois, em janeiro, o partido pediu a inclusão no processo da minuta golpista encontrada pela Polícia Federal durante busca e apreensão na casa do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres.

A legenda argumentou que a minuta encontrada seria um “embrião gestado com pretensão a golpe de Estado”, sendo apto a “densificar os argumentos que evidenciam a ocorrência de abuso de poder político tendente promover descrédito a esta Justiça Eleitoral e ao processo eleitoral, com vistas a alterar o resultado do pleito”.

O documento propunha um decreto para instaurar estado de defesa na sede do TSE para rever o resultado do pleito. A minuta deu robustez à ação, consideram integrantes do tribunal.

Isso significa, no entender de membros do TSE, que o relator pode finalizar o parecer sobre o tema e liberar o caso para julgamento ainda na próxima semana. Se isso se confirmar, caberá a Moraes definir se inclui ou não o processo na pauta de abril.

Advogados de Bolsonaro afirmaram, nas alegações finais do processo, que o encontro com embaixadores foi “de interesse das relações exteriores do Brasil, diante do debate público instaurado à época”.

“FOLHAPRESS”

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8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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