Incidente teria ocorrido junto com os três anteriores, mas só foi descoberto nesta última quinta

Suécia identifica quarto vazamento nos gasodutos Nord Stream

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Um quarto vazamento foi encontrado nesta quinta-feira nos gasodutos Nord Stream, que ligam a Rússia à Alemanha pelo Mar Báltico, escapes que acentuaram as incertezas energéticas para a Europa em meio à invasão russa na Ucrânia. No entanto, as dúvidas sobre a causa dos incidentes — e quem se beneficiaria deles — ainda são grandes.

O novo vazamento foi identificado pela Guarda Costeira sueca no Nord Stream 2. O duto ficou pronto em setembro do ano passado e seu lançamento previsto para este ano foi suspenso por Berlim com a eclosão da guerra. A tubulação, contudo, chegou a ser preenchida com gás.

“Há dois pontos de emissão na zona econômica exclusiva da Suécia. O maior deles no Nord Stream 1 e um menor no Nord Stream 2”, disse a guarda costeira em comunicado, afirmando que a distância entre os dois escapes é de aproximadamente 1,8 km e que produzem borbulhas em áreas aproximadas de 900 metros e 200 metros de diâmetro, respectivamente.

O vazamento no Nord Stream 1, que foi inaugurado em 2011 e teve seu funcionamento suspenso por Moscou no início de setembro, em meio às tensões com a Europa, já havia sido informado há dois dias, junto com os dois escapamentos ocorridos na zona econômica exclusiva da Dinamarca, uma em cada gasoduto. Os quatro incidentes, contudo, foram registrados em águas internacionais.

À Bloomberg, um porta-voz do governo sueco disse que o quarto vazamento já era conhecido desde o início da semana e que as informações haviam sido divulgadas em seu site oficial. Ele afirmou inclusive estar “surpreso” com o fato de a imprensa local só ter começado a noticiar o episódio no fim de quarta-feira.

Segundo o representante, a guarda costeira sueca não sabe exatamente em que parte da infraestrutura dos dutos estão os vazamentos, mas monitora o local e tem um robô submarino no área. O mais provável é que o escape recém-divulgado tenha sido causado pelas mesmas explosões de segunda registradas por sismologistas perto da ilha dinamarquesa de Bornholm, mas especialistas suecos entrevistados pelo jornal Svenska Dagbladet não descartam uma terceira detonação.

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Agências de segurança alemã, segundo a imprensa local, acreditam que os danos podem inviabilizar o funcionamento dos dutos “para sempre”. Outros especialistas não são tão contundentes, afirmando que serão necessários meses para que a real dimensão dos prejuízos seja conhecida, mas alertam que reparos podem demorar.

A partir do momento em que todo o gás for liberado — algo que o governo dinamarquês afirma que deve acontecer até domingo — os dutos serão preenchidos por água do mar, dando início a um processo de corrosão. Um consenso, porém, é que qualquer esperança de uma retomada do funcionamento do Nord Stream 1, que distribuía a maior parte do gás russo consumido pela Europa antes da guerra, não existe mais.

Não está claro quem se beneficiaria do ato, e as autoridades suecas e dinamarquesas conduzem uma investigação, trabalho dificultado pelo risco de se aproximar dos vazamentos. Todos os lados, entretanto, apontam para episódios deliberados de sabotagem.

A maior parte dos países europeus não aponta suspeitos, mas a Polônia e a Ucrânia foram rápidas em pôr os incidentes na conta da Rússia. Em resposta à enxurrada de sanções ocidentais que buscam sem muito sucesso minar as capacidades do Kremlin de financiar o conflito, Moscou vinha cortando gradualmente o fluxo do Nord Stream 1 antes de interrompê-lo de vez.

Moscou, por sua vez, disse que Washington precisa responder pelos supostos ataques, lembrando de uma declaração antiga do presidente Joe Biden de que a invasão da Ucrânia significaria o fim do Nord Stream 2 — acusações que os americanos chamaram de “ridículas”. O Kremlin convocou para sexta uma reunião do Conselho de Segurança sobre o assunto e disse ter iniciado uma investigação de “terrorismo internacional”.

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Em um comunicado nesta quinta, o Kremlin disse que o presidente Vladimir Putin conversou por telefone com seu par turco, Recep Tayyip Erdogan, em que deu “seu ponto de vista sobre esse ato de sabotagem sem precedentes”. De acordo com Putin, que não atribuiu autoria, trata-se “na realidade um ato de terrorismo internacional contra Nord Stream 1 e Nord Stream 2”.

A construção do Nord Stream 2 sempre foi mal vista pelos EUA, que têm interesse na venda de gás liquefeito para a Europa e afirmavam que o gasoduto iria deixar o bloco europeu mais vulnerável a chantagens energéticas russas. A Ucrânia também era uma crítica antiga do projeto, assim como países bálticos.

Os vazamentos começaram a ser noticiados no mesmo dia em que o Gasoduto do Báltico, que liga a Noruega, nova maior fornecedora de gás para a UE, à Polônia, foi inaugurado. Se for comprovado que foi um ato deliberado, contudo, não será um ataque direto à Dinamarca e à Noruega, já que as explosões ocorreram em águas internacionais.

O volume preciso de gás que escapa do Nord Stream é desconhecido, mas se sabe que o metano é o principal componente nos dutos e que, ao longo de duas décadas, ele tem o potencial de aquecer a atmosfera 80 vezes mais que o dióxido de carbono. O fato de o vazamento ser na água também complica saber ao certo qual é o impacto ambiental.

O Greenpeace afirma que os vazamentos podem liberar o equivalente a quase 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso equivaleria a dois terços das emissões anuais da Dinamarca, segundo a organização.

“O Globo”

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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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