INTERNACIONAL

Líder supremo do Talibã aparece em público e pede ao mundo que não interfira no Afeganistão

Publicado em

INTERNACIONAL

O líder supremo do movimento Talibã, Hibatullah Akhundzada, apareceu em público nesta sexta-feira (1º), em Cabul, onde participou em uma assembleia de autoridades religiosas. No evento convocado pelo regime para consolidar o seu poder, ele pediu ao mundo que pare de “interferir” nos assuntos do Afeganistão. Segundo ele, a aplicação da lei islâmica é a chave para o sucesso do país.

Akhundzada, que não costuma aparecer, foi recebido com aplausos e aos gritos de “longa vida ao Emirado Islâmico do Afeganistão”, nome oficial do regime. Mais de 3.000 religiosos e líderes tribais estão reunidos desde quinta-feira (30), na capital afegã, para um conselho de três dias.

A assembleia, a mais importante desde que o Talibã retornou ao poder, acontece uma semana depois que um terremoto deixou mais de 1.000 mortos e dezenas de milhares de desabrigados no leste do país.

A imprensa não está autorizada a acompanhar o evento, mas alguns discursos foram transmitidos pela rádio pública, a maioria com pedidos de unidade e apoio ao regime. “Eles dizem ‘por que não fazem isto, por que não fazem aquilo?’ Por que o mundo interfere em nosso trabalho? Não aceitaremos ordens de ninguém. Apenas nos curvaremos a Alá Todo-Poderoso”, disse Akhundzada em um discurso de uma hora transmitido pela mídia estatal.

O líder ainda disse que o sucesso do regime dependerá de sua capacidade de romper com “a corrupção, o egoísmo, a tirania, o nacionalismo e o nepotismo”, características, segundo ele, dos governos que se sucederam nas últimas duas décadas no Afeganistão.

Leia Também:  Inflação oficial é de 0,41% em novembro

Akhundzada disse aos participantes do conselho que os países não muçulmanos nunca aceitarão um Estado genuinamente islâmico e pediu que estejam preparados para enfrentar muitas dificuldades. “Não pode haver reconciliação entre o islã e os ‘kafirs’ (infiéis). Nem no passado, nem agora”, afirmou.

Atentado

Apesar de fortes medidas de segurança ao redor da assembleia, na quinta-feira dois homens armados conseguiram se aproximar da Universidade Politécnica de Cabul, local do encontro, e foram mortos. Fontes talibãs afirmaram que eles abriram fogo a partir do telhado de um imóvel próximo, mas foram “eliminados rapidamente”.

Há vários dias a imprensa local especulava sobre a possível participação de Akhundzada na reunião. O líder do Talibã não era filmado ou fotografado em público desde a chegada do movimento fundamentalista ao poder, em agosto do ano passado. Apenas mensagens de áudio dele haviam sido divulgadas, sem terem sido verificadas por fontes independentes.

Apesar da discrição, Akhundaza, que de acordo com algumas estimativas tem mais de 70 anos, mantém um controle rígido sobre o movimento Talibã e ostenta o título de “Comandante dos Fiéis”.

Mulheres foram vetadas na reunião

A participação das mulheres foi vetada na assembleia. Os talibãs consideraram que não era necessário porque elas seriam representadas pelos homens de suas famílias. O movimento Talibã divulgou poucos detalhes sobre a assembleia tradicional, conhecida como “jirga”, na qual as divergências devem ser resolvidas por consenso

Leia Também:  Atleta de MT avança às semifinais da canoagem em Tóquio

Uma fonte talibã, no início da semana, que os participantes do conselho teriam permissão para criticar o governo e que temas delicados, como a educação das mulheres, objeto de debate inclusive dentro do movimento, estariam na agenda. Desde que os talibãs assumiram o poder, o Afeganistão segue uma interpretação extremamente rigorosa da lei islâmica e que marcou o seu primeiro período no poder, entre 1996 e 2001.

Eles restringiram os direitos das mulheres, proibiram música não religiosa, a representação de rostos humanos em anúncios publicitários e a exibição de filmes ou séries em que as mulheres aparecem sem véu. O movimento ainda pediu aos homens que usassem roupas tradicionais e deixassem a barba crescer.

“A obediência é o princípio mais importante do sistema”, declarou Habibullah Haqqani, que preside o conselho do Talibã. “Devemos obedecer a todos os nossos dirigentes, em todos os assuntos”, acrescentou.

No encontro desta sexta-feira, um influente imã defendeu que qualquer pessoa que tente derrubar o regime deve morrer. “Esta bandeira (Talibã) não foi hasteada facilmente, e não será retirada facilmente”, disse Mujib ur Rahman Ansari, da mesquita de Gazargah, em Herat, oeste do país. “Todos os eruditos religiosos do Afeganistão devem concordar… que qualquer um que cometa um ato contra o nosso governo islâmico deve ser decapitado e eliminado”, concluiu.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

INTERNACIONAL

Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

Publicados

em

Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

Leia Também:  Rússia: Medvedev diz que sanções podem ser justificativa para guerra

O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

Leia Também:  Padre de MT deixa o celibato sacerdotal após abuso sexual contra rapaz de 20 anos

A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA