Com o início da queda de neve na Ucrânia, as autoridades se preocupam com o impacto dos cortes de energia.
Ataques russos forçam o desligamento de usinas nucleares na Ucrânia
INTERNACIONAL
Bombardeios feitos pelas tropas da Rússia nesta quarta-feira (23) forçam o desligamento de quatro usinas nucleares na Ucrânia, deixando grande parte do país sem energia.
Como uma medida de segurança, os reatores das usinas nucleares de Zaporizhzhia, de Pivdennoukrainsk, de Khmelnitskyi e de Rivne, que ficaram sem energia após o ataque, foram parcialmente desligados, segundo a estatal Energoatom.
“Atualmente, elas trabalham em modo de projeto, sem geração de energia para a rede doméstica”, disse a estatal.
Desde outubro, a Rússia reconheceu abertamente atacar os sistemas de energia civil e aquecimento da Ucrânia com mísseis de longo alcance e drones. Moscou diz que o objetivo é reduzir a capacidade de lutar do rival e para pressionar Kiev a negociar.
O governo ucraniano diz que os ataques à infraestrutura são um crime de guerra, deliberadamente destinados a prejudicar civis que se preparam para enfrentar um rigoroso inverno com deficiência no sistema de aquecimento.
Autoridades da Moldávia relataram que o país, que faz fronteira com a Ucrânia, também sofreu com falta de energia. Essa é a primeira vez que um estado vizinho relatou danos tão extensos desencadeados pela invasão da Rússia.
“Apagão massivo na Moldávia após o ataque russo de hoje à infraestrutura energética da Ucrânia”, disse o vice-primeiro-ministro Andrei Spuni no Twitter, acrescentando que a operadora estava tentando reestabelecer a eletricidade em “mais de 50% do país”.
A Moldávia, uma ex-república soviética, há muito se preocupa com a perspectiva de que os combates se espalhem por suas fronteiras. O país tem um governo pró-ocidental que pretende se juntar à União Europeia. Separatistas pró-russos ocupam uma parte do país ao longo da fronteira ucraniana há 30 anos.
‘Centros de invencibilidade’
Com o início da queda de neve na Ucrânia, as autoridades se preocupam com o impacto dos cortes de energia.
O presidente Volodymyr Zelenskiy anunciou que “centros de invencibilidade” especiais seriam criados em toda a Ucrânia para fornecer eletricidade, calor, água, internet e remédios gratuitamente.
Os recentes ataques às instalações de energia ucranianas acontecem após uma série de derrotas no campo de batalha russo, incluindo a retirada de tropas da cidade de Kherson.
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

