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Ex-diretora da Americanas transferiu bens ao filho antes do anúncio do escândalo contábil

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A ex-diretora da Americanas Anna Christina Ramos Saicali transferiu para seu filho as quotas de uma empresa com patrimônio de R$ 13 milhões a menos de 20 dias do anúncio feito pela companhia, em 11 de janeiro, de que havia “inconsistências contábeis” da ordem de R$ 20 bilhões no balanço.

A executiva ocupava uma das posições na diretoria estatutária aprovada pelo conselho de administração da Americanas, mas foi afastada, assim como os outros diretores, depois da revelação do escândalo contábil, que virou alvo de apuração na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), na Polícia Federal, no Ministério Público e na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados.

Em comunicado divulgado ao mercado pela nova gestão da companhia em 13 de junho, Saicali foi apontada como uma das participantes da fraude, ao lado de Miguel Gutierrez, ex-CEO da empresa, e dos ex-diretores José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, além de outros executivos.

O desembarque de Gutierrez já estava definido desde agosto do ano passado, quando a varejista anunciou que ele seria substituído por Sergio Rial, um executivo recrutado fora da companhia.

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Procurada pela Folha, a defesa de Saicali negou que a transferência dos bens para o filho tenha tido por finalidade proteger o patrimônio dela de eventuais medidas decorrentes das investigações, como a penhora de bens. Segundo o advogado de Saicali, Antenor Madruga, a cessão “decorreu de planejamento sucessório motivado por questões de saúde”.

Documentos registrados na Junta Comercial de São Paulo mostram que Saicali formalizou em junho de 2018 a abertura de uma empresa chamada Taboca Ventures Participações Ltda., com sede em um apartamento de um prédio residencial que fica em um condomínio atrás do Shopping Iguatemi, na zona oeste de São Paulo.

Os papéis indicam que a firma tem a natureza de uma holding, com a finalidade de “constituir sociedades para atuar em setores diversos da economia” e “participar em outras sociedades, como sócia, quotista, acionista ou qualquer outra forma inclusive, através de consórcios e contas de participação”.

Na abertura, o capital social era de R$ 800 mil, integralizado em dinheiro. Saicali foi indicada como sócia-administradora e detentora de quase 100% das quotas, tendo seu filho Antonio Saicali Montanha Alves Correa como único sócio e dono de apenas uma quota no valor de R$ 1.

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Em julho de 2019, por meio de uma alteração do contrato social da Taboca, Saicali transferiu à empresa aproximadamente R$ 9 milhões em dinheiro e imóveis para elevar o capital da firma.

Por meio de nova alteração no fim do ano passado, Saicali cedeu para seu filho quase a integralidade de suas cotas na companhia, no valor total de mais de R$ 13 milhões, ficando com somente uma quota no valor de R$ 1.

O mesmo instrumento contratual formalizou também a transferência à Taboca de um terreno em São José do Rio Preto (SP) e uma fazenda em Sud Mennucci (SP), avaliados em cerca de R$ 2 milhões e R$ 800 mil, respectivamente, para aumentar o capital social da empresa.

Essa alteração contratual tem data de 23 de dezembro de 2022. A Americanas veio a público em 11 de janeiro de 2023 para anunciar as “inconsistências contábeis” da ordem de R$ 20 bilhões.

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Conclave para eleição do sucessor do papa inicia em 7 de maio

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Conclave para eleição do sucessor do papa inicia em 7 de maio

Conclave para eleição do sucessor do papa Francisco começará em 7 de maio

O porta-voz do Vaticano informou a data, ao mesmo tempo que o Museu do Vaticano anunciou o fechamento da Capela Sistina, a majestosa sala adornada com os célebres afrescos de Michelangelo, situada no Palácio Apostólico.

Os cardeais participarão de uma missa solene na Basílica de São Pedro no Vaticano na quarta-feira da próxima semana, após a qual aqueles com direito a voto – os que têm menos de 80 anos – se reunirão a portas fechadas para votar em um processo secreto que pode durar vários dias.

O primeiro pontífice latino-americano foi enterrado no sábado, após uma cerimônia solene de despedida na presença de líderes internacionais e de 400.000 pessoas.

Os cardeais foram convocados a Roma para escolher o novo papa. Do total de 135 com direito a voto – porque têm menos de 80 anos -, 80% foram designados por Francisco. Eles vêm de todas as regiões do mundo e muitos não se conhecem.

“Personalidade aberta”

Patricia Spotti espera que o novo pontífice “seja como o papa que faleceu”. “Deve ter uma personalidade aberta para todos”, disse à AFP esta mulher de 68 anos que viajou de Milão a Roma para o Ano do Jubileu, celebrado em 2025.

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Muitos fiéis temem que o novo papa represente um passo atrás em relação ao legado do jesuíta argentino, marcado pela luta contra os abusos sexuais de menores de idade na Igreja, por mais espaço para mulheres e leigos e pela defesa dos pobres e migrantes.

“Nosso desejo é encontrar alguém que se pareça com Francisco, não que seja o mesmo, mas em continuidade”, declarou o cardeal argentino Ángel Sixto Rossi, de 66 anos.

“É difícil dizer como imaginamos o perfil do novo papa”, destacou o cardeal italiano Giuseppe Versaldi, de 83 anos, sem direito a voto. “Tem que haver continuidade, mas também avançar em frente, não apenas repetir o passado”.

O cardeal espanhol José Cobo disse ao jornal El País que não será “nada previsível”.

Como no filme?

O conclave provoca fascínio há vários séculos. O recente filme homônimo do diretor alemão Edward Berger, que venceu em março o Oscar de melhor roteiro adaptado, popularizou ainda mais o evento.

“Mais da metade de nós viveremos nosso primeiro conclave. É uma oportunidade para mostrar ao mundo que filmes como ‘Conclave’ e outros semelhantes não são a realidade”, disse o cardeal espanhol Cristóbal López Romero ao portal oficial Vatican News.

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O filme retrata o processo de eleição de um novo papa, em reuniões a portas fechadas. O relato fictício mostra as tensões entre diversas alas do Vaticano.

Mas as divisões dentro da Igreja não são uma ficção. As reformas impulsionadas por Francisco e seu estilo simples despertaram críticas entre os setores mais conservadores, que apostam em uma mudança mais focada na doutrina.

“Hoje, precisamos de união, não de divisão”, advertiu no domingo o cardeal do Mali Jean Zerbo, de 81 anos, após uma oração dos cardeais diante do túmulo de Francisco.

As apostas

O cardeal alemão Reinhard Marx espera um conclave de “poucos dias”.

Roberto Regoli, professor da Universidade Pontifícia Gregoriana, acredita que não será rápido. “Estamos em um período em que o catolicismo está enfrentando várias polarizações e os cardeais terão que encontrar alguém que saiba forjar uma unidade maior”, disse.

Com os conflitos e as crises diplomáticas no mundo, o italiano Pietro Parolin aparece como um dos favoritos. O cardeal atuou como secretário de Estado com Francisco, depois de ocupar o posto de núncio na Venezuela.

A casa de apostas britânica William Hill o coloca à frente do filipino Luis Antonio Tagle, seguido do cardeal ganês Peter Turkson e do também italiano Matteo Zuppi.

“ISTOÉ”

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