Educação

Investimento em educação será 15% menor do que o do ano passado

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PAULA SALATI • SÃO PAULO

O orçamento de investimentos do Ministério da Educação (MEC) será 15% menor em relação ao que foi executado em 2018. Em todo o ano passado, o governo federal direcionou o valor de R$ 5 bilhões para obras e novos projetos educacionais, enquanto o previsto para 2019 é de R$ 4,2 bilhões.

Em relação a 2014, quando a União investiu R$ 12 bilhões, o corte chega a 66%. Por outro lado, a previsão para os gastos de custeio do sistema educacional (administração, manutenção de programas já existentes, salários e aposentadorias dos servidores) é ascendente.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 prevê direcionar R$ 118,7 bilhões para a Educação (excluindo os investimentos), expansão de 13% frente ao orçamento de 2018 (R$ 104 bilhões).

Na avaliação do professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV), Renan Pieri, os cortes nos investimentos refletem a solução de curto prazo adotada pelo governo para conter a expansão das despesas obrigatórias, como o custeio da máquina e com a Previdência Social.

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“No longo prazo, isso significa uma estagnação educacional, tendo em vista a redução da capacitação dos professores, a redução dos recursos para materiais em sala de aula e do crescimento do número de alunos por sala, por exemplo”, ressalta o professor da FGV. Segundo Pieri, a discussão pública a respeito da educação, a nível federal, tem focado em questões ideológicas que, ao seu ver, são secundárias.

Contudo, Pieri avalia que são positivas as sinalizações do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, em focalizar esforços na alfabetização.

A coordenadora do Centro de Excelência e Inovação de Políticas Educacionais (CEIPE-FGV), Claudia Costin, concorda com Pieri, acrescentando que a outra indicação do governo de priorizar o ensino técnico também caminha em um sentido positivo.

Por outro lado, ela discorda da posição do ministro de que há um foco excessivo no ensino superior e de que essa etapa deveria ser voltada “para uma elite intelectual”.

“No Brasil, somente 18% dos jovens entre 25 a 34 anos tem diploma universitário. Na Coreia do Sul, por exemplo, essa porcentagem chega a 70%”, comenta Costin.

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“Isso não significa que, necessariamente, nós precisamos atingir esse mesmo número. Porém é preciso entender que a universidade tem que estar aberta a todos”, conclui a coordenadora do CEIPE.

TV Notícias com DCI 

 

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Prefeitura proíbe uso de celulares em sala de aula e no recreio

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Por Vinicius Lisboa

A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou nesta sexta-feira (2) decreto que restringe o uso de celulares nas escolas da rede municipal. Segundo a publicação assinada pelo prefeito, Eduardo Paes, os dispositivos só poderão ser usados antes da primeira aula e após a última, à exceção de casos especiais.

O decreto já entrou em vigor, mas seus efeitos passam a valer após 30 dias, segundo o texto. A Secretaria Municipal de Educação ainda precisará editar ato normativo para regulamentar a medida.

Proibição no recreio

A proibição do uso de celulares vale para dentro de sala de aula e também os intervalos entre as aulas, incluindo o recreio. Apenas na Educação de Jovens e Adultos será permitido o uso de celulares nos intervalos.

O decreto orienta que os celulares e demais dispositivos eletrônicos deverão ser guardados na mochila ou bolsa do próprio aluno, desligado ou ligado em modo silencioso e sem vibração. Apesar disso, a publicação deixa margem para que a equipe da escola adote outra estratégia de preferência.

Caso haja desrespeito à proibição, o decreto autoriza os professores a advertir os alunos e cercear o uso dos dispositivos em sala de aula.

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Exceções

Apesar da proibição, os professores podem propor a utilização dos celulares e dispositivos eletrônicos para fins pedagógicos, como pesquisas, leituras ou acesso a outros materiais educativos.

Os alunos com deficiência ou com condições de saúde que necessitam destes dispositivos para monitoramento ou auxílio de sua necessidade também têm autorização para mantê-los em funcionamento na escola.

O uso também pode ser liberado quando a cidade estiver classificada nos estágios operacionais 3, 4 e 5 pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Isso ocorre em situações que causam impacto na rotina da cidade, como temporais que provocam alagamentos e incidentes graves de trânsito ou segurança pública.

Consulta pública

Antes de a prefeitura publicar o decreto, a Secretaria Municipal de Educação realizou uma consulta pública sobre a proibição, que contou com mais de 10 mil contribuições.

Segundo a secretaria, o resultado foi de 83% de respostas a favor, 6% contrárias e 11% parcialmente favoráveis.

Na época, o secretário municipal de educação, Renan Ferreirinha, destacou a relevância do resultado. “São números que mostram o grande interesse por essa discussão e o quanto a sociedade está consciente da importância e urgência que esse problema precisa ser enfrentado”.

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Apesar disso, especialistas ouvidos pela reportagem no lançamento da consulta pública avaliaram a proibição com ponderações. A pedagoga Rosemary dos Santos, pesquisadora da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), acredita que é mais importante trazer a discussão do uso desses dispositivos para a escola.

“O aluno vai usar em todos os lugares, menos na escola? Que lugar é esse da escola que abre mão de discutir o que é vivenciado por todo mundo? O uso excessivo não se dá porque o aluno usa o celular na escola, mas sim porque ele usa em todo lugar. As questões que emergem a partir desse uso precisam ser problematizadas em sala de aula. Não é o uso na escola que pode gerar depressão ou que pode levar o aluno a conteúdos inadequados. É o uso na sociedade. E a escola é um local adequado para essa discussão. Se o excesso de uso de tela gera problemas, a escola precisa discutir,” explicou.

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