ECONOMIA
Lula admite não cumprir meta de déficit zero para 2024: ‘O mercado é ganancioso demais’
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta sexta-feira, 28, que o governo “dificilmente” cumprirá a meta fiscal de déficit zero em 2024. A meta foi estabelecida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como necessária para que o arcabouço fiscal fique de pé. Para Lula, porém, muitas vezes o mercado é “ganancioso”.
Em café da manhã com jornalistas, Lula disse que, para ter um déficit zero nas contas públicas, o País precisará fazer corte de investimentos. “Dificilmente chegaremos à meta zero até porque não queremos fazer corte de investimentos e de obras”, afirmou o presidente. “Eu não vou começar o ano fazendo um corte de bilhões nas obras que são prioritárias nesse país. Eu acho que, muitas vezes, o mercado é ganancioso demais e fica cobrando a meta que eles acreditam que vai ser cumprida”
Lula observou que a meta pode ficar com rombo nas contas públicas entre 0,25% a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). “Tudo o que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal, a gente vai fazer. O que posso dizer é que ela não precisa ser zero. A gente não precisa disso”, argumentou. “Se o Brasil tiver o déficit de 0,5% o que é? 0,25% o que é? Nada. Então, vamos tomar a decisão correta e nós vamos fazer aquilo que vai ser melhor para o Brasil.”
O presidente disse que vai conversar com Haddad sobre o assunto. “Eu sei da disposição do Haddad, sei das vontades do Haddad, sei da minha disposição, e quero dizer para vocês que nós dificilmente chegaremos à meta zero”.
”Se tiver um presidente que é amigo do Hamas, é para ele que vou ligar”, diz Lula
Ao tratar sobre a guerra no oriente média, Lula disse que entraria em contato com qualquer País que se autodeclare aliado do Hamas para intervir pela libertação dos reféns sob posse grupo terrorista desde o ataque do dia 7 de outubro a Israel. O petista, contudo, falou que seria necessário fazer demandas semelhantes ao governo de Bejamin Netanyahu para que abrisse as fronteira e libertasse presos palestinos.
“Se eu tiver informação: ‘Oh Lula tem um presidente de tal país que é amigo do Hamas. É para ele que eu vou ligar. ‘O cara fala para o Hamas libertar os reféns, p…’. E também falar par ao governo de Israel libera os presos, os sequestrados, abra a fronteira para sair os estrangeiros”, disse Lula em café com jornalistas no Palácio do Planalto.
O presidente repetiu que o governo classifica o ato do Hamas no dia 7 de outubro como terrorista, mas não usou o mesmo termo para se referir ao grupo em si. Lula também repetiu o uso do termo “insanidade” ao falar sobre Israel, mas dessa vez disse que o primeiro-ministro Bejnamin Netanyahu age dessa forma ao querer “acabar com a Faixa de Gaza”.
Em meio às críticas sobre os rumos do conflito, Lula disse que o governo brasileiro manterá a missão de repatriação para retirar todos os brasileiros da zona de guerra. “Nós não deixaremos um único brasileiro ficar em Israel ou na Faixa de Gaza”, afirmou.
Ao tratar sobre a atuação do Brasil na mediação do guerra, o presidente classificou a posição adotada pelo Itamaraty como “extraordinário” e disse ter ouvido elogios de outros líderes das Nações Unidas. Nessa esteira, Lula disparou contra o Conselho de Segurança da ONU classificando o veto dos Estados Unidos à resolução brasileira como parte da “loucura” que é o poder de veto dos cinco membros titulares.
“Eu vi um manchete dizendo: ‘proposta do Brasil é rejeitada’. É mentira, na verdade não foi rejeitada. Tinha quinze votos em jogo, ela teve doze (favoráveis), duas abstenções e um contra. Como é que ela pode ter sido rejeitada? Ela foi vetada por causa de uma loucura que é o poder de veto concedido aos cinco países titulares do Conselho de Segurança da ONU, que eu sou totalmente, radicalmente, contra. Isso não é democrático”, disse.
Lula ainda fez críticas ao Conselho de Segurança da ONU, do qual o Brasil exerce a Presidência. De acordo o presidente, o grupo é uma disputa de vetos entre Estados Unidos e a Rússia. Os norte-americanos vetaram a resolução apresentada pela diplomacia brasileira para que fosse instalado um cessar-fogo humanitário entre Israel e Hamas para a retirada de civis da Faixa de Gaza. O governo Joe Biden argumentou que o texto apresentado pelo Brasil não citava o direito de auto defesa de Israel.
“É importante lembrar que foi o Oswaldo Aranha (diplomata brasileiro) que presidiu a sessão de 1947 que criou o Estado de Israel. A ONU, portanto, deveria agora ter coragem de assegurar a criação do Estado palestino para viver em paz, harmonicamente. É isso que queremos e disso o Brasil não abre mão”, afirmou,
Diante da derrota, o governo Lula reforçou o discurso de reforma do Conselho de Segurança da ONU. “Queremos democratizar o Conselho porque hoje ele vale muito pouco”, disse Lula.
“O Brasil tem que ser generoso na relação, porque é esse País de paz que queremos construir. E é uma contradição com os cinco países do Conselho de Segurança. São os cinco países que fabricam armas, que vendem armas e falam em guerra. É a contradição. Por isso é que nós queremos mudar o Conselho de Segurança. Queremos que entrem vários países”, disse Lula.
“Congresso não é espaço para dizer Amém para tudo’
No café da manhã, que durou quase uma hora e meia, Lula disse que não está fazendo negociações de cargos com o Centrão e procurou minimizar o troco dado pelo Senado em algumas votações. “O Congresso não é o espaço que as pessoas dizem ‘Amém’ para tudo”, afirmou.
Lula disse ter sofrido quando demitiu Ana Moser do Ministério do Esporte e Rita Serrano da presidência da Caixa e explicou a substituição de Daniela Carneiro no Turismo como tendo sido fruto de uma mudança de partido – ela trocou o União Brasil pelo Republicanos.
Lula afirma ter ‘culpa’ na rejeição de indicado à Defensoria Pública pelo Senado
O presidente afirmou no café da manhã que, “provavelmente”, tem “culpa” pelo Senado ter rejeitado o nome de Igor Roque para o comando da Defensoria Pública da União (DPU), no que foi lido no Congresso como um recado de insatisfação com o governo.
“O fato de eles não terem aprovado o Igor para o DPU provavelmente eu tenha culpa, porque eu estava hospitalizado e não pude conversar e sequer avaliar se ele seria votado, ou não. Lamento profundamente.”, justificou Lula.
Foram 35 votos favoráveis à indicação de Igor Roque e 38 votos contrários. Com isso, a indicação foi rejeitada e será arquivada. Como a votação para indicações é secreta, não é possível saber como cada um dos senadores votou. É a primeira indicação de Lula que foi rejeitada pelo plenário do Senado.
Lula ainda disse não ter informações se Roque conversou com senadores e líderes do governo para viabilizar a sua aprovação.
‘Enquanto eu for presidente não tem GLO’, diz Lula
O presidente disse que não enviará as Forças Armadas para intervir na crise de segurança pública do Rio de Janeiro e que, enquanto ocupar o Palácio do Planalto, não haverá decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
“Eu não quero as Forças Armadas nas favelas brigando com bandido. Não é esse o papel das Forças Armadas e enquanto eu for presidente não tem GLO. Eu fui eleito para governar esse país e vou governar”, disse Lula em café com jornalistas.
O petista ainda criticou a intervenção militar realizada durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). De acordo com o ele, o apoio federal deve ocorrer por meio de inteligência com o apoio de agentes da Força Nacional e da Polícia Federal (PF). “Gastou-se uma fortuna com o exército no Rio de Janeiro e não se resolveu nada. Quando você faz uma intervenção abrupta os bandidos tiram férias e quando termina eles voltam”, disse.
Lula, por outro lado, afagou as tropas ao dizer que o País não pode julgar os militares pelo ocorrido no dia 8 de janeiro. O presidente disse querer recuperar a credibilidade das instituições.
“Estadão”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


