ECONOMIA
Indústria brasileira enfrenta desafios para promover transição energética
ECONOMIA
A transição energética no Brasil representa tanto desafios quanto oportunidades para a indústria, que consome cerca de 30% da energia do País, de acordo com relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Embora 80% da energia consumida seja de fontes limpas, a competição global, especialmente da China, Estados Unidos e Europa, exige constante inovação.
O economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), alerta para o risco de acomodação diante da vantagem atual. A descarbonização da indústria, estimada em R$ 40 bilhões até 2050 pela Confederação Nacional da Indústria, enfrenta obstáculos como altas taxas de juros e escassez de financiamento a longo prazo.
“O BNDES está com uma linha de financiamento para digitalização e para inovação, que no fundo são os eixos organizadores dessa transição. Mas o BNDES não substitui o mercado privado de financiamento de longo prazo, apenas complementa. Para envolver esse mercado, deve-se baixar a taxa de juros”, diz Cagnin.
Professora da FIA Business School, Monica Kruglianskas destaca os benefícios de investir na transição para atrair clientes e investidores preocupados com a sustentabilidade. Com condições adequadas de financiamento, será possível superar desafios como a modernização de instalações, a substituição de máquinas ultrapassadas e a expansão da infraestrutura para apoiar fontes renováveis de energia.
“A transição pode ajudar a atrair novos clientes e investidores, que estão cada vez mais preocupados com a sustentabilidade. O setor financeiro exige que as empresas divulguem não somente seu impacto ambiental, mas também seus planos de ação de curto e longo prazo para redução de emissões.”
Em busca da autossuficiência
O biocombustível é uma das principais frentes de inovação no setor energético brasileiro e também uma aposta para viabilizar a transição. “Ele é uma alternativa interessante para as indústrias locais. Em particular se acoplarmos ao processo de captura e estocagem de carbono (BECCS), pois nesse caso é possível ter pegada de carbono negativa”, explica a professora Suani Coelho, do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP.
Para cortar custos, algumas indústrias brasileiras estão investindo em projetos de energia solar, energia eólica e produção de biogás a partir de resíduos florestais, cita Kruglianskas. “Dessa forma, geram sua própria energia, reduzem sua dependência de fontes de energia fósseis e contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa [GEE].”
Novos produtos
A transição energética abre frente para o desenvolvimento de novos produtos, o que significa o surgimento de mercados inteiramente inexplorados. Para a indústria brasileira, o momento de mudanças representa também a possibilidade de avançar na produção de produtos tecnológicos, mais complexos e sustentáveis.
É o caso do hidrogênio verde, que desponta como aposta para descarbonização de segmentos em que a transição se torna mais complexa, como a siderurgia (ramo com forte presença brasileira). “É um setor que pode gerar oportunidades para a indústria do Brasil. Não se trata apenas da produção de hidrogênio verde, mas também de produzir insumos e desenvolver mercados de derivados. Constituir cadeias, fortalecer cadeias e descarbonizar cadeias em torno dessa atividade. Caso contrário, vai ser mais uma commodity que agrega muito pouco valor para o País. Precisa fincar pé”, conclui Cagnin.
“Estadão”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


