ECONOMIA
Estados aumentam imposto sobre encomendas internacionais para 20%
ECONOMIA
O ajuste começa a valer já a partir de abril. Impacto da mudança no preço final das mercadorias importadas preocupa consumidores e especialistas
A partir deste mês, os Estados brasileiros elevarão a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicado a encomendas internacionais, passando de 17% para 20%. A decisão foi firmada em dezembro de 2024 por meio de um acordo no âmbito do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
O impacto dessa mudança no preço final das mercadorias importadas preocupa consumidores e especialistas. Segundo Carlos Eduardo Navarro, professor da pós-graduação em Direito Tributário da FGV, o efeito pode ser significativo, pois o ICMS importado incide sobre uma base de cálculo ampla, que inclui não apenas o valor do produto, mas também o frete e outros tributos.
“Esses 3% de aumento de alíquota vão ter um efeito muito grande quando comparados exclusivamente ao preço do produto. No entanto, essa medida pode aumentar a competitividade de empresas brasileiras, uma vez que produtos similares disponíveis no mercado interno tendem a se tornar mais atrativos aos consumidores”, explica Navarro.
Natasha Giffoni Ferreira, sócia do escritório Volk & Giffoni Ferreira Advogados, destaca que há preocupação de que o aumento do ICMS tenha efeitos similares aos da chamada “taxa da blusinha”, implementada pelo governo federal.
“O aumento da alíquota pode levar a um crescimento na arrecadação dos Estados, mas também pode desencadear uma redução das importações, como ocorreu anteriormente. No entanto, considerando que o mercado já se ajustou à taxa da blusinha, a expectativa é que o impacto seja menor e que os produtos importados continuem competitivos em relação aos nacionais”, afirma Giffoni.
Rafael Balanin, sócio da área tributária do escritório Gasparini, Barbosa e Freire Advogados, explica que, apesar do acordo entre os estados, a efetiva implementação do reajuste depende de aprovação pelas Assembleias Legislativas locais.
“A decisão de aumentar a alíquota visa padronizar a carga tributária e fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros. No entanto, alguns Estados já aplicavam a alíquota de 20%, o que significa que, para importações feitas nessas regiões, não haverá aumento na carga tributária”, esclarece Balanin.
Cálculo do ICMS e impacto nos preços
Para entender o impacto do aumento, considere um produto comprado por R$ 100,00, com um Imposto de Importação de 20%. Com a alíquota do ICMS a 17%, a soma dos tributo era de R$ 24,58. Com o novo percentual de 20%, esse valor sobe para R$ 30,00, um aumento de aproximadamente 22% na parcela referente ao ICMS.
Mesmo com alta na tributação, a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais ainda é uma questão a ser avaliada. Especialistas alertam que o impacto final nos preços dependerá também de como as empresas ajustarão suas margens de lucro e custos operacionais.
“CB”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


