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PF prende professor ligado aos atos de 7 de Setembro em SC

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A prisão de um professor de Otacílio Costa, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de domingo (5), pela Polícia Federal de Lages, causou estranheza até aos agentes do Presídio Regional, para onde o homem foi levado. “É uma situação atípica, nunca tivemos um preso a mando do STF”, teriam dito os agentes.

O advogado Silvano Willian, que defende o detido e divulgou o fato em suas redes sociais, informou que ainda não tem conhecimento de todo o teor do inquérito que levou seu cliente à prisão, mas o caso está no mesmo processo que investiga personalidades como o caminhoneiro Zé Trovão, caminhoneiro que também teve prisão decretada por Alexandre de Moraes; e o cantor Sérgio Reis.

Advogado do professor postou foto em frente à Polícia Federal, em Lages – Foto: Reprodução/Instagram

Willian disse que a prisão do professor de Otacílio Costa, provavelmente, ocorreu pelo fato dele ser apoiador do presidente Jair Bolsonaro e ter participado de uma live, na sexta-feira (3), que, supostamente, convocava pessoas para a participação de manifestação incitando atos violentos.

O advogado ainda não entende como e por que o caso chegou ao Supremo e deve entrar em contato com a corte na manhã de segunda-feira (6) para se inteirar dos fatos e impetrar um habeas corpus.

A Polícia Federal informou que o mandado de prisão foi expedido pelo fato de o “homem ter postado ameaças contra o Ministro Alexandre de Moraes e o STF nas redes sociais”. “Cumprimos o mandado de prisão ontem [domingo] e, após todo procedimento, ele [o professor] foi encaminhado ao presídio regional de Lages.”

‘São Joaquim On Line’

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Estudo aponta meio milhão de tuítes ofensivos à imprensa em três meses no Brasil

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Por Patrícia Campos Mello 

Levantamento da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e do Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio) registrou meio milhão de tuítes contendo hashtags ofensivas à imprensa em apenas três meses, sendo que 20% deles partiram de contas com alta probabilidade de comportamento automatizado.

Segundo o relatório, grupos de comunicação considerados críticos ao governo Jair Bolsonaro e jornalistas mulheres foram os alvos preferenciais no monitoramento realizado entre os dias 14 de março e 13 de junho de 2021.

A pesquisa monitorou as mais frequentes hashtags de ataque à imprensa no período: #imprensalixo, #extreamaimprensa, #globolixo, #cnnlixo e #estadãofake. Além disso, os pesquisadores mapearam episódios de assédio nas redes contra perfis de alguns jornalistas, como Maju Coutinho (TV Globo), Daniela Lima e Pedro Duran (CNN Brasil), Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha, e Rodrigo Menegat (DW News).

Segundo o levantamento, a quantidade de tuítes mencionando jornalistas mulheres foi 13 vezes maior do que aqueles que se referiam aos colegas homens. Em 10% dos tuítes estavam presentes termos depreciativos e palavrões como safada(o), vagabunda(o), puta(o), burra(o), ridícula(a), idiota, arrombada(o) e imbecil.

A incidência desses termos foi 50% maior quando direcionados às jornalistas mulheres, em relação aos homens.

De acordo com o estudo, o uso de contas automatizadas indica “mobilizações orquestradas com o objetivo de ampliar artificialmente movimentos de ataques à imprensa no Twitter”.

“A utilização de robôs multiplica o alcance nas redes em torno de determinados assuntos, criando uma percepção falsa de uma adesão maior do que a real a determinadas posições ao estimular artificialmente um efeito de manada”, afirma o relatório.

“A identificação de contas automatizadas também sugere que existem determinados atores com interesses políticos, recursos financeiros e capacidade técnica mobilizados para promover um ambiente de descrédito generalizado à imprensa nas redes sociais.”

O diretor regional da RSF para América Latina, Emmanuel Colombié, diz que “as críticas à imprensa são absolutamente normais, saudáveis e necessárias em qualquer democracia”. “Isso nada tem a ver com os movimentos organizados de ódio ao jornalismo que ganham intensidade no ambiente digital e em particular nas redes sociais.”

“O estudo demonstra justamente a escala avassaladora dessas campanhas que buscam apenas reforçar uma ideia simplista: a imprensa é uma inimiga e deve ser combatida. Quando essa ideia se instala em amplos setores da sociedade, ela se torna um mecanismo de intimidação e silenciamento mais eficiente do que os instrumentos explícitos de censura do Estado.”

Entre os dias 14 e 19 de março, Mariliz Pereira Jorge foi alvo de uma onda de ataques nas redes após a publicação de uma coluna na Folha crítica a Bolsonaro.

No mesmo período, Maju Coutinho foi atacada por um comentário em relação às medidas de isolamento social na pandemia.

Nos dias 6 e 27 de maio, Daniela Lima foi alvo de ataques por comentários relacionados à operação policial na favela do Jacarezinho e ao desemprego no país. O repórter Pedro Duran foi atacado nas redes após ter sido expulso de uma manifestação bolsonarista em 22 de maio.

E Rodrigo Menegat foi massivamente atacado no fim de maio após acusação falsa de ter hackeado o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde com orientações a infectados pela Covid-19.

O levantamento avaliou questões como intensidade e volume total de menções às hashtags, interações e perfil ideológico dos usuários que fizeram uso das hashtags, grau de probabilidade de automação, teor de insultos e ofensas no conteúdo dos tuítes direcionado contra os jornalistas. Foi usado o PegaBot, ferramenta desenvolvida pelo ITS-Rio para detectar contas com alta probabilidade de serem bots.

Em 2020, a Repórteres Sem Fronteiras monitorou o discurso da família Bolsonaro —o presidente, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos—, de ministros, do vice-presidente Hamilton Mourão e da própria Secretaria de Comunicação Social da Presidência em relação à imprensa.

Juntos, eles fizeram 580 ataques, sendo 85% deles de autoria exclusiva do presidente e seus três filhos com cargos eletivos.

Apenas no primeiro semestre de 2021, a RSF documentou 331 ataques, partindo da mesma metodologia, considerando sobretudo agressões morais como ameaças, xingamentos e exposição de jornalistas e veículos de comunicação de maneira vexatória em declarações públicas, entrevistas e postagens em redes sociais.

O Brasil ocupa a 111ª colocação no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2021 elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras, tendo entrado para a zona vermelha do índice pela primeira vez. Em 2 de julho de 2021, a RSF incluiu Jair Bolsonaro em sua lista global de predadores da liberdade de imprensa.

‘Folhapress’

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