Roraima em ebulição!

Exclusivo: Garimpeiro fala ao jornalista Joel Teixeira, sobre a situação na Reserva Yanomami em Roraima

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Por Joel Teixeira

Diante de uma força-tarefa em curso, organizada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama e da Força Nacional, a fim de retirar garimpeiros do território Yanomami em Roraima, o TV Notícias conseguiu falar com um garimpeiro que atua há mais de 5 anos no Estado. Ele e um irmão, conseguiram sair da reserva antes de o Governo Federal declarar a desocupação. O homem falou sobre a situação dos mais de 20 mil garimpeiros ilegais no território indígena.

Situação dos Yanomami

Noticiada todos os dias, todos sabemos sobre a situação sub-humana a que os Yanomami, donos de uma extensão territorial  de 9.664.975 ha,  foram encontrados. Imagens chocantes, dantes vistas somente em situações repugnantes como o holocausto. O novo Governo Federal reagiu e busca soluções para o urgente socorro aos nativos e a desocupação dos garimpeiros na reserva.

Bebê Yanomami em visível estado de desnutrição (2023)

Mas, jornalista é curioso e, resolvi buscar alguém que vive o outro lado, que busca seus sonhos e metas de forma ilegal e faz parte dos mais de 20 mil garimpeiros que exploram diversos locais na região, sem nenhum controle ambiental; achei um garimpeiro que topou falar comigo.

Ouvimos o lado de um garimpeiro

O nosso entrevistado pediu para não ser identificado, por medo de ser responsabilizado por possíveis crimes ambientais. Mas teme que se o Governo Federal não resgatar a tempo as pessoas que tentam sair da reserva, muitas irão morrer nas florestas, sem comida, sem água potável e por exaustão, “pois é Joel, o trem aí pra dentro é triste. Lá onde nóis tava mesmo, 300 km pra dentro, só vai de helicóptero, não vai de avião, é só clareira. Aí o Governo dentro de um dia, fechou o espaço aéreo, fechou tudo, entendeu? Daí os donos de máquinas, os caras que voava vai para perder avião? Cada avião é 800 mil, helicóptero é 2 milhões; vazaram tudo.

Cara, vai morrer muita gente aí pra dentro, é um genocídio que vai acontecer. Eles vão salvar os índios e deixar morrer os garimpeiros ? É sacanagem, teriam que dar um prazo pro cara sair, 15 dias, ó saí, sai que estamos entrando. Todo mundo quer sair, todo mundo é trabalhador, não tem bandido aí pra dentro não. A não ser em Arariquera que tinha uma facção, mas foram os primeiros a sair…”disse.

Índios andariam armados

“E outra, os índios andam todos bem armados. Índio não tem cabeça não! A hora que ele ver que garimpeiro tá saindo, o que tiver eles matam pra tomar. Matar gente para eles é a mesma coisa de matar bicho. Eles não estão nem aí não. E daí acaba comida… enquanto está dando comida para eles, vão aguentando, dão uma de amigo, mas não são amigos, são bichos do mato, são assim, xucros entendeu ? Eles não entendem as coisas. “

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Índios supostamente corruptos

O garimpeiro disse ainda que sonha que eu faça uma reportagem para mostrar que os índios são corruptos, “ uma época, cara era o meu sonho você ir aí pra dentro ( referindo-se à reserva Yanomami) onde nóis entrava, para você fazer uma reportagem, para você ver como funcionam os índios aí, que não é nada do que a turma fala. É só quem tá lá dentro pra ver. Joel, ah se um garimpeiro relar a mão em um índio ou tratar ele mal! Eles se reúnem rapidinho e você tem que sair fora, eles dão 24 horas para você sair. Quem manda é eles; esse negócio aí que garimpeiro tá prejudicando índio é besteira. É tudo eles que aceita, se eles não aceitarem na área deles, sai fora na mesma hora.

Eles cobram renda, é comida para eles que você tem que dar, se não der não trabalha. É desse tipo. Mas não adianta ficar falando, é só indo pra ver. Você que é um cara instruído, eu sonhava um dia você vir, só para você ver, cara como que é totalmente diferente do que a Globo mostra, que os outros mostram.

Para o garimpeiro, a saída seria a legalização dos garimpos

“Em tudo quanto é país, a moeda forte que é o ouro foi tirada e estão tirando, só não no Brasil. Por que isso? Por que não legaliza para trabalharmos sossegados. Você sabe que não tem 1% da área que tem ouro é tudo mixaria o que destrói. Destrói, mas também tira dinheiro, que dá emprego, que dá tudo. Eu penso assim, mas não posso fazer nada. EU só espero que não deixem a turma morrer de fome. Se demorar para socorrer, vira uma guerra aí pra dentro, aí morre de fome, morre andando, não tem como…”

A visão do garimpeiro sobre um possível caos, caso os 20 mil garimpeiros que estão saindo das terras Yanomami fiquem na capital Boa Vista

“Boa vista já tem 300 mil venezuelanos. A cidade era uma beleza aqui, não tinha furto, não tinha nada, acabou a cidade. Agora vem mais 20 mil garimpeiros, a hora que chegarem aqui, eu não sei o que vai acontecer, é só Deus na causa. A renda aqui é ouro, tirando as máfias do governo aí que trabalham para o Estado, o que corre aqui é ouro.”

Sobre a miséria, a fome e a desnutrição dos Yanomami

Aí pra dentro (referente a reserva Yanomami) morre mesmo. Aí não tem mais caça, não tem mais peixe, área indígena não tem mais nada. Joel, eles mata tudo, joga timbó na água e mata tudo de uma vez (sumo de erva leguminosa tradicionalmente usada por índios e ribeirinhos para jogar na água e atordoar peixes para pesca-los) e falam que é os garimpeiros de destrói, mentira.

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Cada mulher passa com 10, 12 sacos de timbó, vai lá e de lambari pra cima não fica um. Não tem mais caça, eles acham um bando de porcão ( Queixada – porco do mato) de tiver um bando de 50 eles matam tudo de uma vez, ficam 15 dias comendo e fazendo festa, tomando caxiri ( bebida feita de mandioca fermentada). É a vida deles, aí não tem mais comida, não tem nada. Os garimpeiros que tratam deles aí pra dentro, aí a hora que os garimpeiros vão embora, eles ficam bravos.

“Eles (Governo) não deixa dar uma semente para plantar porque dizem que eles ( Yanomami) tem que viver da culta deles. Eu falando aqui não adianta, você tinha que fazer uma reportagem e perguntar para os índios… por que tem uns que passam aperto aí, porque tem os líderes deles, e aqueles líderes são sabidos, eles vem pra cidade, eles tem é fazenda, eles tem carro na rua, eles tem tudo. Eles recebem a renda (bolsa família ) e daí dizem que a Funai – Fundação Nacional do índio não deixa eles plantarem, é só semente mandioca. Não pode dar semente, não pode ensinar eles a trabalhar porque diz que eles tem de viver da cultura deles. Mas não tem mais peixe não tem mais nada! E agora, acabando os garimpos, o Governo tem mais é que tratar deles mesmo, porque não tem outro jeito, a cultura deles nunca incentivou eles trabalhar. O índios mais mansos ( aculturados ) andam é de Hilux ( caminhonete de alto padrão) mas esse lá dentro é desse tipo aí.”

Apuramos

Após afirmação do garimpeiro de que em Boa Vista, há mais de 300 mil venezuelanos, apuramos que de acordo com dados da Organização das Nações Unidas – ONU, 32 mil venezuelanos vivem na capital. Um relatório do projeto “Orinoco” feito pela ong Cáritas Brasileira, mostra que  5.867  deles vivem em situação de rua.

A bebida Caxiri

Apuramos também, que a bebida caxiri, citada pelo garimpeiro nessa reportagem, é feita de mandioca fermentada e com teor alcoólico. É oriunda da tradição milenar dos povos Macuxi em Roraima. Não conseguimos informações se a mesma bebida foi introduzida pelos Yanomami em seus costumes nas aldeias.

Ouça o áudio com o relato do garimpeiro para essa reportagem 

 

 

 

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Número de mortes por intoxicação por metanol em São Paulo sobe para cinco

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A Polícia Civil está conduzindo investigações em bares e adegas que levantam suspeitas; o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a Polícia Federal também está envolvida na apuração dos casos

Garrafas apreendidas durante fiscalização em bar na Mooca, zona leste de São Paulo, nesta segunda (29)Autoridades decidiram interditar cautelarmente todos os estabelecimentos que apresentem indícios de comercialização de bebidas adulteradas

O estado de São Paulo registrou um aumento no número de mortes por intoxicação por metanol, que agora chega a cinco. Os incidentes ocorreram tanto na capital quanto na região metropolitana. Até o momento, foram contabilizados 22 casos de intoxicação, sendo sete confirmados e 15 ainda em fase de investigação.

Em resposta à situação, as autoridades decidiram interditar cautelarmente todos os estabelecimentos que apresentem indícios de comercialização de bebidas adulteradas. Especialistas alertam que a contaminação por metanol geralmente está associada à falsificação de produtos, uma vez que a substância não altera o sabor ou o aroma, sendo identificável apenas em análises laboratoriais.Ainda não se sabe a origem do metanol ou como as garrafas foram contaminadas.

Polícia Civil está conduzindo investigações em bares e adegas que levantam suspeitas. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a Polícia Federal também está envolvida na apuração dos casos de intoxicação por metanol. Um inquérito foi aberto para investigar a origem da substância e verificar se houve distribuição em outros estados

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