AMÉRICA LATINA

Presidente do Equador declara guerra a facções em meio a onda de violência que matou 10

Publicado em

AMÉRICA LATINA

Por Guilherme Botacini 

Um dia depois de decretar estado de exceção no Equador e em meio a uma onda de criminalidade que deixou ao menos oito mortes, o presidente Daniel Noboa assinou novo decreto nesta terça-feira (9) em que reconhece que o país enfrenta um “conflito armado interno”. O mesmo documento lista 22 organizações criminosas como terroristas e ordena que as Forças Amadas executem operações “para neutralizar” os grupos citados.

Entre essas facções estão os Choneros, cujo líder, Fito, fugiu da prisão no domingo (7). O incidente fez irromper uma crise de violência —a imprensa local descreveu a madrugada desta terça como uma “noite de terror”, com explosões de carros-bomba e outros em atos aparentemente coordenados, além do sequestro de quatro policiais.

As ações ocorreram após Noboa, que enfrenta sua primeira crise desde que assumiu a Presidência em novembro, decretar um estado de exceção de 60 dias em todo o país. A medida inclui um toque de recolher de seis horas, de 23h às 5h.

O caos se manteve na tarde desta terça, quando homens encapuzados invadiram a sede da emissora TC na cidade portuária de Guayaquil, no sudoeste do território. Eles renderam apresentador e funcionários com armas e granadas em mãos durante uma transmissão ao vivo do telejornal El Noticiero, que em seguida saiu do ar.

Em vídeos da transmissão, é possível ver o grupo bradando contra a polícia. Profissionais da emissora aparecem deitados no chão e, ao fundo, soam o que parecem ser tiros.

Um dos funcionários que estava no local durante o ataque enviou a um repórter da agência de notícias AFP uma mensagem em que dizia: “Entraram aqui para nos matar”. Passaram-se cerca de 30 minutos até que as forças de segurança entrassem no local e prendessem ao menos 13 criminosos envolvidos na ação.

Em paralelo a isso, diferentes ataques ocorridos em Pascuales e em outras regiões de Guayaquil deixaram oito mortos e dois feridos, informou o jornal local El Universo com base em um balanço da polícia divulgado às 18h30 do horário local (20h30 em Brasília).

A Universidade de Guayaquil também foi invadida por homens armados. Imagens nas redes sociais e relatos na imprensa local mostram alunos e professores correndo assustados pelo campus e se refugiando em salas de aula. O Ministério da Educação suspendeu as atividades de escolas de todo o país até a sexta-feira (12).

Leia Também:  Empresas que receberam R$ 2,8 milhões da prefeitura de Sorriso “funcionam” em imóveis abandonados

Em Nobol, cidade próxima a Guayaquil, dois policiais foram mortos, de acordo com publicação das autoridades nas redes sociais.

Diante da crise, a Assembleia Nacional apoiou o Executivo, anunciando resoluções adotadas em conjunto por bancadas de diferentes colorações políticas. Uma das medidas anunciadas é a possibilidade de conceder indultos e anistias a policiais e militares envolvidos no combate ao narcotráfico.

O ex-presidente esquerdista Rafael Correa, que governou o país de 2007 a 2017 e apoiou no pleito do ano passado a candidata derrotada por Noboa, foi outro que declarou “total e irrestrito respaldo” ao presidente, pedindo a ele que não cedesse. Acrescentou ainda que “erros e discrepâncias políticas” seriam discutidos “no dia seguinte à vitória” do Estado sobre as organizações criminosas.

“O país vive um verdadeiro pesadelo, algo impensável há pouco tempo e fruto da destruição sistemática do Estado de direito, dos erros e do ódio acumulados nesses últimos sete anos. Agora é um momento de união nacional. O crime organizado declarou guerra ao Estado, e o Estado deve prevalecer”, disse Correa, que vive fora do país sob risco de ser preso ao retornar devido a uma condenação por corrupção.

A crise também gerou repercussões no exterior. O Ministério do Interior do Peru ordenou o envio de forças para a fronteira de seu país com o Equador e decretou estado de emergência em todas as cidades que compõem a linha divisória. A medida foi anunciada na madrugada desta quarta-feira (10 ).

Já a China anunciou o fechamento de sua embaixada, também a partir desta quarta.

O Itamaraty afirmou em nota que acompanha com preocupação a escalada de violência no país. Também disse estar apurando uma denúncia de sequestro de um cidadão brasileiro, Thiago Allan Freitas, em Guayaquil.

Ao declarar o estado de exceção na segunda-feira, Noboa afirmou que a medida permitiria que as Forças Armadas interviessem no sistema prisional equatoriano. “Não negociaremos com terroristas nem descansaremos enquanto não devolvermos a paz”, afirmou ele em vídeo publicado nas suas redes sociais.

Presídios equatorianos têm vivido conflitos frequentes nos últimos anos, com motins e confrontos que resultam em dezenas de mortes e sequestros de agentes de segurança.

Leia Também:  Mauro nega convite de Lula para ir a ato em 8 de janeiro

No decreto desta segunda, anterior ao reconhecimento do conflito armado interno, as Forças Armadas já haviam sido acionadas para se somar às ações da polícia nacional. A novidade foi o reconhecimento do estado de “conflito armado interno”, a listagem das fações reconhecidas como terroristas e a deliberação para que o Exército execute operações militares contra os grupos declarados.

O presidente anunciou na semana passada que construiria duas prisões de segurança máxima —semelhantes às que o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, mandou erguer em sua guerra contra as gangues— nas províncias de Pastaza (leste) e Santa Elena (sudoeste) para isolar os prisioneiros mais perigosos. Ele, que tomou posse em novembro, foi eleito sob a promessa de reduzir a violência em um país assombrado por seguidas crises de segurança.

A crise havia chegado a um ápice em agosto, após o assassinato a tiros do presidenciável Fernando Villavicencio após evento de campanha em Quito.

Fito, o prisioneiro que fugiu no fim de semana, foi, aliás, um dos principais nomes apontado nas investigações, ainda inconclusas, sobre o crime. Dias antes de ser morto a tiros durante um comício, o jornalista e deputado havia dito na rede X que estava sendo alvo de ameaças do criminoso, líder da Choneros —o cartel é o mais temido do Equador, e disputa rotas do tráfico de drogas com grupos com conexões com organizações do México e da Colômbia.

O crescimento da violência tem sido vertiginoso na nação. Em 2022, a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes foi de 25,9, índice que, cinco anos antes, em 2017, havia atingido o menor patamar em anos, com 5,8.

Espremido entre Peru e Colômbia, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador funciona como entreposto de exportação para a droga por via marítima e viu facções internas se associarem ao crime transnacional enquanto dominaram os presídios locais.

Nos últimos anos, o cultivo e a demanda pela cocaína atingiram níveis recordes no mundo, segundo a ONU, o que impactou também a distribuição e abriu novas rotas para o narcotráfico. Em um ano, 210 toneladas de drogas foram apreendidas no Equador, também um recorde.

“FolhaPress”

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AMÉRICA LATINA

Inflação mensal na Argentina em dezembro deve ser a mais alta desde 1990

Publicados

em

Por Hernan Nessi

BUENOS AIRES (Reuters) – A taxa de inflação mensal da Argentina provavelmente subiu para 28% em dezembro, o que seria a maior desde o início de 1990, impulsionada por uma forte desvalorização do peso no mês passado pelo novo governo do presidente libertário Javier Milei.

A mediana das previsões de 20 analistas locais e estrangeiros ouvidos pela Reuters ressalta o desafio que o país enfrenta, com uma inflação anual que deve chegar a 200%, uma das taxas mais altas do mundo.

Milei, um ‘outsider’ que assumiu o cargo em meados de dezembro devido à raiva dos eleitores em relação à elite política, promoveu uma desvalorização de mais de 50% do peso, uma moeda debilitada e artificialmente forte.

O youtuber e jornalista Oscar Alejandro foi às ruas testar a popularidade de Milei

Isso desencadeou uma onda de inflação reprimida, com os custos de alimentos, vestuário e transporte sofrendo um forte ajuste após a desvalorização, que tinha como objetivo reduzir a enorme diferença entre a taxa de câmbio oficial e as taxas paralelas amplamente utilizadas.

Leia Também:  Inflação mensal na Argentina em dezembro deve ser a mais alta desde 1990

“A aceleração foi claramente impulsionada pela acomodação dos preços que foi artificialmente atrasada”, disse Eugenio Mari, economista-chefe da Fundación Libertad y Progreso.

“O principal fator foi a taxa de câmbio no atacado. Isso elevou os preços dos bens comercializáveis, especialmente em alimentos e bebidas, que aumentaram cerca de 35% ao mês.”

As projeções dos analistas variavam de 16,9% a um pico de 31,5% para o mês. A agência oficial de estatísticas Indec divulgará os dados oficiais na quinta-feira.

A inflação galopante, que tem aumentado constantemente nos últimos anos devido aos profundos déficits fiscais, à baixa confiança no peso e à impressão de dinheiro para financiar o governo, é uma parte fundamental da pior crise econômica da Argentina em duas décadas.

Milei, que alertou sobre o risco de hiperinflação sem suas medidas de austeridade e cortes de gastos planejados, reconheceu que a inflação provavelmente ficará em torno de 30% em dezembro, embora tenha dito que poderia ter sido pior.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA