Agronegócios

LEITE/CEPEA: Demanda fraca pressiona valor para o menor patamar desde março/21

Publicado em

Agronegócios


Clique aqui e baixe o release completo em word.

Cepea, 28/01/2022 – O preço do leite captado em dezembro/21 e pago aos produtores em janeiro/22 recuou 0,6% em relação ao mês anterior, a R$ 2,1093/litro na “Média Brasil” líquida do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Pressionado pela demanda enfraquecida, esse valor é 5,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, sendo também o menor desde março/21, em termos reais (deflação pelo IPCA de dez/21).

Apesar de ser típica a queda de preços ao produtor nesta época do ano, observa-se que o forte movimento de baixa (que ocorre desde setembro de 2021) não está atrelado a um excedente de oferta – como sazonalmente tende a ocorrer – mas, sim, à fragilidade da demanda por lácteos e à perda do poder de compra do brasileiro. Agentes consultados pelo Cepea relatam que, mesmo com o preço da matéria-prima mais baixo nos últimos meses, ainda é complicado para os laticínios realizarem o repasse dos custos de produção dos lácteos para o consumidor. Com dificuldade em assegurar uma boa liquidez, a tendência entre dezembro e janeiro foi de aumento dos estoques de lácteos e de necessidade de diminuição no patamar das cotações negociadas com os canais de distribuição.

Leia Também:  Instituto AgriHub lança plataforma digital para escolha de tecnologias no campo

A pesquisa do Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), que monitora as negociações entre indústria e atacado no estado de São Paulo, mostrou que, em dezembro/21, houve bastante oscilação de preços, com tendência à queda. Ainda assim, na média mensal, os preços do leite UHT e do leite em pó não recuaram: ficaram 1,1% e 0,8% acima da média de novembro, respectivamente. Contudo, no mercado da muçarela, o cenário foi mais complicado: houve queda de 5,7%, na mesma comparação.

Assim, o enfraquecimento do consumo tem ditado o patamar dos preços na prateleira, o que vem sendo transmitido para o produtor no campo. Contudo, as irregularidades nas chuvas e as ondas de calor têm impactado a qualidade da alimentação animal, ao mesmo tempo em que os preços dos insumos continuam corroendo a margem do produtor de leite. Em dezembro, o poder de compra do pecuarista frente ao milho diminuiu em razão da valorização do grão no mercado interno e da queda no preço do leite no campo. Foram necessários 41,50 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do cereal, contra 38,52 litros registrados no mês anterior. Além disso, os preços dos principais insumos da atividade pecuária foram afetados pelo movimento de alta global das commodities, principalmente do petróleo, que encareceu a produção, o transporte e a distribuição dos produtos. Soma-se a esse contexto a persistente desvalorização do Real frente às moedas estrangeiras, o que encarece ainda mais a importação das matérias-primas para suplementos minerais, adubos, agroquímicos e medicamentos.

Leia Também:  Demanda aquecida sustenta preços do arroz no Brasil

Nesse contexto, os investimentos na pecuária leiteira têm sido comprometidos, com perda no potencial produtivo do País. Assim, a oferta de leite seguiu enxuta no campo, e o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) registrou queda de 1,9% de novembro para dezembro.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de dezembro/2021)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui, por meio da Comunicação do Cepea e com a pesquisadora Natália Grigol: [email protected].

Fonte: CEPEA

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agronegócios

Revisão contratual se torna estratégia chave para empresas em tempos de crise econômica

Publicados

em

Flexibilidade nos contratos ajuda a manter negócios ativos e reduzir riscos jurídicos

Revisão contratual se torna estratégia chave para empresas em tempos de crise econômica

Em um cenário econômico instável, marcado por inflação, variações nas taxas de juros e crises setoriais, a revisão contratual surge como uma ferramenta essencial para garantir a sustentabilidade dos negócios. Mais do que uma medida jurídica, ela se torna um aliado estratégico na gestão empresarial, permitindo que empresas e profissionais adaptem seus compromissos às mudanças do mercado e evitem litígios desnecessários.

Revisão contratual: prevenção e governança corporativa

Segundo o advogado Marco Aurélio Alves de Oliveira, da Hemmer Advocacia, a revisão de contratos deixou de ser apenas uma ação emergencial e passou a integrar as políticas de governança corporativa de empresas que buscam segurança jurídica.

“A revisão contratual é uma ferramenta preventiva. Ela garante que as partes possam renegociar cláusulas diante de situações imprevistas, como oscilações econômicas, alterações legislativas ou crises setoriais. O objetivo é preservar o equilíbrio financeiro e a continuidade das relações comerciais, sem que seja necessário recorrer ao Judiciário”, explica Marco Aurélio.

Base legal e antecipação contratual

A revisão contratual está prevista no artigo 478 do Código Civil, que permite a alteração ou rescisão de contratos quando acontecimentos imprevisíveis comprometem o equilíbrio financeiro entre as partes.

Leia Também:  Finep aprova subvenção de R$ 72,6 milhões ao CTC para inovações no setor sucroenergético

No entanto, a antecipação contratual, por meio de cláusulas específicas de revisão, é considerada a melhor estratégia para evitar litígios.

“O ideal é que as empresas já incluam nos contratos cláusulas de revisão, que definam parâmetros claros para renegociação em caso de desequilíbrio econômico. Isso reduz incertezas e traz mais previsibilidade para as partes envolvidas”, complementa Marco Aurélio.

Aplicação prática em diversos setores

A revisão contratual tem sido utilizada em setores como fornecimento, locação comercial, prestação de serviços e financiamentos, especialmente durante períodos de retração econômica.

Com a alta dos custos operacionais e mudanças nas cadeias de suprimento, revisar contratos pode ser decisivo para manter parcerias comerciais ou evitar processos judiciais prolongados.

“É preciso prezar por uma negociação transparente e técnica, sempre com o acompanhamento de uma assessoria jurídica especializada. A revisão deve ser vista como uma oportunidade de ajuste e diálogo, não como um embate. Quando conduzida com boa-fé e base técnica, ela preserva a saúde financeira da empresa e fortalece os vínculos comerciais”, afirma o advogado.

Contratos flexíveis garantem resiliência

Para Marco Aurélio, a principal lição é clara:

“Em tempos de instabilidade, contratos rígidos podem fragilizar negócios; contratos flexíveis, com instrumentos de revisão bem estruturados, garantem resiliência e segurança jurídica.”

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia Também:  SOJA/CEPEA: Procura elevada impulsiona prêmios e preço interno
COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA