Mato Grosso, principal Estado produtor do grão, tem 99,1% da área semeada.
Plantio de soja safra 2022/23 alcança 86,1%; colheita de trigo atinge 86,6%
AGRONEGÓCIOS
O plantio da safra brasileira de soja 2022/23 atingiu 86,1% da área total estimada até o último sábado (26), avanço de mais de 10 pontos porcentuais em uma semana, em comparação com os 75,9% reportados na semana anterior, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em levantamento semanal de progresso de safra. A semeadura da oleaginosa está atrasada na comparação com o ciclo passado, quando em igual período do ano 91,5% das lavouras já estavam plantadas.
São Paulo lidera os trabalhos de campo, com a área completamente semeada. Mato Grosso, principal Estado produtor do grão, tem 99,1% da área semeada. O Estado mais atrasado é Maranhão, com 49%. Segundo a Conab, a retomada das chuvas permitiu a volta da semeadura e o replantio em áreas pontuais. “As lavouras, em sua maioria, apresentam boas condições. Em Goiás, as lavouras têm apresentado os efeitos da restrição hídrica de novembro”, diz a entidade.
Segundo a estatal, 68,6% da área estimada com milho da primeira safra 2022/23, de verão, já foi semeada, ante 62,6% da semana anterior – avanço semanal de 6 pontos porcentuais. Há atraso na comparação anual ante os 75,3% plantados em igual período da temporada 2021/22. São Paulo está à frente na semeadura do grão, com 100% da área semeada, já o Estado do Piauí ainda não iniciou a semeadura. “No Rio Grande do Sul, a semeadura evolui lentamente e, com a falta de precipitações significativas no Noroeste, observam-se algumas lavouras sob restrição hídrica. Na Bahia, com a regularização das chuvas, houve aumento do ritmo de semeadura”, destaca a Conab.
Quanto à safra 2022/23 do arroz, 85,2% da área foi semeada no País ante 79,3% na semana anterior e 78,3% de igual período do ciclo passado. Os trabalhos estão mais adiantados em Santa Catarina, com 99,5% da área implantada, enquanto ainda não se iniciaram em Mato Grosso. “Nas primeiras áreas semeadas, as lavouras iniciam a fase de floração. No Maranhão, o arroz irrigado está em diversos estágios e a colheita pouco avançou devido à predominância de lavouras em estágio reprodutivo”, afirmou a Conab em nota.
Já a primeira safra de feijão 2022/23 está 60,9% semeada em comparação com 52,7% há sete dias. Em igual período do ciclo passado, os trabalhos de campo ainda não haviam iniciado. Em São Paulo e Goiás, o plantio do grão foi concluído. No Piauí ainda não foi iniciado o plantio. “As lavouras estão em condições boas e regulares. O clima se encontra mais estável, com menos chuvas e temperaturas favoráveis. No Rio Grande do Sul, iniciou-se a semeadura das lavouras mais tardias, em regiões de maior altitude”, afirmou a Conab.
A Conab informou também que os produtores de trigo já colheram 86,6% da safra deste ano, avanço de 13,9 pontos porcentuais, mas atraso de 11,4 pontos porcentuais em comparação com igual período da temporada passada. Dos Estados que ainda colhem o cereal, a retirada da commodity do campo alcançou 62,3% da área estimada em Santa Catarina, 80% no Rio Grande do Sul e 94% no Paraná.
“Broadcast Agro”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

