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Brasil garantirá até 50% da importação argentina de soja após seca, dizem analistas

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Diante de uma colheita argentina estimada pelo mercado em torno de 25 milhões de toneladas, contra 42 milhões na temporada passada, o país vizinho poderá importar até 10 milhões de toneladas de soja, ou mais que o dobro do volume adquirido nos anos anteriores, quando a origem foi principalmente o Paraguai.

Contando com uma safra recorde, o Brasil poderia elevar em pelo menos dez vezes os embarques para a Argentina, disse a head de Grãos Latam da hEDGEpoint Global Markets, Sol Arcidiacono, que atua em Rosário, principal polo de produção argentino de farelo e óleo de soja.

Ela lembrou que a média anual de embarques de soja do Brasil para a Argentina normalmente seria de 300 mil toneladas, mas em 2023 os brasileiros poderão responder pelo fornecimento de ao menos 3 milhões de toneladas, já que o Paraguai não teria capacidade de suprir os volumes adicionais necessitados pelos argentinos.

“(Há) chance de chegar a 5 milhões de toneladas se os preços internacionais do farelo de soja pagarem –e eu acredito que irão–, já que a oferta de farelo de soja argentino é difícil de substituir”, disse Arcidiacono.

O especialista destacou que, além do país enfrenta uma das piores secas em 100 anos, que incluiu a safra da oleaginosa em 45% em relação às expectativas iniciais, a popularidade por parte dos argentinos é a mais baixa em 20 anos.

“Estão segurando a soja até a colheita, sem precificar”, disse ela, destacando que este seria mais um dos fatores que também impulsionaram a orientação para níveis recordes nesta temporada.

Segundo Arcidiacono, o preço do grão tem sido um problema na hora da venda, tanto pela falta de referenciais quanto pelas margens de esmagamento negativas, já que a oferta ainda é baixa no país vizinho, considerando também que a colheita está apenas começando e como do Brasil ainda são relativamente pequenas.

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“O Brasil, caso confirme uma colheita superior a 152 milhões de toneladas, teria capacidade de exportar até 97 milhões de toneladas (para todos os destinos) e conseguiria atender a praticamente toda a demanda importadora da Argentina”, disse o diretor de consultoria Cogo, Carlos Cogo.

Ele concorda que o Brasil poderá exportar 5 milhões de toneladas de soja para a Argentina, ou mais, principalmente se a China –maior compradora do grão brasileiro– vier com menor apetite.

Cogo salientou que o Paraguai também é um fornecedor importante, mas possui limitação de oferta, visto que sua safra de soja está estimada em cerca de 8,8 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima uma colheita paraguaia 2022/23 em 10 milhões de toneladas.

A Bolívia e o Uruguai também serão opções de fornecedores, mesmo que em volumes menores, adicionaram o analista da Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.

Roque indicou que o Brasil embarcou quase 230 mil toneladas da oleaginosa aos argentinos no primeiro bimestre de 2023, contra somente 167 quilos no mesmo período do ano passado, o que indica que os volumes serão crescentes ao longo do ano.

“Nesse ano, deve mesmo saltar para 10 milhões de toneladas a importação da Argentina, porque as perdas são muito grandes, e mesmo assim vão ter que reduzir o esmagamento.”

 

PRÊMIOS

Arcidiacono, da hEDGEpoint, destacou que o aumento do interesse pela importação deve se manter nos últimos trimestres do ano, em meio a eleição do país aumentando as saídas política e macroeconômica, e estoques de passagem muito pequenos devido à menor safra de duas décadas.

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“O basic (prêmio) e os preços terão suporte nessa época do ano”, disse.

Uma fonte do mercado afirmou, na condição de anonimato, que há relatos de embarques de soja brasileira saindo para a Argentina de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e até de Santarém, no Pará.

“Entendo que o preço no Brasil caiu tanto com a safra recorde, que se tornou viável importação (argentina) mesmo de terminais do Arco Norte”, disse a fonte.

O interlocutor lembrou que, além da produção histórica, as vendas de agricultores brasileiros estão boas nas últimas semanas, com produção sem espaço para armazenar os grãos.

“A base da soja no Brasil segue com desconto em relação à cotação da Bolsa de Chicago”, enfatizou.

O analista de soja da Agrinvest Eduardo Vanin, informou em relatório que se os prêmios no Brasil continuarem caindo, a conta vai continuar viável para os compradores externos, o que poderia aumentar o potencial de recompensa da soja brasileira pelos argentinos, e acirrar a competição com fornecedores paraguaios.

Segundo ele, os cerealistas no Mato Grosso do Sul estão estimando um recorde de exportação de 1,6 milhão de toneladas de soja para a Argentina por Porto Murtinho e pela fronteira seca até Concepción, no Paraguai.

É possível que haja embarques por outros portos, mas as opções são limitadas, pois os navios que vão para a Argentina seriam menores e as negociações evitam portos com tempo de espera elevado para não pagar “demurrage”, que é uma penalização por atrasos no embarque, disse Vanin.

“Reuters”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

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Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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