Ipea revisa de 13,2% para 15,5% o valor adicionado do setor agropecuário em 2023 Para 2024, a primeira previsão é de uma leve expansão de 0,4%
Ipea revisa de 13,2% para 15,5% o valor adicionado do setor agropecuário em 2023
AGRONEGÓCIOS
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta segunda-feira (25), uma nova projeção do valor adicionado (VA) do setor agropecuário para 2023 e a primeira para 2024. Os pesquisadores revisaram de 13,2% para 15,5% a estimativa de crescimento para o setor, justificada pela alta acima do esperado no segundo trimestre, por revisões positivas das previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para as principais culturas da lavoura e pelo bom desempenho das produções de bovinos e aves. As projeções para o setor agropecuário já eram animadoras, mas seguem com cenário de melhora.
Valor adicionado da agropecuária é o total produzido no setor (o valor bruto da produção) descontado o seu consumo intermediário, isto é, o quanto utiliza de bens e serviços de outros setores durante o processo produtivo, como por exemplo, insumos, máquinas e equipamentos. O setor agropecuário, que já havia registrado uma alta interanual de 18,8% no primeiro trimestre, apresentou novamente uma expansão significativa para o segundo trimestre – 17,0% em relação ao mesmo período de 2022. O crescimento estimado em 61,4% da produção de soja na região Sul foi uma das maiores contribuições para o resultado positivo no segundo trimestre. Outra importante colaboração veio do milho, que teve sua estimativa de crescimento atualizada de 11,5% para 16%, impulsionada, em especial, pelo avanço previsto de 17,5% na segunda safra.
O Ipea estimou que quatro das cinco culturas mais importantes da lavoura apresentaram revisão significativa em suas estimativas de crescimento da produção. Além das já mencionadas soja e milho, as revisões positivas para as produções de cana-de-açúcar e algodão também foram destaque e devem impactar o resultado do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. A cana-de-açúcar, terceiro produto mais relevante na lavoura, teve previsão de alta revista de 6,6% para 8,6%. Por sua vez, o algodão apresentou a maior revisão em pontos percentuais: um avanço de 2,9% para 10,0%.
Já em relação aos produtos pecuários, as produções de bovinos e frangos também tiveram crescimento acima do esperado no segundo trimestre – na comparação com o mesmo período de 2022, avançaram 10,8% e 7,2%, respectivamente. Com esse bom resultado, o Ipea revisou a projeção das duas culturas de altas de 3,3% e 2,7% para 7,0% e 6,3%, nesta ordem.
O Ipea vê um cenário próximo da estabilidade em 2024, com uma leve expansão de 0,4% do valor adicionado do setor agropecuário. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a produção de soja cresça 5,1%, mas as demais culturas importantes não devem contribuir positivamente. A previsão é de que milho e algodão apresentem quedas de 9,1% e 5,5% em suas produções, respectivamente. A pecuária deve ter um bom ano, principalmente por conta dos segmentos de frangos e suínos, enquanto a perspectiva para o de bovinos – que representa a maior contribuição ao valor adicionado de todo o setor agropecuário – é um avanço de apenas 0,1%.
“IPEA”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

