Postos dizem que já começaram a receber produto mais barato

Início da colheita de cana derruba preço do etanol nas usinas

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AGRONEGÓCIOS

A de cana-de-açúcar começou a fazer efeito no mercado e derrubou os preços do etanol nas usinas de São Paulo na última semana. A queda já começa a chegar aos postos, segundo a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes).

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, o preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo caiu 8,95% na semana passada, para R$ 3,4965 por litro, o menor valor desde o fim de março.

Já o preço do etanol anidro, que é misturado à gasolina, caiu 3,86%, para R$ 4,0663 por litro, o mais baixo desde a primeira semana de abril.

O recuo interrompe um ciclo de alta provocado pela maior procura do combustível como alternativa à gasolina no fim da entressafra, o que provocou baixa nos estoques, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

As chuvas em abril também atrasaram o início da colheita, o que ajudou a pressionar os preços, diz o Cepea em seu último boletim quinzenal de avaliação do mercado, publicado no dia 20 de abril.

“Embora o preço do etanol anidro nos postos estivesse acima dos R$ 5 por litro nos postos, as distribuidoras precisaram comprar mais etanol na primeira metade de abril”, diz o texto. “Contudo, no fim do período, com as chuvas e filas para pegar o produto nas usinas, a demanda diminuiu.

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Em março, as vendas de etanol hidratado somaram 2,36 bilhões de litros, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Os dados de abril ainda não foram divulgados.

Com a escalada dos preços nas usinas, o produto também ficou mais caro nas bombas. Segundo a ANP, o litro do etanol hidratado era vendido na semana passada a R$ 5,539 por litro, em média. Em um mês, o produto ficou 10,4% mais caro.

A pesquisa da ANP encontrou o litro do etanol a quase R$ 7,899 no Rio Grande do Sul. Em nove estados, o combustível podia ser encontrado a mais de R$ 7 por litro.

A alta do etanol anidro repercutiu também no preço da gasolina, que subiu nas últimas três semanas nos postos, mesmo sem reajustes nas refinarias. Na semana passada, o preço médio do produto atingiu novo recorde no país, chegando a R$ 7,283 por litro, segundo a ANP.

O valor é 0,2% superior ao recorde anterior, atingido há duas semanas, de R$ 7,270 por litro. O último reajuste da gasolina nas refinarias foi no dia 11 de março, quando a Petrobras anunciou um mega-aumento nos preços dos combustíveis.

Em março, o governo chegou a anunciar isenção da tarifa de importação sobre o anidro, em uma tentativa de reduzir a pressão sobre os preços, mas o mercado avalia que a medida tem pouco impacto, já que a parcela do produto que vem do exterior é pequena.

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O presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda, disse à Folha que as distribuidoras já começaram a entregar etanol mais barato, o que deve se refletir na próxima pesquisa semanal de preços dos combustíveis da ANP.

Segundo ele, na semana passada seus fornecedores reduziram o preço em R$ 0,20 por litro. Esta semana, diz, houve novo corte, de R$ 0,10. “Já repassei aos meus clientes”, afirmou.

Com a escalada de preços nas últimas semanas, o etanol deixou de ser viável como alternativa à gasolina na maior parte do país. Na semana passada, por exemplo, usar o produto só era vantajoso em apenas dois estados: Goiás e Mato Grosso.

Em São Paulo, principal produtor do país, o preço médio do etanol hidratado equivalia a 76% do preço médio da gasolina, acima dos 70% considerados ideais pelo mercado para compensar o menor rendimento dos motores.

Com menor competitividade, diz o diretor técnico da Unica Antônio de Pádua Rodrigues, a demanda pelo produto caiu, ajudando a derrubar o preço nas usinas. “A safra efetivamente começou, houve incremento na oferta e redução da demanda por perda de competitividade. Agora vamos ver se chega ao consumidor”.

“Portal do Agronegócio”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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