AGRONEGÓCIOS
Exportações de café do Brasil para a China crescem 278,6% em 2023
AGRONEGÓCIOS
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgou nesta segunda-feira (15), o relatório estatístico das exportações brasileiras de café do ano de 2023.
O Brasil exportou 39,247 milhões de sacas de 60 kg de café em 2023, volume praticamente estável (-0,4%) em relação aos 39,410 milhões aferidos em 2022. Em receita cambial, houve recuo de 13% no comparativo anual, com os embarques tendo rendido US$ 8,041 bilhões em todo o ano passado.
Apesar do crescimento de 18,5%, dos seis primeiros meses do ano safra 2023/24, ante o registrado entre julho e dezembro de 2022, a receita cambial registrou recuo de 2,2%, chegando a US$ 4,488 bilhões, reflexo da volatilidade dos preços do café.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a continuidade de entraves logísticos interferiu no desempenho, sem essas questões da logística, provavelmente exportaríamos até dois milhões de sacas a mais.
Tipos de café
Ferreira, destacou o aumento de 212% das exportações dos cafés canéforas (conilon + robusta) em 2023.
“Essa safra foi melhor que as duas anteriores, o que ajudou na performance dos embarques. Destaco, em especial, a puxada do conilon e do robusta, cujas remessas ao exterior superaram 4,7 milhões de sacas, o segundo melhor desempenho na história, ficando atrás somente de 2020, quando o Brasil colheu safra recorde”, compara.
O café arábica foi o mais exportado, com 30,818 milhões de sacas, o que corresponde a 78,5% do total.
Principais destinos
Apesar da queda de 24,2% nas aquisições dos cafés do Brasil, os Estados Unidos segue como principal comprador, com 6,067 milhões de sacas, montante que representou 15,5% dos embarques totais.
A Alemanha, com representatividade de 12,8%, adquiriu 5,014 milhões de sacas (-26,7%) e ocupou o segundo lugar no ranking. Na sequência, vêm Itália, com a compra de 3,131 milhões de sacas (-6,8%); Japão, com 2,386 milhões de sacas (+27,4%); e Bélgica, com 2,201 milhões de sacas (-24,6%).
Ásia
O aumento do consumo de café no mercado asiático garantiu o segundo lugar no ranking por continentes, ampliando em 46,2% suas compras frente a 2022.
O diretor geral do Cecafé, Marcos Antonio Matos, ressaltou que no ano de 2024, o Brasil completa 50 anos de relações diplomáticas e de relações bilaterais com a China, país que importou 278,6%, a mais, frente aos 12 meses de 2022. Esse seria um ponto forte para viabilizar o café brasileiro em todas as cafeterias do país asiático.
Países produtores
O Brasil não tem crescido apenas em mercados tradicionais. Quando se analisa as importações realizadas por outros países produtores, observam-se significativos avanços nos embarques realizados para México (+500,7%), Vietnã (+487,7%), o segundo maior produtor do mundo, atrás do Brasil; e Indonésia (+134,9%).
Ferreira salienta que as compras dos dois países asiáticos ampliaram para completar a demanda, devido às quebras de safra. Já os mexicanos importam nossos cafés verdes para processamento industrial voltado ao consumo interno e a importantes reexportações, principalmente de café solúvel.
Cafés diferenciados
Os cafés que possuem qualidade superior ou certificados de práticas sustentáveis responderam por 17,8% das exportações totais brasileiras do produto no acumulado de 2023, esse volume representa aumento de 4% frente ao registrado entre janeiro e dezembro de 2022.
O presidente afirma que o país tem trabalhado para atender as demandas dos países mais exigentes, assim o produtor é mais bem remunerado e o comprador se sente mais confortável.
Portos
O Porto de Santos (SP) foi o principal exportador dos cafés do Brasil em 2023, com o embarque de 28,157 milhões de sacas, o que representa 71,7% do total. Na sequência, aparece o complexo marítimo do Rio de Janeiro, que responde por 24,3% das exportações ao ter remetido 9,545 milhões de sacas, e o Porto de Paranaguá (PR), com a exportação de 521.102 sacas e representatividade de 1,3%.
O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron acentuou a necessidade de aumentar a capacidade portuária. Em relação à tensão no Mar Vermelho, Eduardo afirma que não houve um impacto substancial nos últimos dois meses.
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AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

