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EUA impõem tarifa de 50% e desafiam competitividade da fruticultura brasileira

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Setor busca crédito, novos mercados e articulação para enfrentar pico da safra

Publicado em: 19/08/2025 às 19:20hs

EUA impõem tarifa de 50% e desafiam competitividade da fruticultura brasileira

Desde 6 de agosto de 2025, frutas frescas brasileiras passaram a pagar uma tarifa de 50% para entrar nos Estados Unidos, um dos principais mercados para manga e uva em períodos estratégicos de safra. Segundo a professora da Esalq/USP e pesquisadora da área de hortifrúti do Cepea, Margarete Boteon, embora a Europa continue sendo o principal destino das frutas brasileiras, o mercado norte-americano cumpre papel fundamental em períodos de maior oferta, ajudando a evitar excedentes e a sustentar preços internos.

O suco de laranja foi poupado da sobretaxa de 40% aplicada pelo governo norte-americano, mantendo a tarifa de 10% mais US$ 415 por tonelada. A decisão gerou alívio imediato à indústria, que rapidamente restabeleceu os preços.

Impactos imediatos: fruticultura em alerta

As exportações de manga e uva, principais frutas frescas enviadas ao mercado norte-americano, devem ser parcialmente mantidas em 2025 para cumprir contratos já firmados. Essa estratégia evita, por ora, um colapso nos preços internos.

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No entanto, o pico da safra entre setembro e outubro exige atenção redobrada, já que a concentração da produção pode gerar excedentes no mercado doméstico e pressionar a rentabilidade, especialmente de pequenos e médios produtores.

Gengibre e outros segmentos também sofrem pressão

Além das frutas, setores como o gengibre, produzido majoritariamente no Espírito Santo (75% da produção nacional), enfrentam dificuldades. O redirecionamento para a Europa já começou, mas produtores relatam cancelamentos de pedidos, queda de preços e riscos de prejuízo para cerca de 3.500 famílias que dependem da atividade.

Estratégias para enfrentar o tarifaço

Lideranças do setor e entidades como a Abrafrutas destacam a necessidade de uma ação em duas frentes:

  • Negociação direta com importadores norte-americanos, buscando diluir custos e manter contratos.
  • Apoio emergencial do governo brasileiro, incluindo crédito subsidiado, prorrogação de custeios e restituição acelerada de impostos.

Outra recomendação é fortalecer campanhas de marketing para ampliar o consumo doméstico, diversificar mercados na Europa, América do Sul e Ásia, além de ajustar o calendário de colheita e logística para reduzir custos.

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Suco de laranja escapa do pior cenário

Graças à forte organização institucional e à relevância do setor no mercado global, o suco de laranja brasileiro foi excluído da sobretaxa. Ainda assim, subprodutos da indústria seguem tarifados em 50%.

Segundo a CitrusBR, a exclusão só foi possível devido ao alinhamento entre empresas, governo e importadores, que demonstraram a interdependência entre Brasil e EUA: cerca de 60% do suco consumido nos EUA vem do Brasil.

Perspectivas para 2025

Apesar das dificuldades, especialistas avaliam que não haverá colapso imediato das exportações de frutas brasileiras para os EUA. A manutenção parcial dos embarques, aliada a mecanismos de suporte no curto prazo, será fundamental para:

  • Equilibrar a oferta interna,
  • Garantir liquidez financeira,

E preservar a presença brasileira no mercado norte-americano.

O desafio central, no entanto, permanece: diversificar mercados e sustentar a competitividade da fruticultura nacional diante de um cenário de incertezas comerciais e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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