Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações norte-americanas de carne de frango geraram receita estimável em cerca de US$2,760 bilhões.
Em 2023, Brasil obtém, com a carne de frango, receita cambial 126% maior que a dos EUA
AGRONEGÓCIOS
Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações norte-americanas de carne de frango – pouco superiores a 2,2 milhões de toneladas – geraram receita estimável em cerca de US$2,760 bilhões. Já as brasileiras, quase 50% maiores – 3,277 milhões de toneladas – propiciaram receita cambial de, aproximadamente, US$6,250 bilhões, valor 126% maior que o dos EUA.
Chega-se a essas conclusões ao considerar-se os volumes mensais de produto in natura exportados pelos dois países (dados proporcionados pelo Departamento de Agricultura dos EUA e pela SECEX/ME) e o preço médio mensal obtido pelas exportações norte-americanas e brasileiras, conforme dados da FAO.
Como índica a tabela abaixo, o Brasil vem ampliando sua vantagem nos três quesitos levantados: volume, preço médio e receita cambial resultante. Assim, o volume já exportado neste ano (considerado o período janeiro a agosto, último dado divulgado pelo USDA) se encontra 48% acima do exportado pelos EUA, contra apenas 27% em 2021.
Já o preço médio obtido, que em 2021 apresentou margem de 40% (ganho justificado pela diversidade de itens exportados pelo Brasil), supera neste ano os 52%.
Como corolário, a receita cambial brasileira – 78% maior que a norte-americana em 2021 – agora registra diferença de 126%
Como resultado final, a receita dos EUA em oito meses de exportação corresponde a pouco mais de 70% do valor total obtido por aquele país em 2021. Já a brasileira corresponde a 90% do total de 2021.
É oportuno registrar que, embora os parâmetros adotados sejam de fontes distintas, no caso brasileiro a receita se encontra muito próxima da realidade. Assim, o valor estimado para 2023 é menos de meio por cento inferior ao valor apontado pela SECEX/ME (US$6.277.175). Ou seja: a projeção aplicada aos EUA também deve corresponder, ainda que aproximadamente, aos resultados reais.
“AviSitea”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

