A intensidade do fenômeno climático El Niño, que afetou o regime de chuvas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil, tem causado disparidades na velocidade do plantio e pode impactar a semeadura do milho safrinha, que é cultivado depois da safra da oleaginosa, de acordo com sojicultores e especialistas

El Niño causa disparidades no plantio da soja do MT, ameaça milho safrinha

Publicado em

AGRONEGÓCIOS

O risco para a segunda safra de milho, a maior do Brasil, cresce em áreas em que pode haver replantio de soja, especialmente nas lavouras onde o calor excessivo e a irregularidade das chuvas prejudicou a germinação da oleaginosa.

Além de custos adicionais para os produtores que fizerem replantio, o El Niño traria outro risco para produtores.

“Já estamos apertando o calendário neste sentido, e o El Niño pode diminuir a chuva da forma antecipada”, disse a meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, lembrando que na região Centro-Oeste as precipitações diminuem quanto maior for a proximidade do inverno.

Cayron Giacomelli, produtor da região Médio-norte de Mato Grosso, disse à Reuters nesta sexta-feira já ter semeado toda a sua área de soja, mesmo diante da possibilidade de ter de refazer o trabalho por causa da falta de umidade este ano.

“Está bem seco na nossa região. Conheço produtores que plantaram muito pouco, e o replantio está presente em grande parte das áreas por aqui”, disse ele.

Giacomelli não precisou replantar em sua área, mas há talhões na propriedade em que muitas plantas pereceram, afirmou.

Segundo a meteorologista da Nottus, mesmo que os mapas estejam mostrando um acumulado expressivo de chuva nos últimos dias, é preciso atentar-se à “qualidade desta chuva”.

Leia Também:  Mato Grosso aumenta em 550% autuação a crimes ambientais nos últimos três anos

“Os bons volumes estão muito pontuais e tem feito calor, corre-se o risco do replantio”, disse ela, ressaltando que na próxima semana se espera “uma condição melhor de chuva” em Estados como Goiás e Mato Grosso, dois grandes produtores do Centro-Oeste que vêm sofrendo com a disparidade das precipitações.

Ela calcula que, na média, a semeadura de soja possa estar com 15 dias de atraso em relação ao ciclo passado. “Ano passado, nesta época, a gente já estava com a chuva bem mais espalhada. Ano passado a gente tinha um La Niña e este ano temos um El Niño.”

O plantio de soja em Mato Grosso, que já estava atrás do ritmo de 2022, passou a ficar também atrasado ante a média histórica para o período, apontaram nesta sexta-feira dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Produtores semearam 70% da área prevista, versus 83,45% no mesmo período do ano passado.

“BEM COMPLICADO”

As anomalias, diz Brandt, não se restringem ao Mato Grosso e Goiás, mas também a algumas áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde em 2022 as regiões produtoras já haviam recebido muito mais umidade.

Marcos da Rosa, produtor da região de Canarana, no leste mato-grossense, disse que muitos ali plantaram “sem a perspectiva de chuva”.

Leia Também:  Motociclista mata idoso atropelado em rotatória e foge em Rondonópolis

Ele mesmo teve de parar a semeadura por cerca de oito dias e retomou os trabalhos nesta semana.

“De ontem para hoje choveu bem, pensei que fosse uma chuva que pegou toda a região, mas a 130 km daqui não choveu… As coisas ainda continuam desparelhas.”

Rosa comentou que, até a última terça-feira, em Canarana, havia produtores que nada tinham plantado e outros com 100% da área semeada.

Em Nova Xavantina, também no leste do principal Estado agrícola do Brasil, o produtor Endrigo Dalcin descreveu o começo de safra como “bem complicado”.

“Agosto deu umas chuvas, setembro deu umas chuvas também. A gente conseguiu iniciar um pouco mais cedo. Só que cortou a chuva, está muito irregular. Tem lugar que está chovendo e tem lugar que não está chovendo, na mesma fazenda.”

Ele também precisou parar o plantio por dez dias.

“Agora está chovendo um pouco mais, um volume maior, uma área maior, mas não regularizou ainda. O pessoal está bastante preocupado.”

Em função do atraso no plantio da soja, Dalcin prevê que o plantio do milho safrinha vá ser prejudicado. Com isto, muitos produtores devem optar por plantar o gergelim, que tem um risco bem menor, disse Dalcin.

“Reuters”

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIOS

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

Publicados

em

Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

Leia Também:  Homem morre em acidente com moto esportiva em rodovia de MT

Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

Leia Também:  Carne bovina: Média diária exportada tem incremento de 43,40% na terceira semana de abril/22

A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA