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Rejeitado até na igreja, corpo de trabalhador é velado em praça pública, após padre dizer que velório poderia atrapalhar a missa e o terço dos homens

O velhinho que capinava quintais, não foi recebido na “casa de Deus”

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Por: Joel Teixeira 

Seu Aurélio Rodrigues tinha só 54 anos, mas parecia ter bem mais que 70, resultado de um corpo bombardeado pelo tempo e pelos anos de trabalho na enxada. Era bem conhecido no Bairro Marabaixo 3, Zona Oeste da capital, Macapá, onde capinava quintais por R$ 30 ou R$ 50. Depois de quatro meses de peregrinação em unidades da rede pública, ele nunca descobriu o que tinha de verdade, mas as dores eram grandes. A jornada sofrida terminou dentro de um caixão, na praça do bairro na manhã da terça-feira, (01/07/2015). O fato até hoje, 2 anos depois, causa indignação e ganha as redes sociais.

O capinador era natural do Maranhão, e vivia sozinho em um barraco de madeira de 4 metros de largura por 4 metros de comprimento no Bairro Marabaixo I. Tinha um casal de filhos. A moça mora em Laranjal do Jari, no Sul do Estado, e os vizinhos contam que ela é extremamente pobre.  O filho mais velho tem família, também é trabalhador braçal, e mora em outro bairro.

Quando começou a sentir dores, há cerca de 4 meses, teve a ajuda dos vizinhos que iniciaram uma peregrinação pela rede pública. Desconfiavam que era um problema na próstata. “Sempre que íamos ao Hospital de Emergência aplicavam remédios pra dor, mas nunca faziam os exames nele porque diziam que não tinha como fazer. Não tinha equipamentos”, conta o amigo e vizinho Josias Souza, que é funcionário público.

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Depois dos dois primeiros meses, seu Aurélio conseguiu fazer alguns exames no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL). A suspeita era de um problema renal, e seria necessária uma cirurgia, segundo os amigos.

 

“Os exames não deram em nada, só que os médicos achavam que era problema renal. Depois de muita luta conseguimos uma vaga pra ele no Hospital de Santana”, comenta o aposentado Luiz Claudinaldo, o “Gato”, da Associação de Esportes do Marabaixo I, que também acompanhou o sofrimento.

Seu Aurélio morreu na manhã de terça-feira, (01) esquecido pelo poder público, mas não pelos amigos. Ele estava internado no Hospital de Santana à espera da cirurgia. Um médico informou que foi infecção generalizada.

Depois de tanto sofrimento, uma última humilhação ainda estava por vir: os amigos foram até a paróquia de Santa Terezinha, no Marabaixo I, pedir ao padre que o velório fosse realizado no pátio do local. Em matéria produzida pela TV Globo local, não fala o motivo porquê o padre não autorizou o velório, mas os amigos do senhor Aurélio Rodrugues, confirmaram:

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“Mas o padre disse que ia atrapalhar a missa e o terço dos homens. Faltou boa vontade”, queixa-se Gato.

Igreja Santa Terezinha localiozada no bairro Marabaixo 3 em que Aurélio Rodrigues  era muito conhecido

Os amigos não tiveram outra escolha, se não levar o corpo para a praça do bairro, o local mais aberto que poderiam arrumar e onde ninguém se oporia. Foi a última situação de constrangimento na sofrida jornada de seu Aurélio. Sofrido na vida e depois dela, o velhinho que capinava quintais finalmente descansa no Cemitério São Francisco de Assis, na BR-210.

Casa de morto não teria espaço, dizem amigos (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)

Velório 

TV Notícias com Revista NP/g1

Assista a uma matéria sobre o caso, produzida pela TV Globo de Macapá 

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O que diziam os áudios que favoreceram Murilo Huff na disputa contra Dona Ruth pela guarda de Leo?

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Murilo Huff conseguiu, na semana passada, a guarda de Leo, filho que teve com Marília Mendonça. Desde a morte da cantora, em 2021, a custódia da criança era compartilhada com a sogra, Ruth Moreira. Áudios e mensagens trocadas com babás foram provas utilizadas pelo cantor contra a ex-sogra.

Segundo a decisão judicial, divulgada pelo colunista Gabriel Perline, do programa “A Tarde é Sua”, Ruth estava omitindo informações relevantes sobre o estado de saúde de Leo, diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 2 anos. “[Ruth] frequentemente omite informações médicas essenciais ao pai, impede o envio de relatórios e laudos clínicos, instrui que se escondam medicamentos, laudos e sintomas”, diz um trecho.

Nos áudios e mensagens que ajudaram a provar esta informação, Ruth dizia frases como “Não fala pro Murilo que ele tá tomando antibiótico”, “esconde o remédio” e “o Murilo quer se meter onde não sabe”.

Com isso, Ruth foi acusada de negligência médica. Além disso, ela também teria cometido alienação parental por tentar “construir no imaginário infantil a falsa ideia de que o pai é ausente, incompetente ou irrelevante”. O juiz destaca que essas “práticas que configuram atos de alienação com consequências severas e duradouras ao desenvolvimento afetivo da criança”.

DEPOIMENTO DO MARIDO DE RUTH MOREIRA FAVORECEU MURILO HUFF, DIZ JORNAL

O depoimento de Devyd Fabrício, marido de Ruth, também favoreceu Murilo na disputa pela guarda, segundo informações do jornal Extra. Ele foi uma das testemunhas do processo por conviver diariamente com Leo, que o considera avô.

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A decisão judicial aponta que o depoimento dele ajudou a confirmar os conflitos entre Murilo e Ruth. “A avó materna, ora ré, co-guardiã legal, vem agindo de forma unilateral ao pleno exercício da parentalidade por parte do genitor, desfigurando em partes o regime de guarda compartilhada e convertendo a convivência familiar em uma arena de desinformação. Fato esse confirmado em audiência quando seu marido, Devyd, relatou que a relação entre autor e ré é muito ruim, não havendo diálogo”, diz o texto.

“Purepeople”

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