Ponto de vista

“Luis Miranda é problemático, mas parece que não está inventando história”

Colegas do deputado dizem que ele é

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Por Diego Amorim

O Antagonista ouviu quatro deputados próximos de Luis Miranda sobre a decisão do colega de tornar pública a informação de que alertou Jair Bolsonaro de possíveis irregularidades na compra da Covaxin. Ontem, Miranda deu uma entrevista exclusiva a este site: escute aqui.

Todos toparam comentar o caso com a garantia de que não teriam os nomes revelados.

“O Miranda tem credibilidade, mas com restrições, eu diria. Não é um cara que dá para confiar de olho fechado. É muito vaidoso. Se for preciso vender a mãe para aparecer, ele vende. Mas, claro, isso não afasta o potencial de gravidade do assunto que ele e o irmão levantaram”, afirmou um parlamentar com mais de 20 anos de vida pública.

Para um outro deputado, que está em seu segundo mandato na Câmara, “não tem meio termo nessa história” e “alguém vai sair mal”. Ele explicou:

“O que está sendo denunciado é algo muito grave. Se o Luis Miranda estiver blefando, ele vai ser cassado. Mas ele é do tipo de pessoa capaz de entrar na sala do presidente e gravar tudo. Acho que ele deve ter provas. Se não tiver, está enrolado. Se for verdade, é o Onyx quem vai se dar mal, porque ontem agiu como se quisesse obstruir as investigações.”

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Os parlamentares comentaram que a entrevista de Miranda a O Antagonista, divulgada ontem em áudio, traz “fatos graves”, mas afirmam que será preciso agora aguardar os depoimentos do deputado e do irmão, servidor do Ministério da Saúde que denunciou o esquema, previstos para esta sexta-feira (25) à tarde.

“O Miranda é aquele sujeito problemático, mas parece que não está inventando história. Sobre o Onyx, não precisa nem falar”, afirmou outro deputado.

´´Oanta/Gonista“

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A Urgente Necessidade de Reformulação dos Tribunais de Contas Estaduais

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A atuação dos Tribunais de Contas dos Estados (TCEs), órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas, tem sido alvo de críticas e questionamentos crescentes. A falta de parâmetros técnicos objetivos na análise das contas, somada à forte influência política na composição e nas decisões desses tribunais, compromete a imparcialidade e a eficácia do controle externo.
A “dosimetria” das contas públicas, ou seja, a avaliação do impacto das decisões fiscais, é um processo complexo e subjetivo. A ausência de critérios uniformes e rígidos permite que cada TCE adote interpretações e metodologias distintas, abrindo espaço para decisões arbitrárias e politicamente motivadas.

A influência política nos TCEs é um problema endêmico. A nomeação de conselheiros, muitas vezes apadrinhados por políticos, compromete a independência e a imparcialidade dos julgamentos. Decisões técnicas são frequentemente submetidas a interesses partidários, resultando em análises tendenciosas e na impunidade de gestores públicos corruptos.

A falta de transparência e de mecanismos de controle social agrava o problema. As decisões dos TCEs são pouco divulgadas e raramente submetidas ao escrutínio público. A sociedade civil, que deveria ser a principal beneficiária do controle externo, é mantida à margem do processo.

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A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), embora importantes, não são suficientes para garantir a objetividade e a imparcialidade dos TCEs. A falta de mecanismos eficazes de fiscalização e punição permite que os tribunais ajam com autonomia excessiva, sem prestar contas à sociedade.
Diante desse cenário, é urgente a necessidade de uma profunda reformulação dos TCEs. A criação de critérios técnicos objetivos e uniformes para a análise das contas, a adoção de mecanismos de controle social e a garantia da independência e da imparcialidade dos conselheiros são medidas essenciais para restaurar a credibilidade e a eficácia desses órgãos.

A sociedade brasileira não pode mais tolerar a ineficiência e a politização dos TCEs. A gestão responsável dos recursos públicos e o combate à corrupção exigem um controle externo rigoroso, transparente e imparcial. A reforma dos tribunais de contas é um passo fundamental para garantir a justiça e a eficiência na administração pública.

Rafael Pio é assessor parlamentar, sociólogo, bacharelando em Ciência Política e membro da ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política.

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