Dias turvos

As pessoas não acreditam no Bolsonaro, elas se veem representadas nele

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Ponto de vista

Por Mauro Vaz Junior 
Pouco importa se ele diz verdades ou mentiras, Bolsonaro é a catarse de 30 anos de péssimos valores guardados no recôncavo mais íntimo da consciência nacional. Imagine você o quão doloroso é para uma nação escravagista e antidemocrática sustentar por 30 anos a máscara de povo humano, hospitaleiro, alegre e democrático.
No país que deixou de ser escravagista não porque quis, mas porque a comunidade internacional lhe coagiu; e que deixou de ser ditatorial não porque quis mas porque, pelos mesmos motivos supramencionados, perdeu as condições de sê-lo… Bolsonaro é o grito de liberdade da ignorância aprisionada.
A Constituição Cidadã carregava a utopia de que proporcionando ao Brasil o que havia de mais evoluído no ordenamento jurídico mundial poderíamos alcançar o desenvolvimento humano sem precisar passar as desgraças e tragédias que as demais nações passaram. Mas já preconizava Confúcio: saber o caminho não é tão didático quanto trilhar o caminho, disso os pedagogos sabem bem.
Mauro Vaz Junior é advogado e presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa na  OAB Pará
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A Urgente Necessidade de Reformulação dos Tribunais de Contas Estaduais

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A atuação dos Tribunais de Contas dos Estados (TCEs), órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas, tem sido alvo de críticas e questionamentos crescentes. A falta de parâmetros técnicos objetivos na análise das contas, somada à forte influência política na composição e nas decisões desses tribunais, compromete a imparcialidade e a eficácia do controle externo.
A “dosimetria” das contas públicas, ou seja, a avaliação do impacto das decisões fiscais, é um processo complexo e subjetivo. A ausência de critérios uniformes e rígidos permite que cada TCE adote interpretações e metodologias distintas, abrindo espaço para decisões arbitrárias e politicamente motivadas.

A influência política nos TCEs é um problema endêmico. A nomeação de conselheiros, muitas vezes apadrinhados por políticos, compromete a independência e a imparcialidade dos julgamentos. Decisões técnicas são frequentemente submetidas a interesses partidários, resultando em análises tendenciosas e na impunidade de gestores públicos corruptos.

A falta de transparência e de mecanismos de controle social agrava o problema. As decisões dos TCEs são pouco divulgadas e raramente submetidas ao escrutínio público. A sociedade civil, que deveria ser a principal beneficiária do controle externo, é mantida à margem do processo.

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A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), embora importantes, não são suficientes para garantir a objetividade e a imparcialidade dos TCEs. A falta de mecanismos eficazes de fiscalização e punição permite que os tribunais ajam com autonomia excessiva, sem prestar contas à sociedade.
Diante desse cenário, é urgente a necessidade de uma profunda reformulação dos TCEs. A criação de critérios técnicos objetivos e uniformes para a análise das contas, a adoção de mecanismos de controle social e a garantia da independência e da imparcialidade dos conselheiros são medidas essenciais para restaurar a credibilidade e a eficácia desses órgãos.

A sociedade brasileira não pode mais tolerar a ineficiência e a politização dos TCEs. A gestão responsável dos recursos públicos e o combate à corrupção exigem um controle externo rigoroso, transparente e imparcial. A reforma dos tribunais de contas é um passo fundamental para garantir a justiça e a eficiência na administração pública.

Rafael Pio é assessor parlamentar, sociólogo, bacharelando em Ciência Política e membro da ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política.

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