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Tarifaço deixa carne e café mais baratos no varejo brasileiro, diz pesquisa

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Scanntech analisou 13,5 bilhões de tíquetes de compra capturados em mais de 60 mil pontos de venda

Sofia Kercher, colaboração para a CNN*, João Nakamura, da CNN, em São Paulo
Segmentos de café e carne mantêm suas apostas na negociação com os Estados Unidos como a principal estratégia para lidar com o tarifaço  • CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Menos de um mês após a medida, produtos atingidos pela tarifa de 50% imposta às exportações brasileiras pelos Estados Unidos já começaram a registrar queda de preço no mercado interno.

É o que mostra um levantamento feito pela Scanntech, adiantado com exclusividade à CNN. A companhia compilou as informações com base em 13,5 bilhões de tíquetes de compra, capturados em mais de 60 mil pontos de venda.

Entre julho e agosto, o frango registrou menor retração, com queda de 5,7% no preço (R$ 17,33/kg). O café teve queda de 4,6% (R$ 76,40/kg); a carne suína, 1,3% (R$ 23,05/kg); e a bovina, 0,8% (R$ 34,58/kg).

O único setor que contrariou a tendência foi dos pescados: no período, a alta foi de 2% (R$ 34,43/kg).

Em vigor desde o dia 6 de agosto, a sobretaxa de Trump forçou setores que não entraram para a lista de isenções a interromper exportações aos EUA.

Das duas, uma: ou há um redirecionamento para novos mercados — como a indústria de carne tem feito com o México, por exemplo — ou o produto fica no mercado interno, competindo com marcas que trabalham exclusivamente com vendas em território nacional.

Isso gera um aumento na oferta. Sem significativa mudança na demanda, pela boa e velha lei do mercado, o preço tende a cair.

Thomaz Machado, CEO da Scanntech, confirma a relação entre a queda dos preços dois produtos e o redirecionamento da produção.

“O aumento da oferta interna começa a pressionar os preços no varejo brasileiro. O consumidor sente alívio no curto prazo, mas isso gera uma preocupação em cadeia para produtores e indústrias”, afirmou o executivo.

Caminhos de reversão

Os segmentos de café e carne mantêm suas apostas na negociação com os Estados Unidos como a principal estratégia para lidar com o tarifaço imposto aos produtos brasileiros.

Os itens estão entre os 10 produtos mais exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano no primeiro semestre de 2025.

Segundo o diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Marcos Matos, a entidade mantém o foco na necessidade de serem mantidas as negociações com a indústria cafeeira norte-americana e o Departamento de Estado dos EUA para obter a isenção das tarifas ao café.

Apostar na negociação também é uma estratégia compartilhada pela indústria de carne bovina. Em entrevista ao CNN Money, o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, disse que o segmento tem defendido junto ao governo federal que o Brasil continue as tratativas com o governo de Donald Trump para retomar o fluxo comercial normal ao país.

*Com informações de Cristiane Noberto e Danilo Moliterno, da CNN

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