Na sexta (28), PM da Rota foi morto durante patrulhamento. Depois disso, 13 mortes foram registradas em ações policiais. Governo de SP nega excessos e moradores denunciam ataques a inocentes e tortura.

Sobe para 13 o número de mortos em operação policial na Baixada Santista

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POLÍCIA

Ao menos 13 pessoas foram mortas em operações da Polícia Militar (PM) de São Paulo na Baixada Santista desde a última sexta-feira (28), quando um policial da Rota foi assassinado em Guarujá. O suspeito de cometer o crime foi preso no domingo (30).

Doze pessoas foram mortas em Guarujá e uma em Santos.

A Secretaria de Segurança Pública do governo de São Paulo diz que não houve excessos, que a polícia apenas reagiu quando foi atacada e que as mortes serão investigadas.

Moradores, no entanto, acusam policiais de agressões, ameaças e tortura durante as operações iniciadas na sexta. Familiares afirmam que pessoas inocentes foram retiradas de casa e mortas pelos agentes. A Ouvidoria das Polícias está recebendo e encaminhando os relatos à Corregedoria.

Entenda abaixo o que se sabe o que falta esclarecer sobre o caso a partir dos seguintes pontos:

O que motivou a operação policial que deixou 13 mortos?

Na última quarta-feira (26), o policial militar da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) Patrick Bastos Reis morreu após ser baleado no tórax quando fazia patrulhamento junto de outros agentes de segurança próximo à comunidade Vila Zilda. Outro PM também foi baleado e ficou ferido. Eles foram alvos de indivíduos armados. Os tiros motivaram a operação em busca dos suspeitos.

Quando ocorreu e como foi a operação policial?

A Operação Escudo começou na noite de quinta-feira (27), um dia após os PMs serem baleados, com o objetivo de capturar os criminosos responsáveis pela ação contra os agentes. Na sexta, houve reforço do policiamento em duas comunidades de Guarujá, Vila Julia e Vila Zilda, com aproximadamente 600 policiais. Foram enviadas para as localidades equipes especializadas das polícias Militar e Civil.

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, foi até Guarujá para acompanhar a operação. “Vamos para cima até pegar todos, sem exceção”, disse ele.

Mortes e relatos de ameaças e tortura

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo informou, no domingo (30), que ao menos dez pessoas haviam sido mortas durante a operação policial. Segundo o ouvidor Claudio Aparecido da Silva, moradores de Guarujá relataram que policiais torturaram e mataram um homem e prometeram matar ao menos 60 pessoas em comunidades. O número de mortes subiu para 12, segundo atualização divulgada pela Secretaria de Segurança Pública nesta terça-feira (1º).

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Manifestantes que fizeram um protesto nesta segunda-feira (31) contra a operação policial informaram que os policiais estão invadindo residências da comunidade, agredindo e matando pessoas que, de acordo com eles, são trabalhadores.

Quem eram os mortos na operação e que crimes eles cometeram?

A polícia não divulgou quem são os mortos. A esposa de Cleiton Barbosa Moura, de 24 anos, um dos homens mortos, se pronunciou. Ela contou que o marido era ajudante de pedreiro e estava em casa cuidando do filho deles, de 10 meses, quando a polícia chegou ao local. A mulher disse que o homem tinha sido preso em 2020 por tráfico de drogas.

“Ele estava terminando de pagar o ‘BO’ dele, mas isso não justifica o que fizeram”, desabafou a mulher, que não quis se identificar.

g1 teve acesso ao nome de outros dois mortos por meio dos boletins de ocorrência. Eles são Fabio Oliveira Ferreira e Rogerio Andrade de Jesus. Os demais apareciam nos BOs como “desconhecido” ou “indigente”.

Não foi informado qual a participação dos mortos no assassinato de Patrick Bastos Reis e nem se eles tiveram participação em outros crimes.

Houve prisões durante a operação?

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, além das mortes, foram presas 32 pessoas. Mais de 20 quilos de drogas foram apreendidos.

O suspeito de matar o policial foi preso?

Erickson David da Silva é um dos apontados como responsáveis pelos disparos contra o PM em Guarujá (SP). — Foto: Reprodução

Erickson David da Silva é um dos apontados como responsáveis pelos disparos contra o PM em Guarujá (SP). — Foto: Reprodução

 

Um dos presos é Erickson David da Silva, suspeito de ter atirado no PM da Rota Patrick Bastos Reis. Ele foi capturado na Zona Sul de São Paulo, capital. Segundo a polícia, Erickson atirou em direção ao PM de uma distância de mais de 50 metros.

A Polícia Civil informou que ouviu de testemunhas e de um comparsa do homem que ele fazia a “contenção” de um ponto de tráfico, ou seja, ficava armado de “prontidão” enquanto um colega vendia drogas. Em vídeo gravado antes de sua prisão, o homem disse não ter nada a ver com o caso e pediu para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite parem com a “matança” de supostos inocentes em Guarujá.

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Imagens de câmeras de policiais

O ouvidor da Polícia, Claudio Aparecido da Silva, informou que solicitará imagens das câmaras instaladas junto ao corpo dos policiais durante as ações que terminaram em mortes.

O que o governador de SP disse sobre o caso?

O governador Tarcísio de Freitas disse na segunda-feira estar “extremamente satisfeito” com a operação

“Nós vamos investigar, nós vamos prender, nós vamos apresentar à Justiça, nós vamos levar ao banco dos réus. Foi isso exatamente que foi feito neste final de semana. Eu estou extremamente satisfeito com a ação da polícia, extremamente triste com o que aconteceu [a morte do policial] porque nada vai trazer um pai de família de volta”, disse o governador.

Mais cedo, também na segunda, Tarcísio havia dito que “aqueles que resolveram se entregar à polícia foram presos, foram apresentados à Justiça”.

Como o governo federal se posicionou sobre o caso?

Para o ministro da Justiça, a ação que terminou com 12 mortos não foi “proporcional”. “Chama atenção o fato de você ter um terrível crime contra um policial, um crime realmente que merece a repulsa, sendo usado inclusive uma pistola de 9 milímetros. E houve uma reação imediata que não parece nesse momento ser proporcional em relação ao crime que foi cometido”, afirmou o ministro.

O ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, informou que acionou a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos para acompanhar o caso.

“Eu pedi hoje de manhã para que o ouvidor nacional dos Direitos Humanos entre em contato com as autoridades para que nós possamos entender o que de fato aconteceu. Ou seja, foi cometido um crime bárbaro contra um trabalhador que precisa ser apurado, mas nós não podemos usar isso como uma forma de agredir e violar os direitos humanos de outras pessoas”, afirmou o ministro.

“G1”

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Suspeito de agredir esposa e arremessar ventilador contra a vítima é preso pela Polícia Militar

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Militares localizaram envolvidos na região do Contorno Leste; mulher apresentava lesões
Suspeito de agredir esposa e arremessar ventilador contra a vítima é preso pela Polícia Militar -
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Policiais militares do 3º Batalhão prenderam em flagrante, na noite deste domingo (22.3), um homem, de 51 anos, suspeito de violência doméstica, em Cuiabá. A vítima, de 30 anos, denunciou ter sido agredida com socos e sofreu lesões, após o marido arremessar um ventilador contra ela. 

Por volta das 21 horas, as equipes foram acionadas, via Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após denúncia de violência doméstica, na região do Contorno Leste. 

Assim que os militares chegaram no local da ocorrência, a vítima relatou que foi agredida com socos e que o suspeito arremessou um ventilador contra o rosto dela, após uma discussão. A mulher apresentava lesões na região da cabeça e no olho direito.

Diante das informações e acompanhados pela vítima, os policiais militares identificaram o denunciado em um bar, na região. Ao ser abordado e questionado sobre a denúncia, o homem passou apresentar resistência e a agredir os policiais militares.

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Na ocasião, foi necessário o uso de um dispositivo de menor potencial ofensivo (dispositivo taser) para conter o indivíduo. Ele foi conduzido à delegacia para registro da ocorrência. 

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