Cinco policiais militares foram presos por participação na morte de um adolescente de 17 anos durante uma abordagem nesta quarta-feira (01), em Pedro Canário, a 270 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo. Nesta quinta-feira, a Justiça converteu a prisão dos suspeitos em preventiva, quando não há prazo para ser encerrada.

Imagens de câmera de segurança mostram o adolescente sentado na calçada e dois policiais na cena. Um dos PMs parece pedir para que ele se levante e, em seguida, atira à queima-roupa. No boletim de ocorrência, os agentes descreveram que o adolescente “colocou a mão na cintura na tentativa de sacar uma arma de fogo”, o que não fica claro no vídeo.

“Diante desses indícios, a Polícia Militar efetuou a detenção dos militares. Recolheu o vídeo e o boletim de ocorrência. Eles serão trazidos, presos, para o Presídio Militar (no Quartel de Maruípe, em Vitória)”, disse o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 2, em Vitória.

Segundo o comandante, os detidos são dois cabos e três soldados, todos com menos de dez anos atuando na corporação. Durante depoimento na Corregedoria da PM, todos preferiram ficar em silêncio. Nesta quinta, passaram por uma audiência de custódia.

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O caso

Na quarta-feira, a Polícia Militar foi acionada por moradores dizendo que indivíduos armados intimidavam a população do bairro São Geraldo, em Pedro Canário.

“Duas viaturas foram até o local. Houve uma troca de tiros. Três indivíduos estavam presentes. Um fugiu. Um foi preso com um simulacro (de arma de fogo). E o outro foi preso, posteriormente, com uma arma real, uma pistola, dentro de uma residência. Posteriormente, ele pulou o muro e aí foi feita aquela ação que vocês tiveram acesso nos vídeos via redes sociais”, detalhou Caus.

No B.O. os policiais justificam que os tiros foram “para cessar a iminente injusta agressão efetuou 02 (dois) disparos com a referida arma em direção ao indivíduo”.

O adolescente estava contra a parede, com o PM de frente para ele. Segundo Caus, se a informação presente no B.O for inverídica, os policiais cometeram outro crime. “Se eles colocaram uma versão diferente no boletim de ocorrência, ‘fatos inverídicos’, também serão responsabilizados. É crime militar”, disse o comandante-geral da PM.

Apesar da possibilidade de contradição entre o B.O e as imagens do circuito interno, o comandante-geral da PM informou que uma arma de fogo foi encontrada com a vítima.

“As informações que me chegam é que o indivíduo tem 17 anos e, com ele, a arma foi apreendida no quintal. Antes de ele pular o muro, ele teria trocado tiros com a PM. A arma está apreendida e é uma pistola .40. Inclusive, um dos projéteis, nesta pistola apreendida, estaria alojada dentro do cano. O que é isso? Ela não teve força para poder sair do cano. Mas teve alguém que puxou o gatilho”, disse Caus.

Governador e entidades cobram investigação

Logo após as imagens da morte do adolescente viralizarem nas redes sociais, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), defendeu apuração.

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“Recebi imagens de uma aparente execução em abordagem de policiais militares em Pedro Canário que não condizem com o dever da PM. Determinei que sejam tomadas as providências imediatas à apuração do caso”, escreveu o socialista no Twitter.

A Defensoria Pública do Estado pediu o afastamento dos policiais envolvidos no caso e recomendou “urgência” na instalação de câmeras nos uniformes dos PMs capixabas.

O Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) também cobrou a investigação do caso. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) informou que acompanhará os desdobramentos. O Ministério Público (MP-ES) disse estar fiscalizando e acompanhando as investigações envolvendo a morte do adolescente.