O ex-vereador que vocifera diariamente em seu programa contra os políticos desonestos e que dilapidam o patrimônio público está em uma verdadeira ‘sinuca de bico’
Apresentador Everton Pop pode pegar 12 anos de cadeia por rachadinhas
MATO GROSSO
O escândalo das rachadinhas que acontecia no ‘seio’ da Câmara de Cuiabá é um emaranhado de informações indecifráveis para quem não acompanhou os capítulos nos últimos tempos.
Para entender a história que traz uma novidade a cada dia, é preciso conhecer as dezenas de personagens, além do mais é claro, um dos seu principal protagonista: Françoilson Everton Almeida da Cunha, de 48 anos, o Everton Pop, ex-vereador e apresentador do programa do Pop na TV Cidade Verde, em Cuiabá.
O ex-vereador que vocifera diariamente em seu programa contra os políticos desonestos e que dilapidam o patrimônio público está em uma verdadeira ‘sinuca de bico’.
Ele é daquele sujeito que diz: ‘faça o que eu falo, não o que faço’.
Françoilson Cunha, agora, pertence a infame categoria de homens púbicos e de exs, cujo poder ilimitado foi exercido com tamanho dispudor que acaba por ser tornar a personificação do próprio eu.
O promotor de Justiça Anderson Yoshinari Ferreira da Cruz, abriu uma denuncia criminal contra o apresentador por peculato, por desviar recursos públicos da Câmara de Cuiabá, quando Françoilson exerceu o mandato de vereador.
O crime está tipificado no artigo 312 do Código Penal, e prevê pena de prisão de 2 a 12 anos, além de multa.
Segundo o promotor, o apresentador promovia as chamadas ‘rachadinhas’.
Ele destinava o pagamento de assessores parlamentares irregulares, os considerados ‘fantasmas’, para pagar outros assessores que não assinavam recibos.
Os integrantes de sua equipe que recebiam os maiores salários, tinham que entregá-los para um ex-assessor do vereador, Hermes Proença de Oliveira.
Hermes, em depoimento para o Ministério Público, disse que seu irmão e o esposo da assessora, Larissa Mineyah, foram nomeados no gabinete e os seus respectivos vencimentos eram ‘rateados’ pelo vereador.
O Ministério Público denunciou o apresentador, Hermes Proença de Oliveira, e ainda Armstrong Drexel Bleriot Samuel Garcia, Larissa Mineyah de Lima Pereira, Luciano Henrique de Lima Pereira, Neily Jacinta Almeida Soares, Fábio Barbosa Sena, Jean Carlos Barbosa de Arruda Vieira e Wander Cleison Padilha Lino.
Fábio Barbosa Sena, denunciado pelo Ministério Público é pastor evangélico e coordenador da Marcha para Jesus, em Cuiabá.

Na peça acusatória, o promotor também afirma que Alaise Alves da Conceição, Adair Henrique Ribeiro Bastos Ribeiro, Carlos Alberto de Mattos e Vera Lúcia Oliveira Asad nunca prestaram serviços ao apresentador em seu gabinete, apesar de constarem como nomeados na Câmara.
Outro assessor, Fábio Henrique Ceccari Ribeiro, recebia parte do salário de outro assessor, por ordem da chefe de gabinete do ex-vereador, Neily Jacinta de Moraes Almeida.
É claro que o esquema das ‘rachadinhas’ iria continuar, com certeza
Caso, não tivesse sido descoberto por uma das mais sérias investigações já feitas pelo Ministério Público na Câmara de Cuiabá.
Na verdade, Cuiabá descobriu tarde o lado obscuro de Everton Pop, o que não deixa de ser surpreendente, e é de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan.
“Página 12”
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