Desafios no agronegócio!!
Agronegócio brasileiro terá desafios significativos em 2024
AGRONEGÓCIOS
Por Marco Aurélio Mestre Medeiros
O cenário econômico para o agronegócio brasileiro em 2024 apresenta desafios significativos, conforme apontado por especialistas e dados divulgados pela Serasa Experian. A quebra histórica da safra de soja em Mato Grosso, um dos principais estados produtores, surge como um catalisador para a intensificação dos pedidos de recuperação judicial por parte de produtores rurais e empresas ligadas ao setor.
Os números revelados pela Serasa Experian indicam um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial, com um incremento de quase 200% em novembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Especificamente para os produtores rurais, houve um aumento significativo, totalizando 80 pedidos até setembro de 2023, quatro vezes mais do que o registrado durante todo o ano de 2022.
A resposta do Poder Público a essa crise inclui medidas como decretos de emergência em municípios afetados pela estiagem, como Canarana, Alto Paraguai e Sorriso. Além disso, o Governo Federal implementou um decreto que regulamenta a renegociação de dívidas de fundos, proporcionando condições especiais para mais de 900 mil produtores rurais.
Apesar dessas iniciativas, muitos agricultores e empresários ainda buscarão a Justiça para renegociar suas dívidas. A quebra de safra, somada às condições financeiras já delicadas de alguns produtores, torna a recuperação judicial uma ferramenta crucial para a equalização das dívidas. A recuperação judicial é uma ferramenta que vai além da proteção patrimonial, abrangendo até mesmo produtores rurais atuando como pessoas físicas.
Em curto prazo, essa abordagem busca estancar pagamentos aos credores e evitar medidas expropriatórias, permitindo uma negociação coletiva para equalização do passivo. A recuperação judicial, nesse contexto, emerge como uma ferramenta essencial para proporcionar um ambiente de negociação mais favorável.
Diante do atual panorama do agronegócio, é imperativo que os setores público e privado continuem colaborando para encontrar soluções eficazes que apoiem os produtores rurais e as empresas do agronegócio. A recuperação judicial, aliada a medidas governamentais, pode desempenhar um papel crucial na superação dos desafios enfrentados pelo setor em 2024.
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AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

