Justiça
Justiça solta réus acusados da morte de homem negro em Carrefour
Justiça
Decisão foi tomada após quatro anos de prisão preventiva e prevê medidas cautelares aos acusados
Quatro anos após a morte de João Alberto Silveira Freitas , homem negro espancado no estacionamento do Carrefour , em Porto Alegre , o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) determinou, nesta segunda-feira (16), a soltura dos réus acusados pelo crime . A decisão considerou excesso de prazo na prisão preventiva dos acusados, aplicando medidas cautelares.
A decisão foi emitida pela 2ª Câmara Criminal do TJRS, que entendeu que manter a prisão por período tão prolongado, mesmo diante da complexidade do caso, seria uma antecipação do cumprimento de pena antes do julgamento definitivo. Segundo a relatora do habeas corpus, desembargadora Rosaura Marques Borba, isso fere os princípios legais.
Os acusados deverão seguir medidas cautelares estabelecidas pela Justiça, como comparecimento aos atos do processo, manutenção de endereços atualizados e proibição de sair da comarca por mais de 15 dias sem autorização judicial.
João Alberto, então com 40 anos, foi morto na noite de 19 de novembro de 2020 após ser agredido por seguranças do supermercado. O episódio provocou uma onda de protestos contra o racismo em Porto Alegre e em outras partes do Brasil nos dias que se seguiram.
Atualmente, seis pessoas respondem pelo homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Inicialmente, os réus também foram denunciados por motivo torpe, mas essa qualificadora foi retirada em julho deste ano pela Justiça. O Ministério Público (MP) recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a acusação seja restabelecida antes do julgamento final.
Em 2020, a Polícia Civil concluiu o inquérito afirmando que as agressões sofridas por João Alberto resultaram da fragilidade socioeconômica da vítima e de aspectos ligados ao racismo estrutural. Na época, a delegada Roberta Bertoldo destacou que concepções enraizadas na sociedade tiveram papel central no comportamento dos envolvidos.
O Carrefour, onde ocorreu o crime, firmou um termo de ajustamento de conduta (TAC) no valor de R$ 115 milhões, destinado a ações de combate ao racismo. A rede encerrou a terceirização da segurança e implementou mudanças, como a presença de profissionais negros no setor e o uso de câmeras nos uniformes dos funcionários.
Milena Borges Alves, viúva de João Alberto, também firmou um acordo de indenização com o Carrefour. O valor não foi divulgado, mas superaria a proposta inicial da empresa, estimada em R$ 1 milhão.
“IG”
Justiça
Moraes ouve testemunhas de Bolsonaro na ação do golpe
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ouve nesta sexta-feira (30) os depoimentos das testemunhas de defesa indicadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na ação penal sobre a trama golpista. Em março deste ano, Bolsonaro e mais sete acusados se tornaram réus após serem denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O principal depoimento foi do governador de São Paulo e ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro Tarcísio de Freitas, que começou às 8h, por videoconferência. Mais cinco testemunhas do ex-presidente devem depor no período da tarde, a partir das 14h.
Tarcísio disse a Moraes que jamais teve conhecimento sobre suposto plano golpista de Bolsonaro,
“Jamais [tive conhecimento de intenções golpistas]. Nunca. Assim como nunca tinha acontecido no meu período de ministério.”
“[Nas visitas que fiz após a eleição], encontrei um presidente triste, resignado. Esse assunto nunca veio à pauta,” afirmou Tarcísio.
O governador de São Paulo foi ministro da Infraestrutura durante a maior parte do governo Bolsonaro e manteve-se como aliado próximo mesmo após as eleições, já eleito para o governo paulista.
Jonathas Assunção Salvador Nery (ex-secretário executivo da Casa Civil);
Renato de Lima França – ex-subchefe de assuntos jurídicos da Presidência da República;
Wagner de Oliveira – coronel do Exército que trabalhou no Ministério da Defesa e fez parte da comissão de militares que auditou a urna eletrônica.
Giuseppe Dutra Janino – ex-secretário de Tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pela manhã, também serão ouvidas como testemunhas do ex-ministro da Justiça Anderson Torres os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Espiridião Amim (PP-SC) e Eduardo Girão (NOVO-CE), o deputado federal Sanderson (PL-RS) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Nogueira também vai falar como testemunha de Bolsonaro.
Ontem (29), a defesa de Bolsonaro desistiu de quatro testemunhas: Amauri Feres Saad, advogado acusado de ser o autor intelectual da minuta do golpe; Gilson Machado, ex-ministro do Turismo; Eduardo Pazuello, deputado federal (PL-RJ) e ex-ministro da Saúde; e Ricardo Peixoto Camarinha, cardiologista da Presidência da República.
Os depoimentos desta primeira fase de oitivas dos réus serão encerrados na segunda-feira (2), quando o senador Rogério Marinho (PL-RN) será ouvido.
Em março deste ano, Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista viraram réus no STF e passaram a responder a uma ação penal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Conforme a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) , Bolsonaro tinha conhecimento do plano intitulado “Punhal Verde Amarelo”, que continha o planejamento e a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
A procuradoria também garante que o ex-presidente sabia da minuta de decreto com o qual pretendia executar um golpe de Estado no país. O documento ficou conhecido durante a investigação como “minuta do golpe”.
Núcleo 1
Os oito réus compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. São eles:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022;
General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
“ebc”

