Pelo menos 1.167 pessoas foram encaminhadas para o sistema prisional do Distrito Federal, sob a acusação de participarem dos atos golpistas, em Brasília. Por outro lado, os novos internos masculinos enfrentarão um cenário de superlotação, dada a realidade da unidade que integra o Complexo da Papuda na qual foram encaminhados.
Sistema penitenciário do Distrito Federal oferece 8 mil vagas, mas a população carcerária é superior a 15 mil
Papuda: extremistas foram levados para presídio que apresenta superlotação
JUSTIÇA
Dados do Sistema de Informação do Departamento Penitenciário Nacional (Sisdepen), de janeiro a junho de 2022, apontam que todo o Distrito Federal oferta 8.651 vagas para homens e mulheres. Por outro lado, há 15.077 presos.
Vale lembrar que parte dos acusados estão presos temporariamente, cuja duração é de até 10 dias. Muitos ainda passarão por audiências de custódia, ocasião em que o juiz vai determinar se converte a situação atual para prisão preventiva ou se libera o denunciado para responder ao processo em liberdade.
Após a coleta dos depoimentos, a Polícia Federal listou quais crimes os detidos passam a ser acusados, a depender de cada caso: terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado democrático de direito, golpe de Estado, perseguição, incitação ao crime, além dos danos ao patrimônio público.
Unidade masculina superlotada
Na última quinta-feira (12), a Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seap-DF) divulgou que, até aquele momento, 674 homens foram encaminhados para o Centro de Detenção Provisória II (Papuda), enquanto 493 mulheres foram para a Penitenciária Feminina (Colmeia).
Acontece que o CDP II, segundo o Sisdepen, já está superlotado. A capacidade é de 980 presos, mas, até junho do ano passado, havia 1.226, o que representa 25% a mais de internos. Com a chegada de mais 674 homens acusados de crimes contra o Estado democrático de direito, o percentual total quase dobra e chega a 93,87%.
Vagas femininas
No cruzamento de dados da Penitenciária Feminina, o Sisdepen aponta 1.028 vagas. Até junho de 2022, havia 687 internas. Até a última atualização da Seap, 493 mulheres foram encaminhadas para a prisão, o que passa deixar a unidade com a capacidade de 152 detidas acima da oferta.
A Band procurou a Seap para prestar informações sobre a situação dos presídios no Distrito Federal, mas ainda não obteve respostas.
CNJ acompanha audiências
A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão vinculado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informou que acompanha o trabalho das audiências de custódia e que mantém o fluxo de informações necessárias com todos os envolvidos, das autoridades aos presos.
Problema nacional
O problema da superlotação dos presídios é debate nacional. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022, com dados de 2020 e 2021 consolidados, destaca que o país tem um déficit de vagas superior a 180 mil. São Paulo tem a situação mais preocupante, onde são necessárias mais de 57,5 mil novas vagas em números absolutos.
“UOL”
JUSTIÇA
8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar
Maioria dos condenados já foi solta, segundo levantamento feito pelo STF a pedido do g1. 552 pessoas fecharam acordo para se livrar do processo
Por Reynaldo Turollo Jr,
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Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.
Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.
Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.
Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.
A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.
Crimes menos graves
Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.
Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.
Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.
Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.
Crimes mais graves
Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.
As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.
É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.
Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.
A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

