Promotor de Justiça pediu que delegacia especializada investigue André Ângelo Bottan

MPE pede inquérito contra empresário suspeito de estuprar a ex

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JUSTIÇA

Ministério Público de Mato Grosso determinou que a Polícia Civil instaure inquérito contra o empresário André Ângelo Bottan, acusado de perseguição e estupro contra a ex-esposa. Vítima relatou que a situação começou em 2020, havia parado, mas tudo voltou a acontecer este ano.

No relato à 20ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá a vítima relatou que tem sido seguida em vários lugares como academia, shopping e até mesmo na escola de seus filhos, circunstâncias essas que a fizeram, recentemente, blindar seu veículo.

Segundo ela, o histórico de perseguições e monitoramento iniciaram ainda no final de 2020, quando iniciaram as tratativas sobre divórcio. Consta em documento do MP que ela afirmou que na data de 26 de dezembro de 2020 teve seu e-mail invadido e em outra ocasião, enquanto dormia, seu ex-esposo vasculhou seu celular e chegou a copiar todas as fotos de sua galeria. Ele também passou a seguir a mulher na academia e na rua quando saía para fazer caminhada.

Em janeiro de 2021 chegou a capturar, pelas imagens da câmera de sua então residência, seu ex-marido colocando rastreador de ímã embaixo do seu carro. Nesse mesmo dia encontrou um HD com backup de todas as informações do seu notebook que usava para trabalho e uso pessoal. Ela também suspeitava que ele tentava rastrear seu celular.

Em outro episódio, ele teria dito que a mulher seria a única responsável pela separação, que nunca admitiria que ela ficasse com outra pessoa e que faria questão de contar para todo mundo o porquê ela separou, gerando uma exposição desnecessária.

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Uma das situações mais graves foi quando o suspeito manteve a mulher presa em casa por alguns dias. Ela afirmou que ele a obrigou a ter relações sexuais, sendo que nas circunstâncias em que estava, não conseguiu dizer não.

Em 18 de janeiro de 2021, ela conseguiu pedir para ele sair de casa e depois não teve outra alternativa a não ser mudar de cidade com seus filhos para possuir um pouco mais de paz. A perseguição, no entanto, voltou a ocorrer recentemente. Ela percebeu homens a seguindo e afirmou que seu ex contratou um detetive para rastreá-la.

Com base nos relatos feitos ainda em maio deste ano, o promotor Mauro Poderoso de Souza requereu à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá a instauração de inquérito policial contra o empresário pelos crimes de estupro e stalking (perseguição). Documentos foram remetidos à polícia em 24 de julho e 4 de agosto de 2023.

Outro lado

Reportagem tentou contato com o empresário via ligação e mensagens, mas não houve resposta até a publicação da matéria. Espaço segue aberto para manifestação.

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JUSTIÇA

8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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