A ação foi movida pelo MPE e reúne três casos ocorridos em Sinop entre os anos de 2017 e 2018

Justiça de MT condena “advogado ostentação” por estelionato

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JUSTIÇA

O advogado Marcos Vinicius Borges, conhecido nas redes como o “advogado ostentação”, foi condenado a cinco anos de prisão pelos crimes de estelionato e tráfico de influência.

Ele foi acusado de pedir valores a clientes presos alegando que precisava pagar propina a policiais para facilitar a soltura.

Na ocasião, Marcos Vinicius, para buscar convencer a vítima e justificar o alto valor, alegou que parte do dinheiro também seria repassado aos policiais responsáveis do plantão para adiantarem e facilitarem sua soltura

A decisão foi assinada pelo juiz Walter Tomaz da Costa, do Juizado Especial Cível e Criminal de Sinop, cidade em que o advogado atua. O processo foi movido pelo Ministério Público Estadual e reuniu três casos diferentes.

De acordo com as acusações, o advogado agia de forma “ardilosa” para conseguir vantagens ilícitas.

Conforme a decisão, o advogado se valeu da “vulnerabilidade e ignorância técnico-jurídica do cliente e respectivos familiares, justificando a exasperação da pena acima do patamar mínimo legal”, afirmou o juiz em um dos casos julgados.

“A soma das penas privativas de liberdade e pecuniárias impostas ao acusado perfazem o total de 05 (cinco) anos, 05 (cinco) meses e 10 (dez) dias de reclusão, e pagamento de 200 (duzentos dias-multa)”, diz trecho da decisão.

A multa foi afixada no valor unitário de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente na época dos casos.

O regime inicial dele será semiaberto e o advogado terá direito de apelar da decisão em liberdade.

 

Entenda as acusações

O primeiro caso foi registrado em 30 de agosto de 2017, quando um homem foi preso por direção perigosa e desobediência.

Marcos Vinicius, segundo a denúncia, ofereceu seus serviços por R$ 3 mil, “afirmando ardilosamente que sua situação era grave e que ele [o cliente] seria conduzido ao presídio em razão da prática dos citados delitos”, diz trecho.

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Sem dinheiro, a vítima teria oferecido uma motocicleta Honda Hornet à época avaliada em R$ 20 mil como forma de garantia.

“Na ocasião, Marcos Vinicius, para buscar convencer a vítima e justificar o alto valor, alegou que parte do dinheiro também seria repassado aos policiais responsáveis do plantão para adiantarem e facilitarem sua soltura”.

Segundo a denúncia, Vinicius chegou a dizer que estava atrasado para churrasco que pagou a um delegado da Polícia Civil, que o “ajudava em procedimentos que atuava como advogado”.

Ainda de acordo com a denúncia, os casos seguintes aconteceram de forma muito similar, com o advogado alegando aos clientes que parte do dinheiro dos honorários seria destinada a propinas.

Em 10 de novembro de 2017 outro caso foi registrado, quando um homem foi preso por embriaguez ao volante.

Marcos Vinícius teria cobrado R$ 10 mil para colocá-lo em liberdade. Ele teria afirmado que apenas R$ 2 mil eram para os honorários, o resto para fiança e “gorjeta” aos policiais para fazerem “vistas grossas de seu procedimento”.

Em 18 de março de 2018, um homem foi preso em razão de uma briga com o seu cunhado, por desavença familiar.

A denúncia relata que Marcos Vinicius entrou em contato com a esposa do homem, que lhe passou a quantia de R$ 1 mil. O advogado teria alegado que o homem ficaria preso, mesmo que a situação, na realidade não proporcionaria prisão.

Atuando como sua própria defesa, Marcos Vinicius “negou os fatos como narrados na denúncia, protestando pela produção ‘de todas as provas obtidas em direito’”.

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O advogado pediu sigilo no processo, pois estaria “sendo praticamente condenado pela boca de concorrentes antes mesmo de existir um julgamento”.

 

Outro lado 

O advogado se manifestou sobre o caso e questionou o vazamento do processo que estava em sigilo. 

“Estranho uma decisão supostamente sigilosa sair para imprensa antes mesmo do meu conhecimento, quem teria interesse nesse vazamento? Ministério Público? Ademais seja qual for a decisão não me preocupo, uma vez que conhecedor do trâmite sei que não se manterá nos tribunais, ou seja, o único prejuízo é o conquistado por quem vazou a notícia que é tentar sujar meu nome em meio a um momento de turbulência política. 

Quanto ao caso. Me arrependo? Não. Se trata de dispostos casos de 2017 onde Cobrei pelo meu serviço, em um recebi um cheque sem fundo, e no outro embora tenha ficado com uma moto de garantia de um elemento que já respondia aliciação de menor e tentativa de homicídio, recebi os valores após audiências cíveis. Se isso for crime, serei indiciado e condenado mais inúmeras vezes, ou terei que atuar gratuitamente?

Por fim, pedirei autorização judicial para trazer parte da audiência onde a suposta vítima informa que foi “buscado” em sua residência sem saber para o que era e que assinou o documento que o delegado lhe deu sem ler. Delegado este que eu já denunciei em outras oportunidades e que por diversas audiências de custódia informei que não segue conforme o CPP ordena não cumprindo seus horários de plantão na delegacia, fato sempre ignorado e jamais investigado pela promotora”. 

Marcos Vinicius Borges

 

 

“Mídia News”

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JUSTIÇA

8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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