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Governo aponta primeiros suspeitos de financiar atos terroristas e pede bloqueio de R$ 6,5 milhões de bens; veja lista

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Cinco dias após os atos terroristas que deixaram um rastro de destruição nas sedes dos Poderes, em Brasília, a Advocacia-Geral da União (AGU) identificou 52 pessoas e 7 empresas responsáveis por ter financiado o transporte dos manifestantes golpistas à capital federal. Em um pedido apresentado à Justiça Federal, obtido com exclusividade pelo GLOBO, o braço jurídico do governo de Luiz Inácio Lula da Silva pede para bloquear bens desse grupo que somam R$ 6.539.100. Segundo o pedido da AGU, devem ser usados para reparos danos materiais causados pelos radicais extremistas no Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF).

No pedido, a AGU também solicitou que sejam apreendidas armas de fogo em nome dos envolvidos, a restrição para venda de veículos, além da decretação de indisponibilidade de imóveis rurais e urbanos e de embarcações e aeronaves.

De acordo com o pedido, ao pagar pelo deslocamento de manifestantes que cometeram o vandalismo, eles “no mínimo assumiram o risco pela prática dos atos ocorridos e pelos danos que deles derivaram, cometendo atos ilícitos”. Em outro trecho do documento, o órgão argumenta que essas pessoas “tiveram papel decisivo” nos acontecimentos de domingo e que por isso “devem responder pelos danos causados ao patrimônio público”.

Para chegar aos financiadores, a AGU se baseou inicialmente em uma lista de ônibus que foram fretados para deslocamento para o Distrito Federal no último fim de semana, fornecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A partir desse levantamento inicial, foi feito um cruzamento com os veículos que foram apreendidos após a realização da manifestação. Com isso, a AGU considera que há um “juízo de segurança quanto ao envolvimento dessas pessoas no financiamento/transporte de manifestantes para Brasília”.

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“E nesse sentido é importante apontar que, nada obstante a ANTT tenha informado a existência de uma extensa relação de ônibus que foram fretados para deslocamento para o Distrito Federal e entorno no fim de semana de 08 de janeiro de 2023, são arroladas no polo passivo desta ação apenas aquelas pessoas físicas ou jurídicas que fretaram algum daqueles ônibus apreendidos por força da decisão do Ministro Alexandre de Moraes, do STF, nos autos do Inquérito nº 4.879 – DF, os quais estão devidamente identificados/destacados na documentação fornecida pela ANTT”, diz o documento da AGU.

“Tem-se, pois, que os réus que fretaram algum desses ônibus, de vontade livre e consciente, financiaram/participaram ou colaboram decisivamente para ocorrência desses atos que, por assim dizer, se convolaram em atos ilícitos dos quais, mais que os danos materiais ao patrimônio público federal objeto desta ação, resultaram danos à própria ordem democrática brasileira”, completa.

Já o prejuízo de R$ 6,5 milhões foi calculado a partir das estimas iniciais de danos causados ao Senado (R$ 3,5 milhões) e na Câmara (R$ 3 milhões). O órgão ressalta que ainda não foram levantadas as perdas no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal (STF), e que por isso o valor da ação pode ser alterado no futuro.

As empresas e pessoas físicas apontadas como financiadoras pela AGU estão sendo procuradas procuradas pela reportagem e seus posicionamentos serão incluídos no texto assim que responderem.

 

Veja a lista de empresas e pessoas físicas alvo de pedidos de bloqueio de bens:

 

Pessoas físicas

1. ADAILTON GOMES VIDAL

2. ADEMIR LUIS GRAEFF

3. ADOILTO FERNANDES CORONEL

4. ADRIANE DE CASIA SCHMATZ HAGEMANN

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5. ADRIANO LUIS CANSI

6. ALETHEA VERUSKA

7. AMIR ROBERTO EL DINE

8. APARECIDA SOLANGE ZANINI

9. BRUNO MARCOS DE SOUZA CAMPOS

10. CARLOS EDUARDO OLIVEIRA

11. CESAR PAGATINI

12. CLAUDIA REIS DE ANDRADE

13. DANIELA BERNARDO BUSSOLOTTI

14. DYEGO PRIMOLAN ROCHA

15. FERNANDO JOSE RIBEIRO CASACA

16. FRANCIELY SULAMITA DE FARIA

17. GENIVAL JOSE DA SILVA

18. HILMA SCHUMACHER

19. JASSON FERREIRA LIMA

20. JEAN FRANCO DE SOUZA

21. JOAO CARLOS BALDAN

22. JORGE RODRIGUES CUNHA

23. JOSE DE OLIVEIRA

24. JOSE ROBERTO BACARIN

25. JOSIANY DUQUE GOMES SIMAS

26. LEOMAR SCHINEMANN

27. MARCELO PANHO

28. MARCIA REGINA RODRIGUES

29. MARCIO VINICIUS CARVALHO COELHO

30. MARCO ANTONIO DE SOUZA

31. MARCOS OLIVEIRA QUEIROZ

32. MARLON DIEGO DE OLIVEIRA

33. MICHELY PAIVA ALVES

34. MONICA REGINA ANTONIAZI

35. NELMA BARROS BRAGA PEROVANI

36. NELSON EUFROSINO

37. PABLO HENRIQUE DA SILVA SANTOS

38. PATRICIA DOS SANTOS ALBERTO LIMA

39. PEDRO LUIS KURUNCZI

40. RAFAEL DA SILVA

41. RIENY MUNHOZ MARCULA

42. ROSANGELA DE MACEDO SOUZA

43. RUTI MACHADO DA SILVA

44. SANDRA NUNES DE AQUINO

45. SHEILA MANTOVANNI

46. STEFANUS ALEXSSANDRO FRANCA NOGUEIRA,

47. SULANI DA LUZ ANTUNES SANTOS

48. TEREZINHA DE FATIMA ISSA DA SILVA

49. VANDERSON ALVES NUNES

50. WILLIAM BONFIM NORTE

51. YRES GUIMARAES

52. ZILDA APARECIDA DIAS

 

Empresas

53. ALVES TRANSPORTES LTDA

54. ASSOCIAÇÃO DIREITA CORNÉLIO PROCOPIO

55. GRAN BRASIL VIAGENS E TURISMO LTDA

56. PRIMAVERA TUR TRANSPORTE EIRELI

57. RV DA SILVA SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA

58. SINDICATO RURAL DE CASTRO

59. SQUAD VIAGENS E TURISMO LTDA

“O Globo”

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JUSTIÇA

8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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