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Bolsonaro diz que perdão a Silveira ‘será cumprido’ e ameaça desobedecer STF sobre marco temporal

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BRASÍLIA E RIBEIRÃO PRETO – O presidente Jair Bolsonaro (PL) reiterou nesta segunda-feira, 25, que o perdão concedido ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) – menos de 24 horas após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – será cumprido. Em evento em Ribeirão Preto, o chefe do Executivo ainda chamou o parlamentar de “inocente” e ameaçou desobedecer a Corte caso seja aprovada a revisão do marco temporal para a demarcação de terras indígenas.

“(Quero) dizer a vocês, como há alguma especulação por aí, não vou entrar em detalhes. Decreto da graça e do indulto é constitucional e será cumprido. No passado soltavam bandidos, ninguém falava nada, hoje eu solto inocentes”, disse Bolsonaro na cerimônia de abertura da 27ª Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação. “Artigo 53 da Constituição não garante que os deputados podem falar o que bem entender?”

Menos de 24 horas depois da decisão do STF, o presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa do deputado Daniel Silveira e editou um inédito decreto que concedeu perdão da pena imposta por dez dos 11 ministros da Corte.

Bolsonaro também repetiu no evento que “só Deus” o tira da cadeira de presidente da República. Ele disse gastar metade do seu tempo lutando contra “maus brasileiros” que entram com ação ou tomam decisões contra o governo federal.

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Em gesto interpretado no mundo político como uma nova forma de desafiar o Supremo, Bolsonaro decidiu, na última quinta-feira, publicar decreto de graça a Daniel Silveira, condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ameaças à democracia, à Constituição e às instituições. O decreto visa anular a condenação imposta ao parlamentar.

O presidente subiu o tom nas críticas ao Supremo e, em aceno ao público de empresários do agronegócio, afirmou que pode não cumprir uma eventual decisão do STF contra o uso do marco temporal para a demarcação de terras indígenas.

“Se ele (Fachin, relator da ação sobre o marco temporal na Corte) conseguir vitória nisso, me restam duas coisas: entregar as chaves para o Supremo ou falar que não vou cumprir. Eu não tenho alternativa”, afirmou.

A revisão do marco temporal está paralisada no STF e, se aprovada, tem o potencial de ampliar o número de terras indígenas demarcadas no País. Hoje, o entendimento legal é de que povos indígenas só podem requerer demarcação de terras se comprovarem ocupação do território na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

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“O que nós queremos dos Poderes do Brasil? É que olhem para o Brasil, e não olhem para o poder. Cada um de cada Poder, se quiser disputar a Presidência, está aberto”, acrescentou Bolsonaro em seu discurso no evento. “Quem sabe essa pessoa seja a terceira via e negocie na base da paz e amor com o mundo inteiro os nossos problemas?”, ironizou, em seguida.

Sistema eleitoral

O presidente aproveitou o evento com ruralistas para tecer novas críticas indiretas ao ministro Alexandre de Moraes. “Se tivesse alguém lá com tanta preocupação com corrupção como tem com fake news, ajudaria muito o Brasil a estar em situação bem melhor”, afirmou ele. Moraes é relator no inquérito das fake news.

Bolsonaro também voltou, mais uma vez sem apresentar provas, a pôr sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro e orientou a sua base a como votar neste ano. “No caso de deputado federal e de senador, veja como ele votou na PEC do voto impresso”, disse o presidente, sobre o projeto derrotado no Congresso. “Veja como ele votou a questão do Daniel Silveira, se para manter o Daniel Silveira preso ou para soltar”, acrescentou. O caso Silveira, no entanto, não foi submetido a votação no Parlamento até o momento.

“MSN”

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8 de Janeiro: dos mais de 1,4 mil presos, 141 continuam na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar

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Por Reynaldo Turollo Jr,

Estátua 'A Justiça', de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

               Estátua ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, pichada por vândalos do 8 de janeiro, em frente à sede do STF, em Brasília — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Dos mais de 1,4 mil presos do 8 de Janeiro e de outros processos relacionados aos ataques à democracia, 141 permanecem na cadeia e 44 estão em prisão domiciliar — parte desses com tornozeleira eletrônica, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 141 que estão na cadeia, 112 já foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os outros 29 estão em prisão preventiva aguardando o julgamento — incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro.

Os dados são de um levantamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (12) a pedido do g1.

Em 8 de janeiro de 2023 e no dia seguinte em frente ao quartel-general do Exército, 1.406 pessoas foram presas em flagrante.

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Após a realização das audiências de custódia ainda naquele mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no STF, manteve 942 pessoas presas preventivamente.

A maioria já deixou a cadeia porque cometeu crimes menos graves e, por isso, respondeu em liberdade e já cumpriu a pena. Houve também pessoas que fizeram acordo para se livrar do processo e de uma eventual condenação.

Crimes menos graves

Segundo os dados atualizados, 552 investigados pelo 8 de janeiro assinaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo STF.

Pela lei, o ANPP é possível quando a pessoa é acusada de cometer crimes menos graves, com pena mínima inferior a quatro anos. Esse era o caso da maioria dos presos no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília, acusados de praticar incitação ao crime e associação criminosa.

Ao fecharem acordo, essas pessoas assumiram os delitos e se comprometeram a cumprir uma série de condições impostas pelo Supremo, como não reincidir, prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 5 mil.

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Dos acusados dos crimes menos graves que não assinaram acordo, 359 foram condenados, mas já não estão na prisão. O tribunal informou que 131 ações foram extintas por cumprimento integral da pena.

Crimes mais graves

Já entre os acusados dos crimes mais graves — tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público —, 279 foram condenados pelo Supremo.

As penas chegam a até 17 anos de prisão, dependendo do nível de envolvimento do réu nos atos violentos.

É nesse grupo que estão os 112 que continuam presos em regime fechado. O restante deixou a cadeia, por exemplo, progredindo de regime.

Somadas, as condenações por crimes menos graves (359) e por crimes mais graves (279) totalizam 638, de acordo com o Supremo. Houve também dez absolvições ao final dos processos.

A Corte informou que arrecadou quase R$ 3 milhões em prestação pecuniária, um valor pago por condenados como parte da punição e destinado à reparação dos danos causados pelos crimes

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