Presidente russo falou em coletiva de imprensa na capital do Cazaquistão, e anunciou o fim da mobilização que recrutou mais russos para lutar no conflito
Putin diz que não tem arrependimentos sobre guerra na Ucrânia
INTERNACIONAL
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse “não”, nesta sexta-feira (14), quando perguntado se ele ele tem arrependimentos relacionados à guerra na Ucrânia.
Falando em uma entrevista coletiva na capital do Cazaquistão, Astana, Putin disse que não era objetivo da Rússia destruir a Ucrânia.
Ele aproveitou a ocasião desta aparição pública para afirmar que não há planos para novas mobilizações recrutando russos para lutar na guerra.
Putin disse que a “mobilização parcial” que ele anunciou no mês passado estava terminando e estaria encerrada dentro de duas semanas.
“A mobilização está terminando. Presumo que em duas semanas todas as medidas de mobilização terminarão”, declarou.
Cerca de 222 mil dos 300 mil russos planejados na medida já foram convocados para o exército até agora, acrescentou o líder russo.
Também de acordo com os números do presidente russo, 16 mil russos que foram recrutados já estão “engajados em serviços militares” neste momento.
Ele comentou que “é impossível segurar a linha de frente” apenas com o contingente padrão do exército, e “esse é o porquê de termos anunciado a mobilização”.
“O que está acontecendo hoje é desagradável, mas estamos fazendo o que é certo”, afirmou Putin, em outro momento da coletiva.
Relações com a Otan
Ao comentar o esforço ucraniano para entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Putin disse que a Alemanha está cometendo um “erro” por apoiar a iniciativa – priorizando sua lealdade à Otan em detrimento de seus interesses nacionais.
O presidente russo acrescentou que os alemães ainda não tomaram uma decisão sobre a única linha intacta do gasoduto Nord Stream 2, através do qual ele disse que seria possível fornecer gás ao país.
Questionado sobre possibilidade de confronto direto entre Rússia e Otan, ele afirmou que qualquer embate direto entre tropas russas e da aliança militar levaria a uma “catástrofe global”.
“Espero que aqueles que estão dizendo isso sejam inteligentes o suficiente para não tomar essas medidas”, disse.
“CNN”
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

